O Partido dos Trabalhadores oficializou no domingo, 2 de agosto, em convenção nacional realizada no Expo Center Norte, na zona norte de São Paulo, a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Aos 80 anos, o petista disputa sua sétima eleição presidencial e busca um quarto mandato, algo inédito na história republicana brasileira. A chapa repete a composição de 2022, com o vice-presidente Geraldo Alckmin novamente como candidato a vice, e a homologação foi anunciada pelo presidente nacional do partido diante de um público estimado em cerca de 3 mil pessoas.
A convenção fechou uma sequência de encontros partidários. Nos dias anteriores, o PCdoB aprovou o apoio em convenção virtual na quinta-feira, 30 de julho, e o Partido Verde fez o mesmo na sexta-feira, 31. A coligação presidencial reúne a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, além de PSB, PDT e a federação PSOL/Rede. O calendário eleitoral também é ponto pacífico em toda a cobertura: as convenções partidárias podiam ser realizadas até 5 de agosto, o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto e a propaganda eleitoral começa em 16 de agosto, mesma data escolhida para o primeiro grande ato de campanha, em São Bernardo do Campo, palco das assembleias de metalúrgicos do fim dos anos 1970. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o eventual segundo turno para 25 de outubro.
A cobertura de centro relatou o rito com detalhe: a ordem dos discursos, a troca do tradicional vermelho pelo branco nas roupas dos candidatos, a presença de governadores e candidatos aliados e o conteúdo do pronunciamento presidencial. No discurso, o presidente citou o candidato do partido ao governo paulista como possível sucessor em 2030, anunciou disposição de enfrentar o Congresso na questão das emendas parlamentares e defendeu mais investimento em Defesa em nome da soberania nacional. Os mesmos veículos registraram que a campanha não pretende apresentar propostas de grande fôlego e aposta na consolidação do legado, além de mostrarem números de pesquisas que indicam a disputa mais apertada dos últimos ciclos, com o adversário do PL reduzindo a diferença.
Veículos de esquerda destacaram a dimensão de projeto coletivo do evento. Nessa leitura, o dado central é a união, inédita desde 1989, de todas as siglas de esquerda e centro-esquerda em uma única chapa, somada à ênfase em programas sociais, saúde pública, microcrédito, proteção às mulheres e ao compromisso de acabar com a escala de trabalho 6x1. A defesa da soberania diante das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros aparece como eixo mobilizador, e as críticas às emendas parlamentares são apresentadas como denúncia do esvaziamento do poder do Executivo eleito.
Veículos de direita enfatizaram outro conjunto de fatos. Deram relevo à idade do candidato, que terminaria um eventual quarto mandato aos 85 anos, e ao fato de que a tentativa de ampliar a aliança para o centro e para a direita fracassou, com MDB, Republicanos, PP e União Brasil optando pela neutralidade no primeiro turno. Também destacaram as representações na Justiça Eleitoral por antecipação de campanha, o volume de recursos do fundo eleitoral destinado à disputa presidencial e o desgaste provocado pelas investigações que atingem o entorno do presidente, incluindo inquéritos autorizados pelo Supremo sobre o filho dele e a apuração envolvendo um banco privado que alcança aliados do governo.
Há convergência sobre o essencial: o fato de a candidatura estar formalizada, a composição da chapa, os partidos coligados, o calendário legal e a identificação do senador do PL como principal adversário, oficializado por seu partido em 25 de julho. A divergência está na hierarquia dos fatos, não na sua existência.
O que ainda não se sabe é como as investigações em curso afetarão a intenção de voto, se o campo adversário conseguirá fechar coligações nacionais até o prazo de registro, qual será o desfecho das ações movidas na Justiça Eleitoral por pedido antecipado de voto e se a campanha manterá a decisão de não apresentar propostas novas ao longo dos dois meses que antecedem o primeiro turno.