A disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado ganhou dois marcadores em 17 de agosto de 2026: a divulgação de um levantamento do Instituto Gazeta de Pesquisas, o Igape, e a informação de que o Datafolha registrou uma nova rodada de pesquisa na capital federal. Nos dois casos, o nome mais destacado é o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL.
No levantamento do Igape, Michelle Bolsonaro aparece com 22,5% na pergunta sobre o primeiro voto e 11,5% na do segundo. Atrás dela, tecnicamente empatadas dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais, vêm Leila do Vôlei, do PDT, com 10,5%, Erika Kokay, do PT, com 10,1%, e Bia Kicis, do PL, com 8,8%. Sebastião Coelho, do Novo, tem 2,1%; Tiago Tarsis, do Agir, 1,1%; e Eduardo Zanata, do PSTU, 1,0%. O número mais alto da pesquisa, porém, não pertence a nenhuma candidatura: 34,8% dos entrevistados dizem não saber em quem votar no primeiro voto, e a indecisão sobe para 57,6% no segundo. Foram 2 mil entrevistas com eleitores do Distrito Federal, colhidas entre 10 e 15 de agosto, com nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral.
O Datafolha ainda não tem resultados. O instituto registrou no Tribunal Superior Eleitoral, em 15 de agosto, a pesquisa identificada como DF-07561/2026, com coleta prevista entre 18 e 21 de agosto, 910 entrevistas e margem de erro de três pontos percentuais. O questionário apresenta 15 nomes para as duas vagas de senador, mede a corrida ao governo do Distrito Federal, avalia o desempenho da governadora Celina Leão e ainda apura intenção de voto para a Presidência, com quatro cenários de segundo turno em que Lula é confrontado com Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos. Há também perguntas sobre aprovação do governo federal, percepção de interferência de outros países nas eleições brasileiras e grau de interesse do eleitor por política. A divulgação está marcada para 21 de agosto.
A cobertura de centro concentrou-se nos números já disponíveis e no que eles não permitem afirmar: registrou a liderança como numérica, sinalizou o empate técnico entre as três perseguidoras e colocou a indecisão como o dado principal do levantamento. Veículos de direita deram tratamento diferente ao mesmo assunto, antecipando a pesquisa que ainda seria feita e organizando a leitura em torno do arco interno da família Bolsonaro, ao tratar a definição da candidatura da ex-primeira-dama como algo condicionado à sua relação com Flávio Bolsonaro e ao enquadrar a corrida presidencial como um confronto entre Lula e o senador. Até o fechamento desta análise, não houve cobertura de veículos de esquerda sobre nenhuma das duas pesquisas, de modo que o ângulo que esse campo costuma priorizar, o desempenho da candidata do PT e o peso do eleitorado indeciso, não aparece no material analisado.
A divergência de cobertura, portanto, está menos no conteúdo dos dados e mais no que cada lado considera notícia. Onde uma parte da cobertura sublinha que a maioria do eleitorado ainda não decidiu e que a distância entre a segunda e a quarta colocada cabe na margem de erro, a outra trata a dianteira como sinal de vantagem consolidada do campo conservador na capital federal e projeta esse resultado sobre a disputa nacional.
O que ainda não se sabe é o essencial. Os números do Datafolha não existem até 21 de agosto, e só então será possível comparar dois institutos com metodologias, amostras e margens diferentes na mesma disputa. Nenhum dos textos informa como as entrevistas foram coletadas. Também não há explicação sobre o episódio do vídeo citado como origem da crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, nem confirmação formal de que a candidatura ao Senado está definida. Por fim, não há dado sobre como o enorme contingente de indecisos, que chega a 57,6% no segundo voto, se distribui entre as candidaturas testadas, o que mantém em aberto o desenho final das duas vagas que o Distrito Federal vai preencher em outubro.