O Republicanos vai abrir em julho o debate interno sobre a eleição presidencial de 2026 e chega a esse momento dividido entre três projetos distintos. A informação é do líder da maioria na Câmara, deputado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), em entrevista ao programa VEJA em Foco. Segundo ele, há uma corrente que defende o apoio ao presidente Lula, outra que defende a candidatura do senador Flávio Bolsonaro e uma terceira que prega a neutralidade, permitindo que cada estado escolha o próprio caminho para a Presidência da República.
Costa Filho, que deixou recentemente o Ministério de Portos e Aeroportos para assumir a liderança da maioria na Câmara, deixou claro qual será a sua posição pessoal. Ele afirmou que, em Pernambuco, o partido seguirá ao lado de Lula, como diz ter feito ao longo da trajetória recente. O deputado também avaliou que o senador Flávio Bolsonaro não reúne, na sua leitura, as condições necessárias para governar o país e cuidar de mais de 200 milhões de brasileiros. Apesar dessas declarações, o parlamentar ressaltou que a definição nacional da legenda ainda será construída internamente e depende do diálogo entre governo e Congresso.
Um ponto que atravessa toda a cobertura é o peso simbólico do partido: o Republicanos é a legenda do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado como um dos principais nomes da direita para a disputa de 2026. Isso torna o racha interno relevante para os dois campos. A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta, reproduzindo as três correntes com paridade e destacando que ainda não houve consenso dentro da sigla.
É na interpretação que os enquadramentos se separam. Veículos de esquerda tendem a ler a fala como sinal de que o projeto liderado por Lula atrai setores pragmáticos até dentro da centro-direita, e enxergam na crítica ao preparo de Flávio Bolsonaro um indício do isolamento do campo bolsonarista. Já veículos de direita enfatizam que a posição pró-Lula é de um único dirigente e restrita a Pernambuco, não uma decisão nacional, e lembram que a legenda mantém aberta a hipótese de apoiar a candidatura da direita, preservando a autonomia das lideranças estaduais até a convenção.
O que ainda não se sabe é qual será a posição oficial do Republicanos, que só começará a ser discutida em julho, nem como as demais alas do partido e o próprio Tarcísio de Freitas reagirão às declarações. Também não houve, até aqui, resposta de aliados de Flávio Bolsonaro à avaliação de que o senador não estaria preparado para a Presidência.