O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), anunciou o tenente-coronel da reserva da Brigada Militar Aroldo Medina como companheiro de chapa para a disputa de 2026. O anúncio foi feito em evento com apoiadores em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, e formalizado em coletiva de imprensa na sexta-feira. Para assumir a vaga de vice, Medina abriu mão de sua pré-candidatura ao Senado pelo estado.
A cobertura de centro relatou o perfil do novo vice com detalhamento factual. Natural de Santana do Livramento e morador de Canoas, Medina serviu por trinta anos na Brigada Militar, atuou como bombeiro e instrutor, e já disputou o Governo do Rio Grande do Sul em duas ocasiões, em 2002 e 2010, além de outros pleitos municipais e estaduais. Com a indicação, o Missão se tornou a terceira força política a definir a composição de sua chapa presidencial, depois da reedição da aliança entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin e da chapa do ex-governador Ronaldo Caiado com Gilberto Kassab. As candidaturas ainda dependem de oficialização nas convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto.
Os veículos de direita enfatizaram a fala de Renan Santos de que ele não é 'uma sombra' de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro. Segundo o pré-candidato, seu crescimento nas pesquisas se explica justamente pelo enfrentamento claro tanto a Lula quanto a Flávio, em contraste com a estratégia que atribuiu aos ex-governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado, a quem acusou de ficarem 'na sombra' do senador. Renan afirmou ainda que fala o que pensa e que sua campanha não 'vende a mãe' para obter crescimento político. Nesse enquadramento, o Missão aparece como a voz autêntica e outsider do campo conservador.
Veículos de esquerda tendem a ler o mesmo movimento como sinal da fragmentação da direita rumo a 2026, com Renan, Flávio, Caiado e Zema disputando o mesmo eleitorado, e destacam a aposta recorrente do campo conservador em nomes ligados às forças de segurança, como a escolha de um coronel da reserva para vice. Nesse ângulo, o avanço de siglas outsider reflete a instabilidade do sistema partidário à direita, enquanto o campo progressista já se apresenta consolidado em torno da aliança com Alckmin.
Todas as coberturas convergem nos números. A pesquisa AtlasIntel divulgada na semana apontou Renan Santos com 7,8% das intenções de voto no primeiro turno, à frente de Caiado, com 2,9%, e de Zema, com 2%. Nesse levantamento, Lula lidera com 46,3% e Flávio Bolsonaro aparece com 36,6%. Em pesquisa anterior do Datafolha, divulgada duas semanas antes, o pré-candidato do Missão marcava 3%, empatado com Caiado, com Lula em 41% e Flávio em 31%.
O que ainda não se sabe é se o desempenho recente de Renan nas pesquisas se sustentará até as convenções e o registro oficial das candidaturas, e como a fragmentação da direita afetará a definição de eventuais alianças. Também permanece em aberto a capacidade do Missão, sigla nova nascida do MBL, de construir estrutura nacional competitiva para a disputa presidencial.