Mulheres ficam fora das cinco maiores chapas à Presidência da República
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Sete mulheres integram as 13 chapas registradas para a disputa presidencial de 2026, o equivalente a 27% das 26 vagas de presidente e vice, ante 36% das 22 vagas em 2022. Duas encabeçam chapas, metade do número de quatro anos atrás, e cinco concorrem à vice-Presidência. Nenhuma das cinco candidaturas com maior estrutura tem mulher na composição, situação que não se repetia desde 1998. A cota legal de 30% por gênero vale apenas para as eleições proporcionais e não alcança presidente, governador e prefeito. Os registros ainda serão julgados pela Justiça Eleitoral.
A montagem das chapas presidenciais é decisão das legendas, e impor cota de gênero para chefia do Executivo esbarraria em dois pilares constitucionais: a autonomia dos partidos e a soberania do voto. O que pesa na viabilidade de uma candidatura majoritária é trajetória política, experiência de gestão, tamanho do partido e visibilidade pública, atributos que o eleitor julga na urna.
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As duas frentes de cobertura registram os mesmos números e o mesmo diagnóstico central: a presença feminina caiu de 36% para 27% das vagas de presidente e vice, nenhuma das cinco chapas com maior estrutura tem mulher, e a cota legal de 30% por gênero não alcança as eleições majoritárias, apenas as proporcionais.
A participação feminina nas chapas à Presidência da República caiu de 36% em 2022 para 27% em 2026: são sete mulheres em 13 chapas, e apenas duas encabeçam candidaturas. Nenhuma das cinco chapas com maior estrutura tem mulher na composição, algo que não acontecia desde 1998. A cota legal de 30% por gênero não alcança as eleições majoritárias.
A participação de mulheres nas chapas que disputam a Presidência da República encolheu em 2026. Elas ocupam 27% das 26 vagas de presidente e vice distribuídas entre as 13 chapas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contra 36% das 22 vagas de 2022. São sete mulheres no total: duas encabeçam chapas e cinco concorrem à vice-Presidência. Quatro anos atrás, eram quatro candidatas ao cargo principal e quatro à vice.
O ponto que as duas frentes de cobertura tratam como central é a ausência delas no pelotão da frente. Nenhuma das cinco candidaturas com maior estrutura, Lula e Alckmin, Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar, Caiado e Kassab, Zema e Girão, Renan e Medina, tem mulher na composição. É a primeira vez neste século que as principais chapas ao Palácio do Planalto se apresentam assim. O registro anterior é de 1998.
Há convergência também no diagnóstico legal. A cota que obriga cada partido a reservar no mínimo 30% das candidaturas a um dos gêneros vale para as eleições proporcionais, de deputado e vereador, e não alcança presidente, governador e prefeito. Mulheres aparecem em cinco das 13 chapas, 38% do total, ante 54% em 2018 e 55% em 2022. Mais da metade das sete candidatas está concentrada em duas chapas inteiramente femininas, a da Unidade Popular pelo Socialismo, com Samara Martins e Raquel Brício, e a do Democracia Cristã, com Clariana Barão e Fabiana Torquato. Desde 1989, apenas cinco das 111 chapas presidenciais tiveram mulheres nas duas vagas.
Veículos de direita enfatizaram a engenharia partidária por trás dos números. Descreveram a troca de última hora no PRTB, que abandonou a expectativa de lançar a Tenente Dalma como vice e registrou Pablo Marçal, inelegível até 2032, no topo da chapa. Detalharam também a negociação frustrada do Partido Liberal, em que Flávio Bolsonaro chegou a sondar Daniella Marques, Simone Marquetto e Clarissa Tércio, sem que as legendas delas abrissem mão da neutralidade, até a vaga ser fechada com o deputado federal Alfredo Gaspar. Nessa cobertura ganha relevo o pedido feito em junho pelo Partido dos Trabalhadores e pelo Partido Liberal ao TSE, com apoio do Republicanos e de uma ala do Partido Social Democrático, para excluir as campanhas majoritárias do cálculo dos 30% do Fundo Partidário destinados a candidaturas femininas. A cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, resume a vaga de vice como moeda de coalizão, trocada por tempo de televisão, palanque e apoio financeiro.
A cobertura de centro puxou o caso para o terreno jurídico e estrutural, com quatro pesquisadoras ouvidas. Luciana de Oliveira Ramos, da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, afirma que uma cota de gênero para chefias do Executivo esbarraria na autonomia dos partidos e na soberania do voto, e seria juridicamente mais viável nas eleições para o Senado. Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, atribui o quadro ao modo como as legendas recrutam candidaturas e distribuem recursos financeiros e institucionais. Hannah Maruci Aflalo, da Universidade de São Paulo, fala em redes informais de poder e relata promessas de financiamento não cumpridas, eventos boicotados e violência política praticada dentro dos próprios partidos. Clara Araújo, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, situa 2014 como ponto de inflexão de um avanço lento e irregular.
Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam publicado sobre o levantamento. O enquadramento que essa faixa da cobertura costuma dar ao tema, a sub-representação lida como desigualdade estrutural e a defesa de mecanismos de cota também nas disputas majoritárias, aparece aqui como leitura provável dos mesmos fatos, e não como cobertura registrada.
O que ainda não se sabe é o desfecho formal do quadro. As candidaturas registradas serão julgadas pela Justiça Eleitoral, inclusive a de Pablo Marçal, e os números de 2026 podem mudar. Nenhuma das coberturas informa se o TSE já decidiu sobre o pedido para retirar as campanhas majoritárias do cálculo da cota de recursos, nem traz resposta das direções partidárias citadas. Também segue em aberto como se fiscaliza o uso do dinheiro reservado a candidaturas femininas quando ele é aplicado em uma chapa única.
Candidatas só estão presentes em chapas ditas nanicas; cientista política destaca que candidaturas majoritárias são montadas pela lógica de coalizão e tempo de televisão, palanque e apoio financeiro

Cinco de sete mulheres em 2026 são candidatas a vice. Presença feminina nas chapas presidenciais recua em relação às oito concorrentes em 2022 e a participação cai de 36% para 27%.
