MPF quer voos de helicóptero no Rio restritos à rota do mar
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Agência BrasilMPF pede ações de segurança para voos de helicóptero no Rio de JaneiroAção pede mais fiscalização das altitudes mínimas e demais regras das rotas. Inquérito civil aberto pelo MPF apura os impactos provocados pela expansão dos voos panorâmicos na cidade.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
- G1MPF pede que voos panorâmicos de helicóptero no Rio se limitem a corredor aéreo sobre o marO MPF acionou a Justiça para que voos de helicóptero no Rio ocorram prioritariamente sobre o mar, visando reduzir riscos de acidentes em áreas urbanas povoadas.(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
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Briefing
O que importa para você
- Se a Justiça acolher o pedido, voos panorâmicos e táxi aéreo comercial passam a operar sobre o mar, entre a Barra da Tijuca e o Arpoador, a 600 metros da praia, com exceções para salvamento, aeromédico, segurança pública e imprensa.
- Anac, Decea, Inea e prefeitura teriam 90 dias para apresentar plano conjunto de regulamentação e fiscalização.
- Moradores sob as rotas atuais e o entorno do Aeroporto de Jacarepaguá são os diretamente afetados por ruído e risco.
Onde os lados divergem
- Veículos de esquerda enquadram o caso como exposição da população e do ambiente ao risco de uma atividade usufruída por poucos, e pedem mais regulação estatal.
- A cobertura de centro trata o tema como disputa de competência entre órgãos fiscalizadores, sem defender desfecho.
- O ângulo de direita, ausente na cobertura analisada, tenderia a responsabilizar a empresa envolvida e os agentes públicos omissos em vez de restringir a rota de todo o setor.
Onde os lados concordam
As coberturas convergem em que o MPF não pede a proibição dos voos panorâmicos, e sim o seu deslocamento para a rota marítima já existente, e em que houve falha de fiscalização diante do crescimento acelerado do setor. Também há acordo de que os danos ao Parque Nacional da Tijuca precisam ser reparados e de que a causa da queda ainda não foi determinada.
O que ainda está incerto
- A causa da queda na Vista Chinesa segue sob apuração da Polícia Civil e do Cenipa.
- Não há decisão da 35ª Vara Federal sobre os pedidos nem data definida para a audiência solicitada pelo MPF.
- União, Anac, Inea, município e as operadoras não apresentaram resposta pública às acusações de falha de fiscalização.
Depois da queda que matou quatro pessoas no Parque Nacional da Tijuca, o Ministério Público Federal foi à Justiça para tirar os helicópteros comerciais de cima das áreas povoadas do Rio. A ação atinge União, Anac, Inea e prefeitura, e dá 90 dias para um plano conjunto de fiscalização do setor que saltou de uma para mais de quinze operadoras em dez anos.
O Ministério Público Federal ajuizou nesta quarta-feira, 12 de agosto, uma ação civil pública na Justiça Federal do Rio de Janeiro para reorganizar a operação de helicópteros comerciais na cidade. A ação foi movida contra a União, a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, o Instituto Estadual do Ambiente, o Inea, e o município do Rio de Janeiro. O estopim foi a queda de um helicóptero de voo panorâmico na região da Vista Chinesa, dentro do Parque Nacional da Tijuca, no sábado, 8 de agosto, que matou o piloto e três turistas colombianas.
O pedido central é que o transporte remunerado de passageiros por helicóptero, incluídos os voos panorâmicos, passe a usar prioritariamente a Rota Especial de Helicópteros Praia, corredor aéreo já existente sobre o mar entre a Barra da Tijuca e o Arpoador, situado a cerca de 600 metros da faixa de areia. A ação prevê exceções para operações de segurança pública, defesa civil, salvamento, transporte aeromédico, serviços públicos e cobertura jornalística, e não alcança os trechos necessários para pousos e decolagens em heliportos da cidade. O MPF pede ainda que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, o Decea, intensifique a fiscalização de altitudes mínimas e demais regras de rota, que a Anac reforce a supervisão das operadoras, que o Inea reavalie condicionantes ambientais ligadas ao Aeroporto de Jacarepaguá e que a prefeitura amplie o monitoramento de ruído e de impactos ambientais. Os órgãos teriam até 90 dias para apresentar um plano conjunto de regulamentação e fiscalização da atividade.
Há convergência entre as coberturas sobre os fatos principais. Todas registram que o procurador autor da ação afirma não pretender proibir os passeios turísticos, mas afastar o tráfego rotineiro das áreas mais ocupadas; que o MPF abriu inquérito civil para apurar os danos ambientais causados ao Parque Nacional da Tijuca pela queda e pelo incêndio da aeronave; e que as causas do acidente continuam sob investigação da Polícia Civil e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Cenipa.
As ênfases se separam a partir daí. A cobertura de centro detalhou a mecânica do pedido judicial e a crítica do procurador ao que ele classificou como jogo de empurra entre as instituições encarregadas da fiscalização, além de registrar o salto de uma para mais de quinze operadoras de voos panorâmicos em cerca de dez anos, com dias que chegam a mais de cem voos, e o fato de que o único acidente recente sem mortos foi um pouso forçado sobre o mar. Veículos de esquerda deram peso maior à dimensão coletiva e ambiental: destacaram os números de 24.681 voos panorâmicos e 81.390 passageiros em um ano, reproduziram a avaliação de que não é razoável que uma atividade usufruída por poucos exponha centenas de milhares de moradores e áreas protegidas, e recuperaram a colisão de dois helicópteros em 14 de junho, no Recreio dos Bandeirantes, que matou seis pessoas e provocou incêndio em um pátio de veículos.
Veículos de direita não haviam publicado sobre o caso no material analisado. Com isso, os argumentos usualmente associados a esse lado, como a responsabilização individualizada da empresa operadora em vez de restrição ao setor inteiro, o custo econômico para o turismo carioca e a objeção a que o Judiciário defina desenho de rota aérea, matéria técnica do controle do espaço aéreo, não aparecem no conjunto de reportagens, ainda que o diagnóstico de falha de fiscalização esteja na própria petição do MPF.
O que ainda não se sabe é o essencial. A causa da queda na Vista Chinesa segue sob apuração, sem conclusão do Cenipa nem da Polícia Civil. Não há decisão da 35ª Vara Federal sobre os pedidos, e o MPF informou aguardar manifestação rápida, além de ter solicitado audiência para detalhar os fundamentos da proposta. Também não foram divulgadas respostas dos réus, União, Anac, Inea e município, às acusações de falha na fiscalização, nem a posição das empresas do setor sobre o efeito prático de concentrar os voos comerciais na rota marítima.
Fontes

O MPF acionou a Justiça para que voos de helicóptero no Rio ocorram prioritariamente sobre o mar, visando reduzir riscos de acidentes em áreas urbanas povoadas.
Ação pede mais fiscalização das altitudes mínimas e demais regras das rotas. Inquérito civil aberto pelo MPF apura os impactos provocados pela expansão dos voos panorâmicos na cidade.