O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializa neste domingo (2) sua candidatura à reeleição, durante a convenção nacional do PT, no Expocenter Norte, em São Paulo. Aos 80 anos, o petista repete a chapa de 2022, com Geraldo Alckmin na vice, e chega ao evento com os principais palanques estaduais alinhados, a menos de 60 dias do primeiro turno. Dois dias antes, na quinta-feira (30), o PCdoB, que integra a Federação Brasil da Esperança ao lado de PT e PV, já havia oficializado, em convenção virtual, o apoio à manutenção da chapa.
A cobertura de centro relatou os detalhes operacionais e estratégicos do encontro: uma agenda enxuta, com quatro oradores previstos, e um discurso ancorado em três pilares, os dados econômicos da gestão, a defesa da democracia e a soberania nacional. Segundo essa cobertura, a avaliação da campanha é de que Lula tem se beneficiado de erros dos adversários, tática que será explorada nas próximas semanas, e o foco já se volta para o primeiro grande ato, marcado para 16 de agosto na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, palco histórico das assembleias metalúrgicas do fim dos anos 1970.
Veículos de esquerda destacaram a unidade do campo progressista e o teor programático do apoio: o PCdoB tratou a reeleição como condição imperativa para continuar um projeto de inclusão social, fortalecimento da indústria e valorização do trabalho, e dirigentes alertaram para riscos de interferência externa e uso de inteligência artificial por adversários. A escolha de São Paulo cumpre duplo objetivo: reforçar Lula no maior colégio eleitoral e impulsionar a candidatura de Fernando Haddad ao governo do estado.
Embora nenhum veículo de direita tenha coberto o fato até o momento, uma leitura à direita tenderia a enfatizar os sinais de fragilidade que aparecem até na cobertura factual: a opção por evitar propostas ambiciosas gera apreensão em setores da própria base, a rejeição do petista alcança 46% e a aprovação do governo, de 49%, está quase empatada com a desaprovação, de 48%. Nessa ótica, a repetição da fórmula com Alckmin, sem esforço de expansão do diálogo com o setor produtivo, limitaria o potencial de crescimento da candidatura. Pela pesquisa Datafolha de 24 de julho, Lula tem 40% das intenções de voto contra 32% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 48% a 43% num eventual segundo turno.
O que ainda não se sabe é o conteúdo concreto do programa de governo, mantido em reserva pela coordenação econômica para evitar desgaste com o mercado, e como a campanha pretende, na prática, atrair os eleitores independentes sem recorrer a medidas vistas como bomba fiscal. Também permanece em aberto o desempenho do palanque paulista e o efeito das convenções das demais siglas, ainda em andamento.