PL da Misoginia tem menos de 72h para ser votado antes do recesso
3 veículos de esquerda · 3 veículos de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
6 fontes políticas
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A cobertura à esquerda tratou o adiamento como mais uma derrota imposta às mulheres por um Congresso conservador. Segundo esse enquadramento, o PL 896/2023 é uma resposta institucional atrasada a um país que lidera estatísticas de feminicídio, e o discurso de ódio contra mulheres é apresentado como o degrau anterior à agressão física. A mobilização da bancada feminina e de movimentos sociais é descrita como pressão legítima de quem representa as vítimas, enquanto a recusa da presidência da Câmara em pautar o texto aparece como escolha política de proteger a acomodação entre lideranças em vez de proteger direitos. Em ano eleitoral, o temor apontado é que o projeto fique parado por tempo indeterminado.
A Câmara dos Deputados entrou na última semana antes do recesso parlamentar com o projeto que criminaliza a misoginia, o PL 896/2023, pendente de votação em plenário. Aprovado por unanimidade no Senado em março e com regime de urgência aprovado na Câmara em 1º de julho por 293 votos a 158, o texto equipara a misoginia ao crime de racismo, com pena de dois a cinco anos.
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Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: viés de centro.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Todos os lados registram os mesmos fatos processuais: o PL 896/2023 foi aprovado por unanimidade no Senado em março, teve urgência aprovada na Câmara em 1º de julho por 293 a 158, divide o plenário e não foi pautado antes do recesso. Há também convergência retórica de que a violência contra mulheres precisa ser enfrentada; a divergência é sobre o instrumento penal escolhido.
O projeto de lei que criminaliza a misoginia chegou à última semana de trabalhos da Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar sem conseguir ser votado. O PL 896/2023 equipara a misoginia ao crime de racismo, tornando a conduta inafiançável e imprescritível, com pena de dois a cinco anos de prisão. Aprovado por unanimidade no Senado em março, o texto teve o regime de urgência aprovado na Câmara em 1º de julho, por 293 votos a 158, o que permitiria a análise direta em plenário, sem passar por comissões temáticas. O recesso começou no dia 18 de julho e a votação ficou para agosto.
A relatora do texto na Câmara, deputada Tabata Amaral, do PSB de São Paulo, passou semanas negociando com as bancadas em busca de um acordo. Ela alterou a redação vinda do Senado, que definia a misoginia como conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres, para uma formulação que fala em prática, indução ou incitação de violência, restrição ao pleno exercício de direitos ou ofensa à dignidade da mulher em razão da condição de mulher. A mudança foi apresentada como forma de deixar claro que a lei não alcançaria sentimentos e opiniões. A bancada feminina cobrou publicamente celeridade, e a coordenadora do grupo apelou aos líderes partidários para mobilizar as siglas.
A pressão não encontrou eco na presidência da Casa. O presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, afirmou em plenário que a semana seria dedicada a matérias com maior consenso entre as lideranças e que a Casa seguiria a pauta previamente divulgada, sem itens surpresa. Antes disso, ao reconhecer que a criminalização da misoginia dividia o plenário, ele havia pedido que as bancadas recebessem a relatora para construir um texto de consenso. Todos os lados da cobertura convergem nesses pontos: o texto existe, tem urgência aprovada, divide o plenário e não foi pautado.
A divergência aparece na leitura do porquê. Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão de proteção às mulheres e descreveram o adiamento como recuo diante de setores conservadores, destacando a mobilização de movimentos que pediam a votação e o argumento de que o discurso de ódio antecede a agressão física e o feminicídio. Nesse enquadramento, a demora é escolha política, não falta de tempo regimental. A cobertura de centro relatou o impasse pela via do processo legislativo, registrando a contagem de dias úteis restantes, a fala literal do presidente da Câmara e a existência de outras pautas travadas na mesma semana, como o aumento do teto do Microempreendedor Individual e o uso do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de produtores rurais. Veículos de direita enfatizaram a objeção de mérito levantada no plenário: parlamentares de oposição sustentam que a redação ameaça a liberdade de expressão e pedem mudanças no texto para evitar interpretações elásticas, argumentando que o tema não está maduro e que há divergências relevantes. A relatora rejeita esse argumento e afirma que o alvo é o incentivo à violência, não a opinião, atribuindo parte da resistência à disseminação de desinformação sobre o conteúdo da proposta.
O caso ganhou visibilidade em meio ao debate público sobre relatos de humilhação atribuídos ao próprio campo político conservador, episódio que levou lideranças de correntes ideológicas distintas a se manifestarem contra a misoginia. Ainda assim, a convergência declarada no discurso não se converteu em votação. Depois do início do recesso, a relatora afirmou que lamenta o adiamento, que dialogou com praticamente todas as bancadas e que pretende usar a pausa para intensificar a articulação, prometendo levar o texto de volta à pauta logo na retomada.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há data definida para a votação em agosto, nem contagem pública de votos que indique se o projeto teria maioria hoje no plenário. Também não está claro quais alterações de redação seriam suficientes para destravar o acordo, nem quais bancadas exatamente condicionaram apoio a essas mudanças. Como o texto foi modificado na Câmara em relação ao que o Senado aprovou, uma eventual aprovação exigiria nova análise pelos senadores, etapa cujo prazo ninguém estimou. E, sendo ano eleitoral, permanece em aberto quanto do calendário de campanha vai competir com a pauta no segundo semestre.
Presidente da Câmara indica que projetos considerados controversos ficarão fora da pauta desta semana, frustrando expectativa da bancada feminina por votação do texto

Relatora da proposta na Câmara, deputada afirma que disputas políticas impediram a votação antes da pausa parlamentar e diz que seguirá articulando para aprovar o texto no segundo semestre

O projeto é uma das principais demandas da bancada feminina e equipara a misoginia ao crime de racismo, com pena de 2 a 5 anos de prisão

Pauta da Câmara prevê a análise de 19 projetos, medidas provisórias e requerimento de urgência. No Senado, a pauta prevê medidas provisórias que abrem créditos no Orçamento.
A pauta de votações do plenário da Câmara na última semana antes do recesso parlamentar prevê a análise de 19 projetos, medidas provisórias e requerimento de urgência

Projeto que tipifica a misoginia corre contra o tempo para não ser votado apenas em agosto; textos sobre po MEI e do Fundo Social do Pré-Sal já devem "ficar para depois"

Nesta matéria: perspectiva omitida.