Motorista de Fernando Haddad reafirma perseguição sob contestação da Polícia Civil
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Alessandro Caseri, motorista do candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, prestou depoimento à Polícia Civil na segunda-feira, 17 de agosto, e manteve o relato de que foi abordado de forma irregular por policiais militares na noite de 11 de agosto, na Vila Mariana, zona sul da capital. Ele afirmou ter tido contato com viaturas da Força Tática em três momentos, ter estacionado em frente a um hotel por volta das 21h58 por considerar o local seguro e ter saído apenas às 23h09. Investigadores que analisaram as imagens dizem que o carro deixou as imediações do hotel às 22h26 e foi captado por volta das 22h34 na Avenida 23 de Maio e na Radial Leste. A Secretaria de Segurança Pública afirma que as imagens não condizem com a versão do candidato, e o governador Tarcísio de Freitas fala em falsa comunicação. O episódio motivou inquéritos do Ministério Público Federal e da Polícia Civil.
Uma acusação grave contra a Polícia Militar, feita em plena largada da campanha, não resistiu à checagem objetiva. O motorista de Fernando Haddad afirmou ter permanecido em frente ao hotel até as 23h09, mas as câmeras mostram seu carro deixando o local às 22h26 e circulando pela Avenida 23 de Maio e pela Radial Leste por volta das 22h34, uma diferença de mais de 40 minutos.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: viés de esquerda.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: viés de direita.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
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Todos os lados registram que o depoimento ocorreu em 17 de agosto, que o motorista manteve o relato de abordagem, que existe divergência entre os horários que ele informou e os captados pelas câmeras, e que ele próprio disse não pretender acusar os policiais de abuso de poder nem registrar boletim de ocorrência.
O depoimento do motorista de Fernando Haddad à Polícia Civil reacendeu a disputa entre o candidato do PT ao governo de São Paulo e a gestão de Tarcísio de Freitas sobre o que aconteceu na noite de 11 de agosto, na Vila Mariana. Ele manteve o relato de intimidação por viaturas da Polícia Militar; os investigadores dizem que os horários citados não batem com as imagens das câmeras de segurança.
O motorista de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, prestou depoimento à Polícia Civil na tarde de segunda-feira, 17 de agosto, e manteve o relato de que foi abordado de forma irregular por policiais militares na noite de 11 de agosto, na Vila Mariana, zona sul da capital paulista. Alessandro Caseri, que dirige para o candidato, afirmou ter tido contato com viaturas da Força Tática em três momentos diferentes naquela noite. Segundo o depoimento, prestado na presença de um advogado, ele decidiu estacionar em frente a um hotel por volta das 21h58, depois de deixar Haddad em casa, por considerar o local seguro pela quantidade de câmeras de segurança, e só teria saído às 23h09.
É nesse ponto que a apuração oficial diverge do relato. Investigadores que analisaram as imagens afirmam que o carro do motorista deixou as imediações do hotel às 22h26 e foi captado por outras câmeras por volta das 22h34, na Avenida 23 de Maio e na Radial Leste. A diferença entre o horário informado no depoimento e o horário registrado passa de 40 minutos, e é apontada pela equipe de investigação como o principal ponto de contradição. A Secretaria de Segurança Pública já havia declarado que as imagens não condizem com a versão apresentada pelo candidato. O episódio motivou a abertura de inquéritos do Ministério Público Federal e da Polícia Civil de São Paulo.
Há um conjunto de fatos que atravessa toda a cobertura, independentemente do enquadramento. O motorista declarou que não tem vínculo político com o candidato, que não pretende acusar os policiais de abuso de poder e que decidiu não registrar boletim de ocorrência. Ele relatou ter ouvido de um dos policiais a expressão vaza, disse ter enviado mensagem a um assessor da campanha informando que se sentia seguido e pediu que a polícia examinasse ainda uma câmera na rua Victor Brecheret, que segundo ele teria captado a abordagem. O governador Tarcísio de Freitas, candidato à reeleição, afirmou no domingo, primeiro dia de campanha, que mais de 70 câmeras foram analisadas, que os sistemas de GPS indicam viaturas diferentes em patrulhamento ou retornando aos batalhões e que o caso é, no final das contas, uma falsa comunicação, com possível responsabilização do motorista.
A divergência aparece no peso que cada cobertura dá a esses elementos. Veículos de direita concentraram o relato na fragilidade da versão do funcionário, quantificando a diferença de horários, destacando que as imagens mostram uma viatura passando sem parar, sem desembarque e sem contato com o carro, e fechando o texto com a declaração do governador de que não houve perseguição, sem ouvir a campanha do candidato. A cobertura de centro apresentou a linha do tempo dos dois lados, registrou que a abordagem descrita poderia ter ocorrido fora do enquadramento da câmera, trouxe a reclamação do candidato sobre a demora em colher o depoimento de quem pediu socorro ao Estado e detalhou as ligações feitas a dois advogados da campanha durante o período em que o motorista diz ter ficado no local. Veículos de esquerda deslocaram o foco para a gestão estadual da segurança pública, dando espaço integral à crítica do candidato, que afirmou em sabatina de terça-feira que a Polícia Civil paulista está tecnologicamente em frangalhos, citou índice de esclarecimento de homicídios abaixo de um terço e defendeu integração entre polícias, Ministério Público, Receita Federal e Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há resposta pública sobre a câmera da rua Victor Brecheret pedida pelo depoente, nem divulgação do conteúdo integral das imagens e dos registros de GPS que sustentam a conclusão do governo estadual. Não foi esclarecido por que o depoimento levou seis dias para ser colhido, nem como a discrepância de horários se explica, se por erro de percepção, por confusão entre o horário do relógio das câmeras e o do celular, ou por outra razão. Os dois inquéritos seguem abertos, e nenhuma autoridade indicou prazo para conclusão ou se haverá responsabilização de alguém, seja dos policiais, seja de quem apresentou a versão.
Candidato do PT ao governo fez criticas a gestão de Tarcísio e citou baixa elucidação de crimes na 3ª feira (18.ago). Leia no Poder360.

Investigadores afirmam que a versão apresentada não bate com os horários que aparecem nas câmeras de segurança analisadas

Alessandro Caseri disse que PMs teriam descido de viatura, apontado lanternas para seu veículo e dado ordem para que ele ‘vazasse’

Episódio descrito como possível tentativa de intimidação motivou abertura de inquéritos do Ministério Público Federal e da Polícia Civil

Investigadores afirmam que versão apresentada não bate com horários que aparecem nas câmeras de segurança analisadas
