A convenção do Partido Liberal no Distrito Federal, realizada no domingo, 2 de agosto de 2026, no Parque da Cidade, em Brasília, oficializou as candidaturas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Bia Kicis ao Senado pelo Distrito Federal. No mesmo evento, a legenda formalizou apoio à reeleição da governadora Celina Leão e apresentou o restante da chapa distrital, que inclui o irmão da ex-primeira-dama como candidato a deputado distrital.
A principal ausência foi justamente a da candidata mais esperada. Michelle Bolsonaro estava internada desde o sábado, 1º de agosto, em um hospital privado de Brasília, por causa de uma crise prolongada de enxaqueca. Ela passou por um procedimento anestésico de bloqueio dos nervos cranianos e pericranianos e recebeu alta no fim da tarde de domingo, praticamente no horário de início da convenção. Mesmo liberada, decidiu não comparecer. Em seu lugar, o irmão leu uma carta em que ela confirma a pré-candidatura ao Senado, agradece ao presidente nacional do partido pelo incentivo e declara apoio à chapa encabeçada pelo enteado, o senador Flávio Bolsonaro, oficializado candidato à Presidência da República em 25 de julho, em convenção realizada no Pacaembu, em São Paulo.
A cobertura de centro relatou o encadeamento dos fatos com precisão de horário e documento: o boletim médico do hospital, a decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou a irmã da ex-primeira-dama a acompanhar temporariamente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar durante a internação, e a informação de que a candidatura ao Senado já havia sido antecipada no sábado pela deputada que divide a chapa. Essa mesma cobertura registrou que a convenção era vista como a oportunidade do primeiro encontro público entre a ex-primeira-dama e o enteado após um rompimento ocorrido cerca de um mês antes, encontro que não aconteceu. Também foi a cobertura de centro que publicou na íntegra o discurso do candidato à Presidência, no qual ele afirma que o país caminha para uma ditadura, promete endurecer as leis penais, trata a prisão do pai como perseguição e diz que o ex-presidente subirá a rampa do Planalto em janeiro de 2027. Nessas matérias, o material ideologicamente carregado aparece sempre entre aspas e atribuído ao orador.
Já os veículos de direita enfatizaram a dimensão pessoal e programática da carta. Nesse enquadramento, o destaque vai para a trajetória da ex-primeira-dama, nascida na Ceilândia, para as políticas de inclusão citadas por ela como legado do governo anterior, entre elas o protocolo de atendimento para pessoas com epidermólise bolhosa, iniciativas voltadas a autistas, a sanção da Lei Romeo Mion e a inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista no Censo, e para a frase com que ela sintetiza a candidatura, de que governar é cuidar. Essa cobertura reproduz sem contraponto a comparação feita na carta, segundo a qual o governo anterior combateu a corrupção e deixou recursos em caixa, enquanto a gestão federal atual responderia pelas dificuldades econômicas. Também não menciona o rompimento familiar nem o fato de a carta ter sido lida por terceiros.
Entre as matérias reunidas neste conjunto não há cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio, de modo que o contraponto crítico às afirmações do palanque, sobre condenações judiciais, gestão econômica e concentração familiar de candidaturas, não aparece em nenhuma das fontes disponíveis.
Permanecem em aberto pontos relevantes. Não se sabe qual é o prognóstico clínico da ex-primeira-dama nem se o quadro afeta o calendário de campanha. Não há confirmação sobre qualquer reaproximação com o enteado após o rompimento, nem versão dos dois lados sobre o episódio. Segue indefinido o nome do vice na chapa presidencial. E, como toda convenção antecede o registro formal das candidaturas na Justiça Eleitoral, a oficialização partidária ainda não equivale à confirmação definitiva dos nomes na disputa.