Quem é a amiga de Lulinha que fez mais de 40 visitas fora da agenda a órgãos do governo Lula
3 veículos de centro · 4 veículos de direita
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A leitura de direita enxerga no caso a assinatura do patrimonialismo: uma lobista amiga do filho do presidente atravessa gabinetes ministeriais, o Palácio do Planalto e um banco público mais de 40 vezes sem que quase nenhuma dessas entradas seja registrada, como a lei manda. A opacidade não seria falha administrativa, e sim método, com custo para o contribuinte, que financia contratos decididos longe de qualquer escrutínio. Que o filho do presidente já esteja sob três inquéritos e que dinheiro de um empresário preso tenha ido parar em empresa da lobista mostra, para esse campo, um acesso privilegiado que a iniciativa privada honesta não tem.
Levantamento com base na Lei de Acesso à Informação mostra que a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, esteve mais de 40 vezes em órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024, e apenas um desses encontros foi registrado nas agendas oficiais, como determina a legislação.
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7 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: viés de centro.
Toda a cobertura registra os mesmos números: mais de 40 visitas a órgãos federais entre 2023 e 2024, com apenas uma registrada em agenda oficial, e a existência de inquéritos da Polícia Federal sobre suspeita de tráfico de influência. Também há convergência sobre as respostas oficiais: governo e ministérios afirmam que nenhuma reunião gerou contrato ou ato administrativo, e as defesas negam irregularidade.
A empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, esteve mais de 40 vezes em órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Apenas um desses encontros foi registrado nas agendas oficiais das autoridades, como determina a legislação para reuniões com agentes públicos. Os números vieram de um levantamento feito com base na Lei de Acesso à Informação e foram confirmados de forma independente por mais de uma redação.
O gabinete do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, foi o destino mais frequente, com 17 visitas. O Ministério da Saúde aparece em seguida, com contagem que varia de 15 a 17 conforme a apuração de cada veículo, e o Palácio do Planalto recebeu ao menos oito idas. Houve ainda uma reunião no banco público de fomento para tratar de financiamento a uma fábrica de hidrogênio verde, projeto que a instituição informa não ter aprovado. Em parte dos encontros, a empresária estava acompanhada de executivos de empresas de tecnologia em saúde, de um grupo empresarial com contratos federais desde 2010 e de um então sócio do filho do presidente.
A Polícia Federal investiga se Fábio Luís usou a influência do pai para defender interesses privados junto à administração pública, com o auxílio da lobista, concentrando a atuação no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência. Já são três inquéritos: os dois primeiros abertos em julho e o terceiro autorizado por um ministro do Supremo Tribunal Federal em 4 de agosto. Uma das linhas apura se houve atuação para liberar a comercialização de medicamentos à base de canabidiol. Outra examina o fato de uma empresa da lobista ter recebido R$ 1,5 milhão de um empresário hoje preso na operação sobre descontos indevidos em benefícios previdenciários, e se parte desses recursos teve o filho do presidente como beneficiário. Em paralelo, o ex-chefe de gabinete pessoal do presidente, que deixou o cargo há poucas semanas para integrar a campanha de reeleição, confirmou ter recebido dinheiro da empresária e afirmou tratar-se de empréstimo pessoal já quitado.
Toda a cobertura converge nesses fatos e também nas negativas: o governo afirma que nenhuma das reuniões produziu desdobramento administrativo, contratual ou regulatório; a defesa da empresária diz que ela exerce representação institucional regular para clientes; a defesa do filho do presidente nega ter recebido pagamento ligado a negócios com o governo.
A divergência está na ênfase. Veículos de direita destacaram a proximidade temporal entre uma das visitas e a assinatura, cinco dias depois, de um contrato de cerca de R$ 31 milhões com uma cliente da lobista, trataram o padrão como acesso privilegiado deliberado e, na cobertura mais militante, chamaram a investigada de suposta comparsa e falaram em repetição de método, sem reproduzir nenhuma das defesas. Um perfil publicado no mesmo campo reuniu ainda a candidatura dela por um partido governista em 2018, publicações de apoio ao governo, dívidas antigas e uma condenação por ofensas a dois parlamentares da oposição. A cobertura de centro concentrou-se no rito institucional: quantas visitas por órgão, o que dizem as normas de registro de agenda, as respostas escritas da Presidência e dos ministérios, o valor declarado dos presentes entregues a um ministro e o efeito político do episódio sobre a campanha, inclusive o racha entre auxiliares do presidente sobre afastar ou manter o ex-chefe de gabinete. Veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do caso no conjunto analisado, de modo que a leitura que enfatizaria a ausência de contrato comprovado e a falta de regulamentação do lobby no país não aparece com voz própria nesta reportagem.
O que ainda não se sabe é substancial. Não há informação pública sobre o valor e a finalidade da transferência feita ao ex-chefe de gabinete, nem sobre a data em que ocorreu. Não está demonstrado que qualquer das visitas tenha determinado uma decisão administrativa, e os órgãos negam que tenha havido efeito. Também segue em aberto se parte do R$ 1,5 milhão pago à empresa da lobista chegou ao filho do presidente, a quem a expressão registrada em mensagem apreendida poderia se referir, e qual será o prazo de conclusão dos três inquéritos.
Defesa de Roberta Luchsinger, investigada pela PF, diz que se manifestará nos autos em respeito à Justiça

Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, entrou mais de 40 vezes em órgãos do governo federal entre janeiro de 2023 e abril de 2024. Não houve registros oficiais dessas visitas. Por lei, reuniões com aut...

No Central Meio de hoje, Pedro Doria e Luiza Silvestrini recebem Magno Karl e Mano Ferreira, do Livres. Na pauta está a revelação de que a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, fez repasses financeiros ao ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O valor total das transferências e a finalidade dos pagamentos ainda não foram esclarecidos.
Sociólogo aproximou-se do presidente em 2018, quando o petista foi preso pela Lava-Jato

Levantamento realizado com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) aponta que a lobista Roberta Luchsinger realizou mais de

Roberta Luchsinger levou empresários e sócio de Lulinha ao Planalto, a gabinetes de ministros e ao BNDES. Governo nega que reuniões tenham gerado desdobramentos contratuais; defesa de Luchsinger diz que ela representa seus clientes de forma regular; defesa de Lulinha afirma que ele não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o Executivo federal
Roberta Luchsinger levou empresários e sócio de Lulinha ao Planalto, a gabinetes de ministros e ao BNDES. Governo nega que reuniões tenham gerado desdobramentos contratuais; defesa de Luchsinger diz que ela representa seus clientes de forma regular; defesa de Lulinha afirma que ele não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o Executivo federal