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O caso Master, desdobramento da Operação Compliance Zero, segue movimentando o Supremo Tribunal Federal. Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, trocou de defesa e contratou o criminalista Alberto Toron, enquanto o próprio Daniel Vorcaro busca uma nova banca após ter a segunda proposta de delação premiada rejeitada. Na semana anterior, a Segunda Turma do STF manteve as prisões de Felipe e de Henrique Vorcaro.
O caso Master, principal desdobramento da Operação Compliance Zero, voltou a movimentar o Supremo Tribunal Federal nesta semana com uma sucessão de mudanças nas defesas dos investigados. Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contratou o criminalista Alberto Toron para conduzir sua estratégia jurídica, substituindo o escritório do advogado Sergio Resende. Felipe está preso desde maio, suspeito de integrar o que as investigações chamam de núcleo financeiro-operacional da suposta organização criminosa apurada no caso.
A cobertura de centro relatou que a movimentação não se limita ao primo. O próprio Daniel Vorcaro, segundo apuração da CNN Brasil, transformou a escolha de uma nova defesa em uma verdadeira corrida entre escritórios de advocacia de Brasília, depois de ter sua segunda proposta de delação premiada rejeitada. Caso a troca se concretize, será a quarta equipe a assumir a sua defesa. Entre os nomes em negociação estão o advogado Daniel Bialski, conhecido por seu trânsito no STF, e o casal Cezar e Vânia Bitencourt, que fechou a delação do tenente-coronel Mauro Cid. O atual defensor, Sérgio Leonardo, afirmou a pessoas próximas que mantém o trabalho normalmente.
Todos os lados convergem nos fatos centrais: as prisões, a atuação da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal, e a decisão recente da Segunda Turma do STF. Na semana passada, o colegiado decidiu manter as prisões de Felipe Cançado Vorcaro e de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. Votaram pela manutenção o relator André Mendonça e os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Daniel Vorcaro segue preso em sala especial da Superintendência da PF em Brasília, e o relator deve definir em breve sua transferência.
É no enquadramento que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram o voto vencido do ministro Gilmar Mendes, que defendeu a prisão domiciliar de Henrique e a libertação de Felipe. Ao divergir da maioria, Gilmar criticou a condução do processo e fez referência explícita à Operação Lava Jato, afirmando que a investigação pareceria maculada pelo mesmo vezo do messianismo persecutório e do uso indevidamente instrumental do processo penal. Para essa leitura, o caso reacende o alerta contra excessos do aparato persecutório do Estado, e a contratação de criminalistas experientes é vista como exercício legítimo da ampla defesa.
Já uma leitura mais à direita tende a enfatizar que a maioria do STF prevaleceu e que a Justiça respondeu com rigor a um suposto esquema de crime financeiro. Sob esse prisma, a sucessão de trocas de banca e a insistência em emplacar uma delação premiada são interpretadas como manobras de quem busca escapar da responsabilização, e a atuação da PF e da PGR é valorizada como defesa da ordem e da integridade do sistema financeiro.
O que ainda não se sabe é o teor detalhado das acusações que pesam sobre cada um dos investigados, o desfecho das negociações de delação de Daniel Vorcaro e para onde ele será transferido. Também permanece em aberto se a nova estratégia de defesa de Felipe, agora sob Alberto Toron, conseguirá reverter no plenário a decisão da Segunda Turma que manteve as prisões.
Centro e esquerda relatam os mesmos fatos: a Segunda Turma do STF manteve as prisões de Felipe e Henrique Vorcaro, Daniel Vorcaro segue preso na PF em Brasília e há intensa movimentação de troca de advogados no caso Master.
Como cada lado cobriu
Veículos com viés à esquerda
Veículo de esquerda (Brasil 247) que dá destaque editorial ao voto vencido de Gilmar Mendes e à crítica do ministro ao 'messianismo persecutório' e à instrumentalização do processo penal, enquadramento que ecoa a crítica à Lava Jato cara à esquerda. O fato em si (troca de advogado) é relatado de forma factual, mas a seleção e o realce do voto divergente sinalizam viés.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Cobertura factual e neutra: relata a 'corrida' entre escritórios de advocacia pela defesa de Vorcaro após a rejeição da segunda proposta de delação, nomeia advogados e ministros sem vocabulário valorativo nem enquadramento ideológico. Atribui informações à apuração própria e cita o posicionamento do atual defensor. Padrão de agência.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Alberto Toron assume a estratégia jurídica de Felipe Vorcaro nas ações relacionadas ao caso Master

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