Os bancários de todo o país interromperam as atividades por 24 horas nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, em protesto contra a ausência de proposta econômica da Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, na campanha salarial de 2026. A decisão foi tomada em assembleias realizadas na segunda-feira, 17, depois que a entidade patronal deixou de apresentar índice de reajuste para salários e demais verbas, mesmo tendo assumido esse compromisso na rodada anterior da negociação.
A cobertura converge nos números da mobilização e no conteúdo da pauta. Em São Paulo, Osasco e região, 97,66% dos bancários que participaram da votação rejeitaram a proposta apresentada pelos bancos, e 89,34% aprovaram a paralisação. No Rio de Janeiro, 1.760 dos 1.808 votantes recusaram a oferta, com 28 votos favoráveis e 20 abstenções; a interrupção das atividades foi aprovada por 1.709 votos. Sindicatos de Minas Gerais e da Bahia também rejeitaram a proposta. A categoria reivindica reajuste de 5% acima da inflação para salários e demais verbas, aumento do piso salarial, correção do vale-refeição e do vale-alimentação e valorização da participação nos lucros e resultados, a PLR. A data-base é 1º de setembro, e as negociações devem ser retomadas na segunda-feira, 24.
Os enquadramentos se separam a partir daí. Veículos de esquerda destacaram o contraste entre a lucratividade do setor e a mesa travada, e apresentaram a paralisação como resposta a propostas que fragmentam a categoria: reajuste dividido em três faixas salariais e congelamento do piso de ingresso. Esse lado trouxe a Consulta Nacional dos Bancários, que ouviu mais de 54 mil trabalhadores e apontou o aumento real acima da inflação como prioridade para 93% dos respondentes, e deu espaço à presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, que coordena o Comando Nacional dos Bancários e citou o lucro dos bancos em 2025 para sustentar a reivindicação.
A cobertura de centro relatou o calendário da negociação e reproduziu a nota da Fenaban, que afirma representar os bancos nas negociações trabalhistas há 34 anos, diz ter recebido a pauta de reivindicações e sustenta que o processo segue o cronograma estabelecido, com expectativa de entendimento satisfatório para as duas partes. Esse recorte também listou as demais reivindicações levadas à mesa, como o fim do fechamento de agências, a manutenção dos empregos, o combate a metas consideradas abusivas e ao adoecimento dos empregados, além de condições de trabalho e igualdade de oportunidades.
Veículos de direita enfatizaram o efeito prático limitado da paralisação para o cliente. Nessa leitura, o impacto se concentra no atendimento presencial nas agências, enquanto Pix, transferências, pagamentos por aplicativo e por site e caixas eletrônicos seguem funcionando, e o vencimento de contas e o pagamento de salários não mudam. Esse lado deu relevo à posição das entidades patronais de que as negociações estão dentro do calendário e de que ainda faltam semanas para a data-base, tratando a exigência de 5% acima da inflação como demanda a ser testada na mesa.
O que ainda não se sabe é quanto do sistema efetivamente parou: nenhuma fonte informou o número de agências fechadas nem estimativa de operações afetadas. Também não há convergência sobre dois dados citados nas matérias. O lucro do setor em 2025 aparece como R$ 124 bilhões em uma cobertura e como R$ 174 bilhões em outra, ambas atribuídas à mesma dirigente sindical, e a data de entrega da pauta de reivindicações oscila entre 24 de junho e 24 de julho. Nenhum dos textos informa o que acontece se a rodada da próxima segunda-feira terminar de novo sem proposta econômica, nem se há novas paralisações em preparação antes da data-base.