O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda no Mato Grosso do Sul na quinta-feira, 25 de junho de 2026, marcada por duas frentes de infraestrutura. Ao lado do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, Lula entregou a primeira fase das obras de ampliação e modernização dos terminais dos aeroportos de Campo Grande, Corumbá e Ponta Porã. No mesmo dia, anunciou a retomada de obras de uma fábrica de fertilizantes no estado, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos e apoio do Novo PAC.
A cobertura de centro, ancorada no material oficial do Planalto, detalhou os números do pacote aeroportuário. As obras foram executadas pela concessionária Aena Brasil, com investimento privado financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e somam cerca de R$ 640 milhões. O Aeroporto Internacional de Campo Grande teve a área ampliada em 25% e a capacidade elevada de 950 mil para 2,6 milhões de passageiros por ano, com três novas pontes de embarque. Corumbá, porta de acesso ao Pantanal, saltou de 42 mil para 120 mil passageiros anuais. Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, teve o terminal ampliado de 770 para 3.760 metros quadrados, um aumento de 390%, com capacidade anual de 130 mil passageiros. Em sua fala, Lula afirmou que o que acontece nos aeroportos do país é uma revolução e destacou recorde de passageiros no primeiro semestre de 2026.
Veículos de esquerda tendem a enquadrar a agenda como retomada da capacidade do Estado de planejar e induzir o desenvolvimento regional, levando infraestrutura a cidades de fronteira historicamente esquecidas e ampliando o acesso da população ao transporte aéreo. Nessa leitura, a retomada da fábrica de fertilizantes aparece como política de soberania produtiva, reduzindo a dependência externa do agronegócio brasileiro.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizam que as obras dos aeroportos foram bancadas com capital privado da Aena, e não com recursos diretos do Tesouro, vendo nisso a comprovação da eficiência do modelo de concessões. Citam a própria fala de Lula, segundo a qual o Estado permite que quem sabe fazer, faça, como reconhecimento da lógica de livre iniciativa. Apontam ainda que o anúncio bilionário da fábrica de fertilizantes foi divulgado sem cronograma detalhado.
A cobertura de centro, factual, registrou que o ministro Tomé Franca citou 45 aeroportos já requalificados e previu novas rodadas de concessão, incluindo os aeroportos de Dourados e Bonito, e o leilão do Aeroporto de Brasília em dezembro. O governo também prevê R$ 91 milhões em investimentos nos aeroportos do Centro-Oeste entre 2026 e 2027.
O que ainda não se sabe é o cronograma concreto e o local exato da fábrica de fertilizantes anunciada, bem como o detalhamento das próximas fases das obras aeroportuárias e os prazos de entrega das etapas seguintes. As matérias disponíveis não trazem contraponto técnico independente sobre o custo final dos investimentos para o usuário do transporte aéreo.