Lula pede emenda constitucional para a Cultura em ato no Rio de Janeiro
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Em ato com artistas na Fundição Progresso, na Lapa, no centro do Rio de Janeiro, na noite de 23 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de uma emenda à Constituição para transformar a política cultural em política de Estado, e não de governo. O encontro integrou a campanha à reeleição, a 11 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O presidente pediu que deputados e senadores presentes discutam a redação de uma proposta, que ainda não existe como texto apresentado ao Congresso. A Constituição em vigor já assegura o exercício dos direitos culturais e prevê o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura.
A proposta de levar a cultura para o texto constitucional foi lida como resposta institucional a um ciclo de desmonte: o Ministério da Cultura foi extinto no governo de Jair Bolsonaro e reconstruído depois, e o setor viveu interrupção de projetos e perda de apoio.
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Toda a cobertura registra os mesmos fatos: o ato ocorreu em 23 de setembro de 2026 na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, com presença de artistas como Chico Buarque e Paulinho da Viola, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e da primeira-dama Janja; Lula defendeu uma emenda à Constituição para tornar a política cultural permanente; e não existe proposta redigida, apenas o pedido para que parlamentares discutam o texto.
Lula defendeu uma emenda à Constituição para transformar a política cultural em política de Estado, durante ato com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 2026. Ainda não há proposta redigida. Compare como veículos de esquerda e de centro contaram o episódio, o que os dois lados confirmam e o que a cobertura de direita deixou de registrar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na noite de 23 de setembro de 2026, a criação de uma emenda à Constituição para transformar a política cultural em política de Estado, e não de governo. A proposta foi apresentada num ato com artistas e representantes do setor cultural na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio de Janeiro, a 11 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Segundo o presidente, levar a cultura para o texto constitucional é a forma mais segura de impedir que programas sejam interrompidos a cada troca de governo. “Para que a gente transforme a Cultura totalmente perene, é preciso que a gente coloque na Constituição aquilo que a gente quer de cultura”, afirmou. Ele pediu que deputados e senadores presentes discutissem a redação de uma proposta, que ainda não existe como texto protocolado no Congresso.
A cobertura de centro relatou o encontro como agenda do candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores e registrou as medidas anunciadas: uma plataforma para qualificar profissionais da cultura e linhas de crédito subsidiado para trabalhadores de shows, filmes e espetáculos. Esses veículos acrescentaram o contexto que falta no discurso, ao lembrar que a Constituição já assegura o exercício dos direitos culturais e prevê o Plano Nacional de Cultura e o Sistema Nacional de Cultura, o que deixa em aberto o que exatamente a nova emenda acrescentaria. Na mesma fala, o presidente afirmou que pretende acabar com as casas de apostas esportivas, conhecidas como bets, e voltou a defender a regulamentação das plataformas digitais e a proteção de crianças e adolescentes nesses ambientes.
Veículos de esquerda destacaram o ato como reencontro do setor cultural com o Estado depois da extinção do Ministério da Cultura no governo de Jair Bolsonaro, lembrada no palco por representantes da pasta. Nessa cobertura, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, apresentou o argumento econômico: segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas citada por ela, os 3 bilhões de reais em patrocínios de 2024 geraram impacto de 25 bilhões de reais na economia e alcançaram 89 milhões de brasileiros, e os Pontos de Cultura passaram de três mil para dezessete mil. Parte desses veículos tratou a noite como mobilização eleitoral explícita, com declaração de apoio de artistas como Daniela Mercury e convocação do setor para atuar na campanha, e situou a passagem pelo Rio de Janeiro ao lado de uma caminhada em São Gonçalo e de um encontro com empresários em São Paulo.
Veículos de direita não registraram o ato no conjunto de cobertura reunido até agora. Fica de fora, portanto, a leitura crítica que costuma acompanhar propostas desse tipo: o custo fiscal de constitucionalizar política setorial, a perda de margem de governos e Congressos futuros para rever prioridade de gasto, e a pergunta sobre o uso de estrutura pública em ato de campanha, com ministra de Estado e primeira-dama no palco e visita oficial a obras federais na mesma viagem. Essa ausência é o próprio ponto cego desta história, e não uma conclusão sobre o mérito da proposta.
O que ainda não se sabe é o essencial do desenho. Não há emenda redigida, não há artigo da Constituição indicado, não há estimativa de custo nem prazo de tramitação, e não ficou claro se o texto fixaria percentual mínimo de orçamento para a cultura ou apenas princípios gerais. Também não há detalhe sobre o instrumento com que o fim das casas de apostas seria levado adiante, se por projeto de lei, por regulamentação ou por outro caminho, nem sobre o efeito disso em contratos e arrecadação já existentes. Nenhuma das coberturas ouviu parlamentar da oposição, especialista em direito constitucional ou representante do setor de apostas.
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