O Partido dos Trabalhadores realizou nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, o seu 1º Encontro Nacional de Católicas e Católicos, na sede da legenda em Brasília. O ato reuniu lideranças religiosas, leigos, agentes de pastoral, dirigentes partidários e parlamentares, com a presença confirmada da primeira-dama Janja Lula da Silva e do presidente nacional do partido, Edinho Silva. O evento foi organizado pelo Setorial Inter-religioso Nacional em parceria com a Escola Nacional de Formação do PT.
A cobertura dos diferentes veículos converge sobre os fatos essenciais. O encontro teve a programação dividida em mesas temáticas, tratando do protagonismo de mulheres e juventudes, da comunicação e fé pública, da organização do laicato e do chamado projeto popular para 2026. Ao final, o partido anunciou a divulgação da Carta das Católicas e dos Católicos, documento que reúne os compromissos políticos assumidos pelos participantes, além da criação de uma Rede Nacional de Católicas e Católicos Progressistas. Entre os religiosos presentes estavam dom Vicente de Paula Ferreira, frei David Santos e frei Betto. Há consenso também de que o evento ocorreu a cerca de três meses das eleições e que seguiu um encontro semelhante realizado com o público protestante no início de junho.
É na leitura das intenções que as coberturas divergem. Veículos de esquerda destacaram a dimensão histórica da iniciativa, apresentando-a como o resgate de uma relação de longa data entre o partido e o catolicismo progressista, ligado às Comunidades Eclesiais de Base, à Teologia da Libertação e às pastorais sociais. Nesse enquadramento, o eixo do encontro é a agenda de justiça social, combate à fome, redução das desigualdades, justiça racial, ecologia integral e direitos humanos, na construção de um projeto democrático-popular. A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: data, local, presenças, programação e os documentos a serem divulgados, sem atribuir motivação predominante.
Já veículos de direita enfatizaram o cálculo eleitoral por trás do ato. Para essa cobertura, o encontro integra uma estratégia da legenda de ampliar a base entre o eleitorado religioso e aumentar a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os católicos, a três meses do pleito. Esses veículos sublinharam ainda que o partido optou por deixar de lado pautas de costumes, como aborto e casamento homoafetivo, e citaram o coordenador do setorial inter-religioso, Gutierres Barbosa, segundo o qual esses temas cabem ao Congresso enquanto a prioridade do governo deve ser governar o país.
O que ainda não se sabe é qual será o conteúdo final da Carta das Católicas e dos Católicos e o alcance concreto da nova Rede Nacional na organização do segmento nos estados e municípios. Também permanece em aberto o efeito eleitoral efetivo dessa aproximação sobre o comportamento do eleitorado católico, que só poderá ser medido nas próximas pesquisas e no resultado das urnas.