Uma nova pesquisa eleitoral do instituto Meio/Ideia, registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-05628/2026, mediu pela primeira vez o desempenho isolado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) na corrida à Presidência de 2026. O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre os dias 3 e 6 de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
No cenário estimulado de primeiro turno, sem a presença do senador Flávio Bolsonaro (RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 40,4% das intenções de voto, contra 29,4% de Michelle. Atrás dos dois vêm Ronaldo Caiado (7%), Romeu Zema (4,4%) e Renan Santos (3,5%), entre outros nomes. Em um hipotético segundo turno entre Lula e Michelle, o presidente amplia a vantagem para 45% a 36%, diferença maior do que a registrada no levantamento anterior, feito em maio, quando Lula tinha 46% e Michelle, 40%.
A pesquisa também revelou uma clivagem de gênero acentuada: Michelle vence entre os homens, por 42,1% a 39,3%, enquanto Lula lidera com folga entre as mulheres, 50,3% a 30,4%. Quanto à rejeição, Michelle aparece com o menor índice entre os nomes mais competitivos, 28%, ante 43,4% de Flávio e 46,4% de Lula, o pré-candidato mais rejeitado do levantamento.
O instituto também sondou a opinião dos eleitores sobre o vídeo em que Michelle expôs publicamente desavenças com o enteado Flávio, perguntando se os entrevistados acreditam nas declarações e se elas afetam a confiança na ex-primeira-dama. Até o momento, o PL não sinalizou qualquer intenção de substituir a candidatura de Flávio pela de Michelle.
A cobertura de centro relatou os números com ênfase na abertura do quadro eleitoral: nenhum nome, seja de situação ou de oposição, consolidou vantagem suficiente para se descolar dos demais, e a pesquisa também mediu Ronaldo Caiado como alternativa de centro-direita em outro cenário de segundo turno contra Lula. Já veículos de esquerda enquadraram o episódio como sinal de que o bolsonarismo, mesmo fragilizado pela briga familiar pública, segue como força relevante, associando a disputa à tese de que a democracia brasileira permanece em jogo nas eleições de 2026. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram a queda na vantagem de Lula desde maio e destacaram a alta rejeição do presidente, apresentando Michelle como opção competitiva da oposição com apelo entre evangélicos e eleitores bolsonaristas.
O cenário eleitoral ganhou outra camada nos dias seguintes: o instituto Quaest anunciou que divulgará, a partir de 15 de julho, uma nova rodada de pesquisas presidenciais que incluirá perguntas sobre a repercussão do vídeo de Michelle e sobre a operação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT), apontado por supostamente ter atuado em defesa de interesses do Banco Master no Congresso em troca de vantagens indevidas, como um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. O questionário também perguntará aos eleitores se veem o caso como uma questão pessoal do senador ou institucional do governo Lula.
Ainda não se sabe se o PL de fato cogita substituir Flávio por Michelle na cabeça de chapa, nem qual será o efeito real da investigação sobre Jaques Wagner na avaliação do governo, questões que a nova rodada da Quaest, a partir de 15 de julho, deve ajudar a esclarecer.