Nunes Marques e Hugo Motta não comentam afastamento de Andrei Rodrigues da PF
1 veículo de esquerda · 2 veículos de centro · 2 veículos de direita

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participaram juntos da abertura da exposição “O Caminho do Voto”, na Câmara, em 8 de setembro de 2026, e não responderam a jornalistas sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado horas antes pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Nos discursos, os dois trataram de integridade eleitoral, dos trinta anos da urna eletrônica e do combate à desinformação, sem citar a crise institucional em curso.
Para uma leitura de esquerda, o episódio expõe o desequilíbrio de poder entre um tribunal que decide sozinho e as instituições que deveriam contrapesá-lo: um ministro afasta, por decisão monocrática, o comando de uma polícia de Estado que investigava a própria corte, e os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral e da Câmara dos Deputados escolhem o silêncio diante de jornalistas.
Para uma leitura de direita, o caso é a mais recente prova de que o Supremo Tribunal Federal perdeu o controle de si mesmo e de que as demais autoridades se recusam a cobrar responsabilidade. O ministro André Mendonça afastou a cúpula da Polícia Federal depois de sustentar que a corporação monitorava sua atuação como juiz, e o pano de fundo são as investigações sobre a proximidade entre Alexandre de Moraes e o empresário preso Daniel Vorcaro, com contratos milionários ligados ao escritório da mulher do ministro.
5 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
As coberturas convergem em três pontos: Kassio Nunes Marques e Hugo Motta abriram juntos a exposição sobre o processo eleitoral na Câmara e não responderam aos jornalistas; os discursos trataram apenas de integridade eleitoral, urna eletrônica e desinformação; e o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal foi determinado por André Mendonça no mesmo dia.
No mesmo dia em que o ministro André Mendonça afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral e da Câmara dos Deputados abriram uma exposição sobre o voto, falaram em transparência e não responderam a nenhuma pergunta sobre a crise no Supremo Tribunal Federal.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participaram juntos, na terça-feira, 8 de setembro de 2026, da abertura da exposição “O Caminho do Voto”, na Câmara dos Deputados, em Brasília, e se recusaram a responder aos jornalistas sobre a decisão que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Os dois evitaram a imprensa antes e depois da solenidade, embora tenham discursado justamente sobre transparência e confiança do eleitor no sistema eleitoral brasileiro.
Horas antes da cerimônia, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do comando da corporação e de Leandro Almada da Costa da diretoria de Inteligência, além da abertura de processo na corregedoria. A medida foi tomada na Petição 16.662, relatada por Mendonça, e está ligada à produção de um relatório de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação do próprio ministro no Supremo. Segundo ele, a corporação teria monitorado suas decisões judiciais e avaliado integrantes da Advocacia-Geral da União e policiais federais. Na justificativa, Mendonça afirmou que a medida era necessária para que o Supremo, a Advocacia-Geral da União e a Polícia Federal exerçam suas atribuições sem constrangimentos ilegais.
A cobertura de centro relatou o contraste entre o teor dos discursos e o silêncio diante das perguntas. Nunes Marques afirmou que a confiabilidade das eleições brasileiras não repousa em um momento singular ou em um único mecanismo de segurança, e que a busca pela integridade do pleito é um compromisso permanente da República. Hugo Motta destacou os trinta anos de uso da urna eletrônica, atribuiu ao Congresso Nacional as bases jurídicas da modernização do processo eleitoral e alertou para a manipulação de fotos, áudios e vídeos por inteligência artificial generativa, defendendo o combate à desinformação pela ampliação do acesso à informação.
Veículos de direita enfatizaram outro ângulo: o do silêncio como recusa de prestação de contas em meio à escalada da crise. Essa cobertura reconstruiu a origem do conflito na revelação de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, com contratos que somariam até R$ 158 milhões ligados ao empresário e ao escritório da mulher do ministro, além de um contrato de R$ 131 milhões. Um desses veículos tratou o encontro entre os dois presidentes como movimentação política ligada à crise, ainda que admitisse, no próprio texto, não haver confirmação sobre a pauta da conversa, e sem registrar que se tratava de uma exposição institucional sobre o voto. Até o fechamento desta reportagem, veículos de esquerda não haviam repercutido este episódio específico, e a comparação de enquadramentos fica restrita às coberturas de centro e de direita.
Os desdobramentos institucionais se acumularam no mesmo dia. A decisão de Mendonça foi levada ao plenário virtual da Segunda Turma do Supremo e já tinha o apoio da maioria dos ministros, com Nunes Marques antecipando o voto para acompanhar o relator, quando um pedido de vista de Gilmar Mendes suspendeu o julgamento e paralisou a proclamação do resultado. Peritos da Polícia Federal manifestaram incômodo e classificaram a decisão como medida de excepcional gravidade, defendendo que fosse analisada pelo plenário da corte, e não apenas pelos cinco ministros da Segunda Turma. Diretores da corporação colocaram os cargos à disposição. O presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin, adiou uma reunião que teria com integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil para tratar da crise.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há prazo para que Gilmar Mendes devolva o pedido de vista, o que mantém a Polícia Federal sem definição sobre o comando. Também não foi esclarecido se a crise no Supremo chegou a ser tratada na conversa entre Nunes Marques e Hugo Motta, nem se o caso será submetido ao plenário da corte. Alexandre de Moraes, Andrei Rodrigues e a Presidência da República não aparecem respondendo em nenhuma das coberturas reunidas, e nenhuma das autoridades presentes na cerimônia explicou o efeito da disputa entre ministros sobre a organização das eleições de 2026.
Nunes Marques e Hugo Motta inauguraram uma exposição na Câmara dos Deputados

Em meio à crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior

Presidente do TSE e da Câmara não falaram com a imprensa diante da crise do STF após defenderem a democracia. Leia no Poder360.

Presidente do TSE e da Câmara não falaram com a imprensa diante da crise do STF após defenderem a democracia. Leia no Poder360.

Presidentes do TSE e da Câmara, respectivamente, evitaram comentar afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF. Leia na Gazeta do Povo.
