O Instituto Quaest divulgou em 2 de setembro de 2026 uma pesquisa nacional que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em empate técnico num eventual segundo turno da eleição presidencial. O petista aparece com 42% das intenções de voto e o senador do Partido Liberal, com 41%, diferença menor que a margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Brancos, nulos e eleitores que dizem não pretender votar somam 13%, e 4% estão indecisos.
O estudo ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em todo o país, em entrevistas presenciais realizadas entre 30 de agosto e 1º de setembro, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07065/2026. Na comparação com a rodada anterior do mesmo instituto, divulgada em 14 de agosto, o presidente oscilou de 43% para 42% e o senador subiu de 40% para 41%, movimentos que cabem dentro da margem de erro e, portanto, não configuram mudança estatística.
Toda a cobertura converge nos demais números. Nos outros quatro cenários de segundo turno simulados, o presidente aparece numericamente à frente: 42% a 37% contra Ronaldo Caiado, 43% a 36% contra Renan Santos, 44% a 33% contra Romeu Zema e 40% a 34% contra o escritor Augusto Cury, testado pela primeira vez nesse formato. A rejeição, medida como o percentual de quem diz conhecer o candidato e não votar nele de jeito nenhum, tem no topo os dois primeiros colocados: 55% para Flávio Bolsonaro e 53% para Luiz Inácio Lula da Silva, seguidos por Pablo Marçal, com 44%, Ronaldo Caiado, com 40%, e Romeu Zema, com 38%. A avaliação do governo federal também é ponto pacífico entre as fontes: 48% desaprovam e 45% aprovam, com 37% classificando a gestão como negativa, 35% como positiva e 25% como regular.
A cobertura de centro tratou o levantamento como notícia de dados e priorizou a ficha técnica, a lista completa de cenários e a ressalva de que as oscilações ficaram dentro da margem de erro. Foi nesse conjunto que apareceram os detalhes menos citados, como o grau de consolidação do voto, o custo contratado do estudo e a observação de que a íntegra da pesquisa não é aberta ao público pelo contratante. Segundo esse recorte, 71% dos eleitores já consideram a escolha definitiva, índice que chega a 80% entre os eleitores do presidente e a 75% entre os do senador, mas cai para 52% no eleitorado de Augusto Cury e é ainda menor entre os que hoje declaram voto em Renan Santos e Ronaldo Caiado.
Veículos de direita enfatizaram a trajetória e não a fotografia: destacaram que a vantagem numérica do presidente encolheu de três pontos para um em duas semanas, que entre os eleitores que se declaram independentes o senador aparece à frente por 32% a 29%, e acolheram a avaliação do executivo-chefe do instituto de que um presidente dificilmente se reelege com saldo de aprovação negativo. Nesse enquadramento, o dado central da pesquisa não é o empate, e sim a desaprovação de 48% na reta final da campanha. Veículos de esquerda não figuram entre as fontes que cobriram esta rodada, e a leitura desse campo, sustentada pelos mesmos números, seria a inversa: o presidente vence todos os adversários alternativos testados, mantém potencial de voto maior que o do senador, de 44% contra 40%, e tem a base mais consolidada da disputa, enquanto o principal adversário carrega a maior rejeição do levantamento.
O que ainda não se sabe é como se comportará a fatia que hoje declara voto em branco, nulo ou abstenção no confronto direto, somada aos indecisos, que juntos representam 17% do eleitorado no cenário mais apertado. Também não há resposta nas fontes sobre o efeito das candidaturas alternativas em caso de segundo turno, sobre a permanência de Pablo Marçal na disputa e sobre quanto do resultado reflete a exposição recente dos candidatos em entrevistas de televisão. A próxima medição do instituto, e as rodadas estaduais que devem sair adiante, é que dirão se o estreitamento observado entre 14 de agosto e 2 de setembro é tendência ou ruído estatístico.