Donald Trump na ONU compara cartéis ao Estado Islâmico e ameaça a América Latina
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, logo após Luiz Inácio Lula da Silva, e afirmou que Washington poderá usar seu poderio militar na América Latina e no Caribe para garantir interesses nacionais vitais. Citou a Venezuela como exemplo, comparou cartéis ao Estado Islâmico, disse que o regime de Cuba vai cair e chamou o México de epicentro da violência dos cartéis.
Veículos deste lado: BBC Brasil, IstoÉ e Notícias ao Minuto Brasil
A leitura de esquerda trata o discurso como nova ameaça de intervenção militar na região e o contrapõe à fala de Lula contra a ingerência externa. Destaca que a ação na Venezuela foi uma invasão, que a acusação sobre o Cartel de Los Soles caiu após a prisão de Maduro e que a equiparação entre cartéis e terrorismo pode servir de pretexto para interferir na soberania dos países latino-americanos.
Veículos deste lado: Jornal GGN
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Na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Donald Trump disse que os Estados Unidos poderão usar seu poderio militar na América Latina e no Caribe. Ele comparou cartéis ao Estado Islâmico, exaltou o acordo de petróleo na Venezuela e afirmou que o regime de Cuba vai cair, logo depois de Lula criticar a ingerência externa na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 22 de setembro, na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, que o país poderá usar seu poderio militar na América Latina e no Caribe para garantir o que chamou de interesses nacionais vitais. Em um discurso de cerca de 40 minutos, ele citou as ações americanas na Venezuela como prova de que Washington não vai mais permitir ameaças no hemisfério ocidental.
Trump falou logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula havia dito que a América Latina e o Caribe vivem sob pressão por estarem perto da maior potência militar do planeta e que o Brasil não cabe no quintal de ninguém.
Os pontos centrais do discurso aparecem em toda a cobertura. Trump repetiu que designou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e que acionou as Forças Armadas americanas para eliminá-los. Ele comparou os cartéis ao Estado Islâmico. Sobre Cuba, disse que o regime comunista está sob a maior pressão de sua história, que é um Estado falido e que vai cair. Afirmou ainda que o secretário de Estado, Marco Rubio, conduz negociações com o governo cubano. Sobre a Venezuela, exaltou o acordo de petróleo firmado depois da operação militar de janeiro que levou à captura de Nicolás Maduro, e declarou que os espólios pertencem aos vencedores. O México foi chamado de epicentro da violência dos cartéis.
A cobertura de centro relatou o discurso de forma descritiva, concentrada nas declarações do presidente americano. Parte dela ampliou o foco para outros trechos da fala, como a previsão de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, o plano de enviar uma presença militar maciça à Groenlândia e o pedido para que os países deixem o Tribunal Penal Internacional. Outra parte destacou o pano de fundo bilateral: Lula e Trump não se encontraram nos bastidores, a duas semanas das eleições brasileiras, com uma disputa comercial ainda sem solução e sob risco de novas sanções contra autoridades brasileiras.
Veículos de esquerda destacaram o caráter de ameaça do discurso e o contrapuseram à fala de Lula sobre ingerência externa em processos eleitorais e investidas neocoloniais. Essa cobertura descreveu a ação na Venezuela como invasão, lembrou que o Departamento de Justiça americano retirou depois a acusação de que Maduro lideraria o chamado Cartel de Los Soles e registrou que o acordo petroleiro dá a uma empresa ligada ao Pentágono o controle de até 21% do petróleo venezuelano. Também citou analistas segundo os quais a equiparação entre cartéis e terrorismo pode servir de pretexto para interferir em países da região, além da posição da presidente do México, Claudia Sheinbaum, de que o combate ao narcotráfico não justifica intervenção externa. Esses veículos relataram ainda que a delegação cubana deixou o plenário em protesto e que Trump ameaçou aniquilar o Irã caso Teerã recuse um acordo.
Veículos de direita não publicaram cobertura própria do discurso até o momento, e por isso a leitura desse campo não aparece nesta reportagem.
O que ainda não se sabe é se as ameaças vão se traduzir em novas operações militares na região, qual é o conteúdo das negociações entre Washington e Havana e se haverá uma nova rodada de sanções americanas contra autoridades brasileiras antes das eleições.
Ele foi o segundo líder a discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, depois do discurso do presidente Lula.

Presidente Donald Trump declara na ONU que o "poderio militar incomparável" dos EUA será usado para defender interesses na América Latina, citando Venezuela, Cuba e cartéis.

Presidente dos EUA afirma que poderá recorrer ao poder militar para defender interesses americanos e faz novas ameaças contra Venezuela, México e Cuba

