O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, candidato do Partido Novo à Presidência da República, lançou sua campanha no domingo, 16 de agosto de 2026, em Montes Claros, no norte mineiro, e colocou a segurança pública no centro da disputa. "O problema do Brasil é que bandido fica solto. A nossa Polícia Militar prende e a Justiça solta", afirmou. Ele disse querer o brasileiro se sentindo seguro, a ponto de poder andar com o celular na rua, e citou ter sido assaltado três vezes. "Vamos colocar para mofar na cadeia quem estupra, quem mata e hoje fica solto infernizando a vida das pessoas de bem", completou.
A promessa mais concreta do discurso foi a construção de um presídio de segurança máxima na região Norte do país, destinado a líderes de facções criminosas. Zema apresentou a administração de Minas Gerais como principal credencial para a disputa nacional, afirmando que sua gestão fez com que brasileiros de outros estados quisessem se mudar para lá. "Aqui nós temos prosperidade. O que fiz aqui vou fazer com o Brasil. Sem roubalheira, sem corrupção, com gente competente", disse, acrescentando que o Brasil não é um país fracassado, e sim um país roubado. Ao falar das próprias origens, lembrou a chegada da família italiana e disse querer um país onde os filhos não precisem se mudar para os Estados Unidos ou para a Europa.
O candidato também atacou o Supremo Tribunal Federal. Falou em político que enriquece enquanto o povo empobrece e citou um contrato de R$ 129 milhões destinado à esposa, sem nomear o ministro Alexandre de Moraes; o valor coincide com o contrato do escritório de Viviane Barci de Moraes com o Banco Master. Zema afirmou que se criou no país uma "casta nova, a dos intocáveis", instalada em Brasília, e disse responder a um processo movido pelo ministro Gilmar Mendes, o que classificou como motivo de orgulho. Para ele, a eleição de 4 de outubro é a mais importante da história recente do país.
A cobertura de centro tratou o episódio de forma descritiva, com aspas longas, marcação explícita de que o ministro não foi nomeado e organização do texto em blocos separados sobre a gestão mineira e sobre as críticas ao Supremo Tribunal Federal, sem adjetivação própria. Veículos de direita publicaram o mesmo relato acrescido da nota de contexto que liga o valor citado ao contrato com o Banco Master, o que dá lastro documental à acusação que o candidato deixou anônima, e mantiveram o enquadramento de cobrança de accountability sobre privilégios institucionais. Veículos de esquerda não haviam registrado o lançamento até o fechamento desta análise; o ângulo que costuma organizar essa cobertura, o custo do encarceramento em massa e o risco de desgaste do Judiciário em ano eleitoral, não apareceu em nenhuma das matérias disponíveis.
Há lacunas relevantes em toda a cobertura. Nenhum texto apresenta indicadores de criminalidade de Minas Gerais capazes de sustentar ou contestar a credencial de gestão apresentada. O presídio de segurança máxima prometido não tem custo, prazo, local definido nem base legal explicada. O processo movido por Gilmar Mendes não é detalhado: não se sabe seu objeto nem sua fase. E nem o Supremo Tribunal Federal, nem Alexandre de Moraes, nem Gilmar Mendes, nem o Banco Master haviam se manifestado sobre as declarações nas matérias analisadas.