A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 7 de julho, a sexta fase da Operação Unha e Carne, mirando o pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro Márcio Canella (União Brasil), indicado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o delegado Marcus Amin, ex-chefe da Polícia Civil fluminense. Os agentes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão na capital, em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, e apreenderam cerca de R$ 800 mil em espécie, além de carros de luxo, relógios e armas. Canella foi preso em flagrante por porte de arma de uso restrito, depois de um fuzil calibre .556 ser encontrado em seu carro durante as buscas.
A investigação suspeita do uso de postos de combustível para lavar dinheiro ligado ao Comando Vermelho, com participação de agentes públicos. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, os investigados movimentaram mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As buscas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A cobertura de centro relatou os fatos da operação de forma direta, listando valores apreendidos, mandados cumpridos e o enquadramento penal de Canella, sem atribuir intenção política ao episódio. Já veículos de esquerda destacaram a trajetória de indicações políticas que colocou Marcus Amin à frente da Polícia Civil, por pressão de deputados estaduais, e depois lhe garantiu um cargo na própria Assembleia Legislativa; essa cobertura também sublinhou que Canella é o segundo nome ligado à chapa do PL a ser alvo da Polícia Federal em poucas semanas, após a desistência do ex-governador Cláudio Castro, e associou o caso à aprovação, no mesmo dia, de um projeto no Senado que passa a sujeitar partidos políticos a regras de controle de lavagem de dinheiro. Veículos de direita, por sua vez, concentraram-se nos desdobramentos eleitorais do caso para o PL fluminense: a chapa perde o segundo nome ao Senado em menos de um mês, a decisão sobre uma eventual substituição cabe a Flávio Bolsonaro e ao pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e há preocupação interna com o desgaste do sobrenome da família, já que Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, é suplente na chapa.
A Operação Unha e Carne já teve fases anteriores neste ano, entre elas a prisão do deputado estadual Thiago Rangel, em maio, sob suspeita de fraudes em contratos na área de educação. O caso de Canella e do delegado Amin ainda não teve desdobramento judicial definido: até a publicação das reportagens, nenhum dos dois havia se manifestado publicamente sobre as acusações.
O que ainda não se sabe é se a Polícia Federal reunirá elementos suficientes para inviabilizar de fato a candidatura de Canella, e qual será a decisão final do PL sobre uma eventual substituição no palanque ao Senado no Rio de Janeiro antes da convenção partidária, marcada para 25 de julho.