O conservador Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia em uma disputa apertada de segundo turno, derrotando Iván Cepeda, candidato apoiado pelo governo progressista de Gustavo Petro. Segundo a apuração preliminar, cerca de 13 milhões de colombianos votaram no vencedor, enquanto 12,7 milhões preferiram o adversário. O resultado encerra o ciclo de esquerda de Petro e tende a reposicionar a Colômbia no tabuleiro geopolítico da América do Sul.
A cobertura de centro relatou que o governo de Donald Trump acompanhou de perto a campanha e apoiou abertamente o outsider de direita. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi um dos primeiros líderes a felicitar o eleito, prometendo cooperação em segurança regional, combate à migração ilegal e fortalecimento de laços econômicos. De la Espriella, que possui nacionalidade americana, declara-se admirador de Trump e quer uma relação próxima com Washington. Analistas ouvidos, como Sergio Guzmán, da Colombia Risk Analysis, e Elizabeth Dickinson, do International Crisis Group, avaliaram que a vitória é conveniente para a agenda americana no hemisfério, centrada em políticas antidrogas, perseguição a organizações criminosas e repatriação de migrantes.
O eixo da nova gestão é a segurança. O presidente eleito promete abandonar a estratégia de 'paz total' de Petro, que priorizava a negociação, e adotar o confronto direto, com aumento do orçamento militar e a possibilidade de bombardear acampamentos classificados como narcoterroristas. A Colômbia, maior produtora mundial de cocaína, convive com mais de 27 mil integrantes em grupos armados, número que dobrou nos últimos cinco anos, e com o segundo maior índice de homicídios do continente. De la Espriella chegou a falar em um 'Plano Colômbia 2.0', em referência ao pacote de ajuda militar americana dos anos 2000.
É na leitura desse giro que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enfatizaram os riscos do militarismo: o fim das negociações poderia expor populações civis, e a raiz do conflito estaria na desigualdade e na ausência do Estado em regiões remotas, problemas que o confronto armado, sozinho, não resolve. Esse campo também associa o alinhamento com Trump a uma subordinação geopolítica e lembra que a ofensiva americana contra narcoembarcações já deixou mais de 200 mortos no litoral sul-americano. Veículos de direita enfatizaram o oposto: comemoraram a derrota do projeto de esquerda, defenderam o respeito à vontade soberana das urnas e trataram a aliança com Washington como oportunidade de devolver a ordem ao continente. No Brasil, o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado saudou o eleito, cobrou que o governo brasileiro reconheça o resultado e propôs uma frente regional contra o narcotráfico.
O que ainda não se sabe é como o eleito conciliará suas promessas de pulso firme com a resistência interna esperada diante de um resultado tão apertado, nem qual será a reação efetiva do governo brasileiro e dos demais vizinhos. Também permanece em aberto o desenho concreto de um eventual 'Plano Colômbia 2.0' e seus custos humanos e diplomáticos.