Alexandre de Moraes promete cassação a candidato que usar IA para desinformar
1 veículo de esquerda · 3 veículos de centro · 1 veículo de direita

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
1 veículo de esquerda · 3 veículos de centro · 1 veículo de direita

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em 21 de agosto de 2026 que candidatos que usarem inteligência artificial para disseminar desinformação nas eleições poderão ter o registro da candidatura ou o mandato cassados. A declaração foi dada no evento “Voto e Democracia no Brasil”, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Moraes chamou a inteligência artificial de “anabolizante” da desinformação e disse que a multa tem menor poder de dissuasão do que a perda do cargo. A ministra Cármen Lúcia, presente ao mesmo evento, falou em “tecnoditadura” para descrever o desequilíbrio de poder das plataformas. No mesmo dia, Moraes determinou a cassação da aposentadoria do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação na trama golpista.
A promessa de cassação a quem usar inteligência artificial para desinformar é lida como defesa da integridade do voto popular diante de manipulação industrializada. Nesse enquadramento, o eleitor comum é a parte vulnerável de uma disputa desigual: de um lado, campanhas com capacidade de fabricar vídeos e áudios indistinguíveis do real; de outro, uma pessoa que decide o voto pelo que vê na tela e não tem meios de checar nada na véspera da eleição.
A promessa de cassar registro ou mandato acende o alerta sobre concentração de poder e insegurança jurídica às vésperas da eleição de 2026. Nesse enquadramento, o problema não é reconhecer o risco dos vídeos falsos, e sim entregar a um ministro do Supremo Tribunal Federal a definição do que conta como desinformação punível, com a sanção mais severa disponível no direito eleitoral.
5 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Todas as coberturas registram que Alexandre de Moraes classificou a inteligência artificial como “anabolizante” da desinformação, que a capacidade de fabricar vídeos e áudios falsos cresceu desde 2022 e que conteúdo falso divulgado na véspera do pleito não tem correção prática depois da votação. Há convergência também sobre a fala de Cármen Lúcia de que a tecnologia deve ser vigiada, não rejeitada.
Alexandre de Moraes disse que candidatos que usarem inteligência artificial para espalhar desinformação nas eleições de 2026 podem ter o registro ou o mandato cassados. A fala ocorreu em evento na Faculdade de Direito da USP, no mesmo dia em que o ministro determinou a cassação da aposentadoria do ex-diretor da PRF Silvinei Vasques. A seguir, o que cada lado da cobertura destacou.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em 21 de agosto de 2026 que candidatos que usarem inteligência artificial para disseminar desinformação durante as eleições poderão sofrer a cassação do registro da candidatura ou do mandato. A declaração foi dada no evento “Voto e Democracia no Brasil”, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco. “Todos os candidatos têm que ter absoluta consciência de que, se na véspera quiserem utilizar mecanismos de desinformação anabolizados pela inteligência artificial, isso vai dar cassação”, disse o ministro.
A imagem que organizou toda a cobertura foi a do ministro ao chamar a inteligência artificial de “anabolizante” da desinformação nas redes sociais. Segundo ele, a tecnologia ampliou a capacidade de produzir conteúdo falso e tornou as manipulações mais sofisticadas desde as eleições de 2022. Hoje é possível alterar imagem, voz e até o movimento labial de uma pessoa para fazê-la parecer dizer algo que nunca disse. O risco, argumentou, é maior quando o conteúdo circula na véspera ou no próprio dia da votação. “Não adianta depois de uma semana vir aquilo: pô, realmente aquilo era falso. A eleição acabou”, afirmou. Moraes citou o caso argentino, em que um vídeo falso mostrava um candidato anunciando a própria desistência para apoiar o adversário às vésperas do pleito.
O ministro também explicou por que descarta a multa como resposta suficiente: ela teria menor poder de dissuasão diante da velocidade de disseminação nas redes. “Só sobra o quê? Cassar o registro ou cassar o mandato”, disse, acrescentando que a ausência de consequência normalizaria o que classificou como ataque à democracia e à livre vontade do eleitor. No mesmo evento, a ministra Cármen Lúcia sustentou que a tecnologia não deve ser rejeitada, e sim vigiada, e usou o termo “tecnoditadura” para descrever a situação em que donos de plataformas passam a se servir do usuário, explorando comportamentos e interferindo na vida das pessoas.
A cobertura de centro foi a que mais ancorou a fala no debate regulatório em curso: uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2024 já proíbe o uso de conteúdo sintético para substituir imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização, e o tema voltou à pauta depois que o PT questionou o uso de um avatar do ex-presidente Jair Bolsonaro, feito com inteligência artificial, na convenção que confirmou o senador Flávio Bolsonaro como candidato a presidente. Veículos de direita reproduziram as mesmas falas, mas acrescentaram um dado ausente nas demais versões: Moraes não integra hoje o colegiado do TSE, embora recursos possam chegar ao Supremo e o ministro possa voltar à Corte Eleitoral no futuro. Nessa cobertura, o eixo se desloca da desinformação para o alcance do poder de quem anuncia a punição.
Veículos de esquerda concentraram-se em outra decisão do mesmo ministro no mesmo dia: a cassação da aposentadoria de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) condenado a 24 anos e seis meses de prisão em um dos processos da trama golpista. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele atuou para barrar o deslocamento de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022, por meio de blitze em rodovias do Nordeste. Silvinei Vasques havia se aposentado em 2022, aos 47 anos, antes da decisão do Supremo, e Moraes entendeu que a perda de cargo público decorrente de condenação criminal alcança também os inativos. A defesa nega que ele tenha agido para barrar eleitores e afirma que o ex-diretor foi alvo de uma tempestade midiática e de notícias falsas nas redes.
O que ainda não se sabe é qual será o critério objetivo para separar o uso legítimo de inteligência artificial em campanha do conteúdo que enseja cassação, e qual dispositivo legal embasaria a sanção anunciada. Também segue em aberto como a fiscalização funcionaria em tempo real na véspera da votação, qual será o desfecho da análise do TSE sobre vídeos falsos na campanha de 2026 e da ação do PT sobre o avatar exibido na convenção, e se caberá recurso da decisão que cassou a aposentadoria de Silvinei Vasques.
Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo a 24 anos e seis meses de prisão em um dos processos da trama golpista ocorrida no governo Jair Bolsonaro.
Ministro Alexandre de Moraes determina a cassação da aposentadoria de Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, condenado por participação em trama golpista.

O ministro afirmou que a utilização da tecnologia para alteração de falas e discursos é 'perigosíssimo'

Saiba mais sobre o alerta de Alexandre de Moraes contra o uso de IA na desinformação eleitoral e as possíveis consequências.

Ministro afirma que perda de registro ou do mandato pode alterar cálculo político de quem dissemina fake news
