O Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais decidiu lançar candidatura própria ao governo do estado em 2026 e agora trabalha para convencer a ex-prefeita de Contagem Marília Campos a abandonar a disputa pelo Senado e concorrer ao Executivo. A definição ocorre depois que o senador Rodrigo Pacheco recusou disputar o governo e ser o palanque do presidente Lula no estado, abrindo uma lacuna importante na estratégia petista.
A cobertura de centro relatou que, antes da decisão por candidatura própria, diferentes alas do partido defendiam apoio a nomes de fora, como Alexandre Kalil, Gabriel Azevedo e Josué Gomes. Com o novo cenário, os grupos internos passaram a apontar Marília Campos como a melhor alternativa. Aliados ressaltam a capilaridade dela: deputados, base em Contagem e habilidade para construir alianças. Partidos como PV e PCdoB afirmam que ainda aguardam a definição do nome para avançar nas conversas.
O ponto central da história é a resistência da pré-candidata. Marília nunca deu indícios de que mudaria seus planos e tratou a pressão como uma tentativa de 'fogo amigo'. Em nota oficial, reproduzida na íntegra pela cobertura de bastidor do Planalto, ela classificou a decisão de lançar candidatura própria como um 'equívoco estratégico' que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado. Veículos de esquerda destacaram o argumento dela em favor de uma frente ampla, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, Psol e PDT, e valorizaram sua pré-candidatura ao Senado como avanço da presença feminina em cargos majoritários, construída coletivamente desde janeiro e respaldada pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva.
Veículos de direita, por outro lado, enfatizaram a fragilidade interna que o episódio revela: o PT chega a 2026 sem um nome competitivo ao governo de Minas e depende da articulação pessoal de Lula para resolver o impasse. Nessa leitura, a pressão sobre Marília é interpretada como cálculo eleitoral, usar a candidatura ao governo para alavancar o projeto de reeleição presidencial no segundo maior colégio eleitoral do país, historicamente visto como decisivo na corrida pelo Planalto. A própria pré-candidata lidera as pesquisas ao Senado, o que reforça, segundo essa ótica, o custo de deslocá-la para uma disputa estadual incerta.
O que ainda não se sabe é se Lula e Edinho Silva conseguirão convencer Marília a rever a decisão, nem qual seria o nome alternativo caso ela mantenha a candidatura ao Senado. Também não há detalhamento sobre o cronograma de definição da chapa nem sobre a posição final dos aliados como PV e PCdoB, que condicionam o apoio à escolha do candidato ao governo.