O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e filiado ao recém-criado partido Missão, anunciou o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, de 62 anos, como seu companheiro de chapa para a eleição de 2026. O anúncio foi feito na noite de quarta-feira, 1º de julho, durante um evento com apoiadores em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Para assumir a vaga de vice na disputa ao Palácio do Planalto, Medina desistiu de sua pré-candidatura ao Senado pelo estado gaúcho.
Com a definição, o Missão se torna a terceira força política a fechar sua composição presidencial. Antes dele, o presidente Lula (PT) confirmou a reedição da aliança de 2022 com Geraldo Alckmin (PSB), e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) definiu Gilberto Kassab como vice. Todas as chapas ainda dependem de oficialização nas convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto.
A cobertura de centro relatou de forma factual o perfil de Aroldo Medina. Natural de Santana do Livramento e morador de Canoas, no Rio Grande do Sul, ele iniciou a carreira na Aeronáutica antes de ingressar na Brigada Militar, a Polícia Militar gaúcha, onde serviu por cerca de trinta anos até passar para a reserva em 2015. Chegou a chefiar a Defesa Civil do estado entre 2003 e 2006. No currículo eleitoral, Medina já disputou o governo do Rio Grande do Sul em 2002 e 2010, a prefeitura de Canoas em 2004, além de vagas de deputado estadual e vereador, mas nunca foi eleito, ficando em geral como suplente. Jornalista e ativo em um blog desde 2009, escreve sobre segurança pública e política. Renan Santos afirmou à imprensa que a escolha do vice não altera a estratégia da campanha e que o foco agora é preparar Medina para as sabatinas.
As coberturas divergiram no enquadramento. Veículos de esquerda destacaram o tom místico e grandiloquente do anúncio, reproduzindo falas do candidato como "trabalho de Hércules", "combater o bom combate" e "com a bênção do mestre Jesus", num registro que ressaltou o caráter mais simbólico da empreitada. Já a cobertura de perfil mais aprofundada, de linha de centro, registrou as posições públicas concretas de Medina: crítico de Flávio Bolsonaro, ele recusa a lógica do voto útil e afirma não votar no filho de Jair Bolsonaro "tapando os olhos para a corrupção"; ao mesmo tempo, também critica o PT. O perfil registrou ainda que Medina defende políticas de segurança linha-dura, como as do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e que criticou o ministro Alexandre de Moraes pela retirada de manifestantes acampados diante de quartéis após as eleições de 2022, aos quais se referiu como "patriotas". Esses elementos permitem a leitura, por veículos de direita, de uma candidatura de terceira via com pauta de ordem, segurança e combate à corrupção, alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O pano de fundo eleitoral é comum a todas as coberturas: nas pesquisas mais recentes, Datafolha e Genial/Quaest, Renan Santos aparece com 3% das intenções de voto, mesmo patamar de Ronaldo Caiado, enquanto Lula lidera com 41% e Flávio Bolsonaro tem 31%. O Missão, criado em novembro do ano passado, disputa uma eleição presidencial pela primeira vez.
O que ainda não se sabe é se as convenções partidárias confirmarão a chapa nos moldes anunciados, como Medina se sairá nas sabatinas e no debate público, e de que forma a candidatura pretende crescer a partir do patamar de 3% num cenário fortemente polarizado.