Alexandre Padilha, ministro da Saúde, vê clima como crise de saúde pública
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Pelo prisma da proteção social, a declaração de Alexandre Padilha reconhece que a crise climática já pesa sobre a saúde da população e exige resposta do Estado. O alerta sobre a dengue chegando ao Rio Grande do Sul, onde quase não havia casos, e sobre as ondas de calor que agravam doenças cardiovasculares aponta para os grupos mais expostos. A lembrança das inundações de 2024 e o risco de um El Niño recorde reforçam a necessidade de vigilância permanente do sistema público de saúde em todas as regiões.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou em coletiva de imprensa, em 16 de setembro, que os impactos das mudanças climáticas configuram uma crise de saúde pública no Brasil e no mundo e que é urgente adaptar os sistemas de saúde.
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as mudanças climáticas já configuram uma crise de saúde pública e defendeu a adaptação urgente dos sistemas de saúde. O ministério prevê um El Niño possivelmente recorde, com efeitos até março de 2027, e risco de avanço da dengue no Sul.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou em coletiva de imprensa na quarta-feira, 16 de setembro, que os impactos das mudanças climáticas configuram uma crise de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo ele, é urgente adaptar os sistemas de saúde para enfrentar o problema.
Para sustentar o diagnóstico, Padilha citou estimativa da Organização Mundial da Saúde, a OMS, segundo a qual uma em cada quatro mortes registradas no mundo tem alguma relação com as mudanças climáticas. Ele lembrou que o Reino Unido já registra a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e típico de países tropicais. No Brasil, o ministro apontou o aumento da temperatura média como fator que pode favorecer a expansão da dengue no Sul, inclusive no Rio Grande do Sul, onde quase não havia casos da doença. Também mencionou o aumento de doenças crônicas, como as cardiovasculares, provocado por ondas de calor extremo.
Questionado sobre a preparação da pasta para eventos como as inundações que atingiram Porto Alegre e boa parte do território gaúcho em 2024, Padilha avaliou que o país está mais bem preparado hoje do que naquela época. Ressalvou, porém, que todo cuidado é pouco, e defendeu a manutenção do estado de alerta e da vigilância em todas as regiões, não apenas no Sul.
Dados do ministério indicam que os efeitos do El Niño devem ser sentidos com mais intensidade no Brasil a partir de setembro. O secretário-executivo adjunto da pasta, Nilton Pereira, disse que o fenômeno está muito forte e pode ser o mais forte da série histórica, com efeitos no país até pelo menos março de 2027.
A cobertura de centro relatou a coletiva de forma factual, reproduzindo as declarações do ministro e do secretário sem acrescentar contraponto. Os dois veículos que publicaram o caso trazem essencialmente o mesmo texto, de agência pública, com base apenas em fontes do próprio governo federal. Até o momento, não houve cobertura de veículos de esquerda nem de veículos de direita com enquadramento próprio sobre o tema, o que deixa a repercussão política da declaração restrita ao relato oficial.
Permanecem sem resposta perguntas centrais. A coletiva não detalhou quais medidas concretas de adaptação o Ministério da Saúde pretende adotar, com que prazos e com que orçamento. Também não foram apresentados dados que sustentem a avaliação de que o país está mais bem preparado do que em 2024. Por fim, não se sabe como a vigilância contra a dengue será reforçada nos estados do Sul diante de um El Niño que pode ser recorde.
Dados da pasta indicam que, em 2026, os efeitos do El Niño devem ser sentidos de forma mais intensa no Brasil já a partir deste mês.
