Quem são e o que querem os nanicos na disputa presidencial em 2026
Relato de fonte única, atribuído a Gazeta do Povo. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Levantamento sobre as candidaturas presidenciais de partidos pequenos em 2026 descreve legendas que registraram chapa no Tribunal Superior Eleitoral sem competitividade na urna e com objetivos declarados de exposição nacional, difusão de programa e sobrevivência partidária. No campo da esquerda aparecem o Partido da Causa Operária, de Rui Costa Pimenta, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, de Hertz Dias, a Unidade Popular, de Samara Martins, e o Partido Comunista Brasileiro, de Edmilson Costa. Fora desse campo estão Leonardo Avalanche, do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, Clariana Barão, do Democracia Cristã, e o Veterinário Wilson Grassi, do Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira.
Briefing
O que importa para você
- Os nomes de PCO, PSTU, Unidade Popular, Partido Comunista Brasileiro, Democracia Cristã, PRTB e Democrata estarão na urna eletrônica em 2026, ao lado dos candidatos competitivos.
- O candidato do PRTB, Leonardo Avalanche, é investigado pela Polícia Federal por suposto desvio de R$ 750 mil do fundo eleitoral, dinheiro público.
- O Democracia Cristã leva à urna, pela primeira vez desde 1995, um nome diferente de Eymael: a advogada Clariana Barão, com Fabiana Torquato como vice.
O que ainda está incerto
- Não há desfecho para a investigação da Polícia Federal sobre o fundo eleitoral do PRTB nem perícia concluída sobre os áudios que Leonardo Avalanche diz serem forjados.
- O material disponível não traz o desempenho dessas candidaturas em pesquisas de intenção de voto nem o tempo de propaganda a que cada chapa terá direito.
A eleição presidencial de 2026 reúne candidatos que não disputam de fato o Palácio do Planalto. Siglas pequenas como PCO, PSTU, Unidade Popular, Partido Comunista Brasileiro, Democracia Cristã, PRTB e Democrata usam a campanha como vitrine nacional, espaço para testar mensagens e garantir sobrevivência partidária. Esta análise mapeia quem são esses nomes e o que cada um busca na urna.
A eleição presidencial de 2026 não é, para todos os candidatos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, uma corrida pelo Palácio do Planalto. Para um conjunto de siglas pequenas, a candidatura funciona como vitrine nacional: serve para apresentar um nome ao eleitorado, testar uma mensagem, ganhar exposição e sustentar a sobrevivência partidária. Até o momento, apenas um veículo cobriu esse recorte, mapeando quem são esses candidatos e o que cada um busca na disputa.
No campo da esquerda, onde a hegemonia pertence ao Partido dos Trabalhadores, legendas menores usam a campanha para levar ao debate nacional projetos que dificilmente teriam espaço entre as candidaturas competitivas. O Partido da Causa Operária, de Rui Costa Pimenta, afirma no próprio programa que as eleições são uma tribuna de propaganda das reivindicações da população explorada e um terreno secundário da luta da classe operária. O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, de Hertz Dias, compartilha com o PCO a base trotskista e a origem: nos dois casos, as lideranças fundadoras foram expulsas do PT. Do lado marxista-leninista estão a Unidade Popular, de Samara Martins, e o Partido Comunista Brasileiro, de Edmilson Costa, que apostam nos movimentos estudantis e na defesa do rompimento da classe trabalhadora com a burguesia.
Outras candidaturas chegaram à urna por caminhos acidentados. Leonardo Avalanche entrou na disputa como vice de Pablo Marçal, pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, e foi alçado a cabeça de chapa depois que a Justiça Eleitoral confirmou a inelegibilidade do influenciador. Avalanche declarou quase meio bilhão de reais ao TSE e participa de sua segunda eleição: na primeira, em 2018, teve 173 votos ao concorrer a deputado federal em Goiás. Assumiu a presidência do PRTB em 2024, após as disputas internas que seguiram a morte do fundador Levi Fidelix, e coordenou a campanha de Marçal à prefeitura de São Paulo. Suspeitas de inserção de dados falsos em sistemas da Justiça Eleitoral levaram Alexandre de Moraes, então presidente do TSE, a determinar intervenção no partido. Ele também é investigado pela Polícia Federal por suposto desvio de R$ 750 mil do fundo eleitoral do PRTB nas eleições municipais de 2024, e nega tanto essa acusação quanto a alegação de ligação com o PCC, que atribuiu a áudio falso ou gerado por inteligência artificial.
No Democracia Cristã, Clariana Barão é o terceiro nome tentado. Desde a fundação da legenda, em 1995, apenas Eymael havia encabeçado a chapa. O primeiro escolhido foi o ex-ministro Aldo Rebelo, substituído em maio; o segundo, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, desistiu. Rebelo judicializou a pré-candidatura, criticou a direção e foi expulso sumariamente. A escolha de Barão, presidente estadual do DC no Mato Grosso, foi apresentada pelo partido como aposta em representatividade feminina, com a advogada Fabiana Torquato como vice. Já o Democrata, que lançou o Veterinário Wilson Grassi, chamava-se Partido da Mulher Brasileira até dezembro de 2025: registrado no TSE em 2015, recebeu na janela partidária um senador e 22 deputados federais, dos quais 20 eram homens, e só conseguiu mudar de nome depois de ter recusadas as opções Brasil 35 e Por Mais Brasil.
A cobertura é de fonte única, e isso limita a comparação de enquadramentos. O único veículo que tratou do assunto tem linha editorial à direita e organiza o material em duas chaves: as siglas de esquerda como usuárias instrumentais da campanha para propaganda ideológica, e as controvérsias judiciais e financeiras em torno do candidato do PRTB. Não há, no conjunto analisado, cobertura de centro nem de esquerda sobre o mesmo recorte, de modo que não é possível contrastar como outros lados descreveriam a função dos partidos pequenos no processo eleitoral.
Ainda não se sabe o desfecho da investigação da Polícia Federal sobre o suposto desvio do fundo eleitoral do PRTB, nem se a perícia confirmará que os áudios atribuídos a Leonardo Avalanche foram forjados. Também não aparecem no material disponível o número total de candidaturas registradas, o desempenho dessas chapas em pesquisas de intenção de voto e o tempo de propaganda a que cada uma terá direito.
Fontes

Quem são os candidatos nanicos à Presidência e por que disputam uma eleição em que o Planalto parece tão distante? Leia na Gazeta do Povo.