Nikolas monta “exército” de candidatos e abre divergências com Flávio Bolsonaro
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A leitura de esquerda enxerga no movimento a consolidação de uma política personalista dentro do campo bolsonarista: um parlamentar transforma alcance digital em capital eleitoral próprio e monta uma estrutura paralela de padrinhagem, que atravessa partidos e disputa com a família Bolsonaro o controle da direita. O debate exposto é sobre quem manda no espólio político do ex-presidente, e não sobre programa de governo ou política pública.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) montou uma rede própria de candidatos para as eleições de 2026, que chama de exército, com meta de eleger ao menos dez deputados federais em vários estados e nove deputados estaduais em Minas Gerais.
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As duas coberturas descrevem os mesmos fatos: Nikolas Ferreira montou uma rede própria de candidatos com meta de dez deputados federais e nove estaduais em Minas Gerais, voltou a gravar com Flávio Bolsonaro depois de meses de afastamento e apoia nomes que divergem das escolhas da família Bolsonaro em Minas Gerais, Santa Catarina e Goiás.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) organizou uma rede de candidatos que chama de exército, com meta de eleger ao menos dez deputados federais e nove estaduais em Minas Gerais. Em Minas, Goiás e Santa Catarina, os apoios dele não coincidem com os de Flávio Bolsonaro. Abaixo, como a cobertura de centro e a de esquerda trataram o caso, e o que a de direita ainda não registrou.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) montou uma rede própria de candidatos para as eleições de 2026 e abriu atritos com aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto. O parlamentar mineiro chama a estrutura de exército e tem como meta eleger ao menos dez deputados federais em diferentes estados e nove deputados estaduais em Minas Gerais. Os nomes escolhidos passaram dias gravando conteúdo com ele em Brasília e Belo Horizonte, receberam materiais padronizados e se apresentam nas redes sociais como candidatos do Nikolas.
A cobertura de centro relatou que a aproximação com a campanha presidencial veio depois de meses de distanciamento e de cobranças públicas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Mesmo tendo voltado a dividir agendas e a gravar vídeos ao lado do presidenciável, Nikolas Ferreira manteve apoios que nem sempre coincidem com as prioridades da família Bolsonaro. Integrantes da campanha, segundo essa apuração, esperavam que a capacidade de mobilização e o alcance digital do deputado ficassem mais concentrados na candidatura ao Planalto.
O caso mais visível está em Minas Gerais, reduto eleitoral do parlamentar. Ele entrou em confronto com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para impedir a filiação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e a entrada dele na chapa proporcional. Flávio Bolsonaro seguiu caminho oposto e gravou um vídeo pedindo votos para Cunha, que acabou filiado ao Republicanos. Na disputa pelo Senado mineiro, Nikolas Ferreira apoia o deputado federal Domingos Sávio (PL) e incluiu Marco Antônio Superman (Novo) como segunda opção em sua lista de recomendações, enquanto o entorno do presidenciável se aproximou do senador Carlos Viana (PSD), ex-presidente da CPI do INSS e aliado de Alfredo Gaspar (PL), apontado como candidato a vice-presidente.
Veículos de esquerda destacaram o alcance nacional da rede e o fato de ela extrapolar o PL, reunindo nomes de Novo, PP e Republicanos: Pedro Pôncio em São Paulo, Guilherme Kilter no Paraná, Hiago Stock no Rio Grande do Sul, Sanches da Federal em Goiás e Athally Albuquerque em Roraima. Nessa leitura, a montagem da estrutura é descrita como disputa por influência sobre as candidaturas bolsonaristas e de direita fora do partido, com o deputado se credenciando como principal padrinho de mandatos que começam em 2027. Veículos de direita não registraram o caso até o momento, e não há na cobertura disponível uma defesa explícita, pelo campo conservador, da autonomia do parlamentar diante do comando partidário.
Em Santa Catarina, a rede esbarrou em uma prioridade da família Bolsonaro, a eleição de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado. Nikolas Ferreira preservou a parceria com a deputada estadual Ana Campagnolo (PL), que se recusou a gravar vídeo pedindo votos para Carlos e foi cobrada publicamente por Flávio Bolsonaro. Em Goiás, o deputado trabalha pela eleição de Sanches da Federal enquanto o presidenciável faz campanha para Major Vitor Hugo (PL), antigo aliado de Jair Bolsonaro. A estratégia também mudou em relação a 2022, quando o único nome apoiado diretamente por Nikolas para a Assembleia mineira era Bruno Engler (PL); agora são nove. O presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor, avaliou que a ampliação decorre da estratégia e das relações formadas pelo deputado em todo o estado.
Ainda não se sabe quantos votos a rede é capaz de transferir, nem qual é a lista completa dos dez candidatos a deputado federal apoiados. Também não há, nas duas coberturas disponíveis, manifestação da campanha de Flávio Bolsonaro, de Valdemar Costa Neto ou do próprio Nikolas Ferreira sobre o tamanho do atrito e sobre como as divergências serão acomodadas até o registro das candidaturas.
Deputado apoia nomes que diferem dos escolhidos pela família do ex-presidente e do senador e que não se restringem a seu partido, o PL

Nikolas Ferreira organiza rede de candidatos em vários estados e partidos, com escolhas que divergem da estratégia de Flávio Bolsonaro.
