Datafolha e Quaest apontam segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
1 veículo de esquerda · 1 veículo de centro

Resumo da cobertura
Duas pesquisas divulgadas na última semana de setembro de 2026 reforçam o cenário de segundo turno na eleição presidencial, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal. O levantamento do Instituto Quaest, de 21 de setembro, ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Na série do instituto, Flávio Bolsonaro passou de 29% para 33% das intenções de voto, enquanto a candidatura de Cury caiu de 10% para 6%. A rodada do Datafolha divulgada em 24 de setembro é lida como freio à expectativa de uma definição já em 4 de outubro.
Alguém precisa ver os dois lados disso?
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- TVT NewsFESPSP: Migração de votos e abstenção serão decisivas para definição de segundo turnoDesidratação de candidatos nanicos e abstenção seletiva de perfis demográficos surgem como os fatores decisivos na reta final para as eleições presidenciais, dizem especialistas da FESPSPMatéria: Centro
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial esquerda.
Análise editorial
Apesar do veículo ter perfil de esquerda, o texto é reportagem de dados: encadeia percentuais da série Quaest (Flávio de 29% para 33%, Cury de 10% para 6%, Lula no Nordeste de 62% para 57%), ficha técnica completa e declarações atribuídas a dois pesquisadores do Labop FESPSP. Os recortes favoráveis e desfavoráveis a cada candidato aparecem com o mesmo peso, inclusive a ressalva de que a abstenção pode beneficiar Lula entre as mulheres, o que afasta enquadramento ideológico.
- Qualidade argumentativa
- 69/100
- Manipulação emocional
- 10/100
- Clickbait
- 15/100
- Fontes citadas
- 3
Perspectivas omitidas
- Não traz reação das campanhas de Lula nem de Flávio Bolsonaro aos números
- Cita critérios mais rígidos de ponderação adotados pelos institutos sem detalhar quais são
- Não apresenta os percentuais de rejeição que descreve como empatados em patamar elevado
Veículos com viés ao centro
- Valor EconômicoPesquisa reforça cenário de definição no segundo turnoO que é possível apostar é que tanto Lula quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%
Análise editorial
Coluna analítica que descreve a expectativa do campo bolsonarista de virada no primeiro turno e conclui que a nova rodada a atenua, sem adotar vocabulário valorativo de nenhum dos lados. O texto disponível é o preview antes do login, de modo que o julgamento sai de poucos parágrafos e a confiança fica baixa; a projeção de que os dois nomes passem de 40% no dia da votação é apresentada como aposta do autor, não como dado.
- Qualidade argumentativa
- 40/100
- Manipulação emocional
- 15/100
- Clickbait
- 20/100
- Fontes citadas
- 1
Perspectivas omitidas
- Nenhum percentual da rodada do Datafolha aparece no trecho aberto
- Não informa ficha técnica da pesquisa citada, como campo, amostra e margem de erro
- Atribui euforia aos bolsonaristas sem citar quem sustenta essa leitura
Veículos com viés à direita
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.
Duas pesquisas divulgadas na última semana de setembro reforçam o cenário de segundo turno na eleição presidencial de 2026, entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O levantamento do Instituto Quaest mostra o senador passando de 29% para 33% das intenções de voto, com encolhimento das candidaturas menores, enquanto a rodada do Datafolha reduz a expectativa de uma definição já em 4 de outubro.
As pesquisas divulgadas na última semana de setembro convergem para o mesmo desfecho: a eleição presidencial de 2026 deve ser decidida em segundo turno, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, e o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal. O levantamento do Instituto Quaest, divulgado em 21 de setembro, ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e número de registro BR-06004/2026. Em 24 de setembro, uma nova rodada do Datafolha reforçou a mesma leitura.
Os dois levantamentos coincidem no ponto central: a disputa se concentrou nos dois nomes da frente e o espaço das candidaturas menores encolheu. Na série do Instituto Quaest, Flávio Bolsonaro passou de 29% para 33% das intenções de voto, enquanto a candidatura de Cury caiu de 10% para 6% no eleitorado geral. Mais de 90% dos indecisos na pesquisa espontânea migraram para as duas principais candidaturas, num movimento descrito como antecipação do voto útil na reta final.
Veículos de esquerda destacaram a análise do Laboratório de Pesquisas de Opinião e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o Labop FESPSP. Para o coordenador do laboratório, Beto Vasques, rejeições altas combinadas com alto grau de conhecimento dos candidatos empurram o eleitorado para o voto estratégico, o chamado voto no menos pior. O pesquisador Hilton Fernandes aponta estabilidade na maioria das subamostras, com variações relevantes em algumas: Lula se manteve estável entre as mulheres, mas recuou no Nordeste, de 62% para 57%, e entre eleitores com nível superior, de 40% para 33%. Nessa cobertura, o peso maior recai sobre a abstenção, porque o perfil histórico de quem falta às urnas no Brasil tende a prejudicar proporcionalmente mais a base de menor escolaridade e os idosos, e é por isso que os institutos passaram a adotar critérios mais rígidos de ponderação.
A cobertura de centro relatou que a rodada divulgada em 24 de setembro deve atenuar a euforia do campo bolsonarista, que nos dias anteriores trabalhava com a hipótese de uma virada do senador sobre o presidente já no primeiro turno, com vitória em 4 de outubro. A aposta apresentada nessa cobertura é que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro cresçam no dia da votação para percentuais acima de 40%.
Veículos de direita ainda não trouxeram leitura própria desse par de levantamentos. O ângulo que organiza essa leitura, contudo, está nos próprios dados: o senador avançou fora da margem de erro no segmento evangélico, de 53% para 58%, e entre eleitores com nível superior, de 44% para 52%, além da hipótese admitida pelos analistas de que um dos candidatos ultrapasse os 50% dos votos válidos e encerre a disputa em 4 de outubro caso a desidratação das siglas menores se aprofunde.
A divergência de cobertura está menos no número e mais no que cada leitura toma como tendência. A ênfase à esquerda trata o segundo turno como cenário dominante e chama atenção para a incerteza do comparecimento; a leitura que circula no campo à direita trata o crescimento recente como trajetória que pode se completar antes do segundo turno. Há ainda um contraponto que nenhuma das duas resolve: os homens, segmento em que o senador tem vantagem, historicamente comparecem menos às urnas do que as mulheres, entre as quais o presidente leva vantagem, o que dificulta estimar a quem a abstenção será mais favorável.
O que ainda não se sabe é decisivo. Os números completos da rodada do Datafolha de 24 de setembro não aparecem na parte aberta da cobertura, e nenhuma das fontes detalha quais são os critérios mais rígidos de ponderação adotados para corrigir o efeito da abstenção. Também não há estimativa de comparecimento para 4 de outubro nem medição de como o eleitor pendular deve se comportar na semana final de campanha.
Briefing
O que importa para você
- O primeiro turno é em 4 de outubro de 2026, e a definição em uma única rodada depende de alguém passar de 50% dos votos válidos.
- A pesquisa do Instituto Quaest tem 2.004 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais, o que significa que diferenças menores que quatro pontos entre rodadas podem não indicar movimento real.
- Quem se abstém muda o resultado: o comparecimento tende a ser menor entre eleitores de baixa escolaridade, idosos e homens.
Onde os lados divergem
- A leitura à esquerda enfatiza que a abstenção e o voto de rejeição, não a adesão, definem o resultado, e trata a vitória em primeiro turno como hipótese improvável.
- A leitura à direita enfatiza o avanço de Flávio Bolsonaro entre evangélicos e eleitores de nível superior como trajetória que pode passar dos 50% dos votos válidos em 4 de outubro.
- A cobertura de centro contesta a expectativa de virada no primeiro turno e projeta os dois nomes acima de 40% no dia da votação.
Onde os lados concordam
As duas coberturas tratam o segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro como o cenário mais provável, reconhecem que a disputa se concentrou nesses dois nomes com a queda das candidaturas menores e registram o crescimento recente do senador nas intenções de voto.
O que ainda está incerto
- Os percentuais da rodada do Datafolha de 24 de setembro não aparecem na parte aberta da cobertura.
- Não se sabe quais critérios de ponderação os institutos adotaram para corrigir o efeito da abstenção.
- Falta estimativa de comparecimento e de comportamento do eleitor pendular na semana final de campanha.
Fontes
Desidratação de candidatos nanicos e abstenção seletiva de perfis demográficos surgem como os fatores decisivos na reta final para as eleições presidenciais, dizem especialistas da FESPSP

O que é possível apostar é que tanto Lula quanto Flávio devem crescer no dia das eleições para percentuais acima de 40%



