O Partido dos Trabalhadores ainda não fechou o nome de seu candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de outubro de 2026, estado considerado decisivo para a disputa presidencial: desde 1950, nenhum presidente venceu a eleição sem vencer também em Minas. Depois que a ex-prefeita de Contagem Marília Campos e o senador Rodrigo Pacheco recusaram a disputa pelo Palácio da Liberdade, a legenda passou a cogitar o deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias, de 74 anos, como alternativa capaz de unificar o partido.
Em reunião de cerca de três horas no Palácio da Alvorada, na terça-feira, 7 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu cerca de 30 auxiliares de campanha, entre eles o senador Camilo Santana e o ex-ministro Gilberto Carvalho, para cobrar a definição do palanque mineiro. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a expectativa é escolher o cabeça de chapa ainda naquela semana. No mesmo encontro, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi designado para coordenar a articulação da campanha presidencial de Lula no estado.
Patrus Ananias, no entanto, negou publicamente ter sido procurado de forma oficial pelo partido. Por meio de assessoria, ele informou que mantém a pré-candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados, lançada no sábado anterior em Belo Horizonte, e que segue cumprindo agenda de campanha na capital e no interior de Minas. A resistência de Marília Campos se soma a esse cenário: pré-candidata ao Senado, ela avalia ter mais chances de eleição para a Casa do que para o governo estadual, e aliados do PT temem perder uma cadeira no Congresso caso ela seja deslocada para uma disputa considerada difícil diante do avanço bolsonarista esperado a partir de 2027.
A cobertura do episódio ficou concentrada em veículos de perfil predominantemente factual e de centro, como Folha de S.Paulo, Estado de Minas e Notícias ao Minuto, que convergiram nos mesmos fatos centrais: a sequência de recusas, a pressão de Lula por uma definição rápida e a lista de nomes alternativos, que inclui ainda o ex-prefeito Alexandre Kalil, do PDT, cotado com apoio de partidos de esquerda mas sem endosso oficial do PT, além dos deputados petistas Reginaldo Lopes e Rogério Correia e do empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Uma leitura mais alinhada à esquerda tende a valorizar o histórico de Patrus à frente da implementação do Bolsa Família e a importância de o PT preservar sua bancada no Senado para sustentar políticas sociais em um Congresso mais conservador. Já uma leitura mais próxima da direita tende a apontar o episódio como sintoma de desorganização interna do partido e a questionar o uso de um ministério federal para articulação eleitoral em um estado específico.
Ainda em aberto está a candidatura do PT em Goiás, onde parte da legenda insiste no nome da deputada Adriana Accorsi, que já lançou a própria reeleição à Câmara. Também não há confirmação sobre se Patrus aceitaria eventualmente concorrer ao Executivo mineiro caso o impasse persista até a convenção partidária, marcada para 2 de agosto. Até lá, o PT corre contra o tempo para apresentar um nome competitivo em um estado que nenhum presidente deixou de vencer desde 1950.