O instituto Real Time Big Data divulgou em 19 de agosto de 2026 uma pesquisa de intenção de voto no Distrito Federal que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em situação de empate no primeiro turno da disputa presidencial. No cenário estimulado, em que os nomes são apresentados ao entrevistado, Lula registra 36% e Flávio Bolsonaro, 35%, diferença menor que a margem de erro de dois pontos percentuais. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem empatados em terceiro lugar, com 8% cada, enquanto Romeu Zema e Augusto Cury somam 1% cada. No cenário espontâneo, sem apresentação de nomes, Lula tem 24% e Flávio Bolsonaro, 21%, com 36% de eleitores que não sabem ou não respondem. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 14 e 18 de agosto, tem nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
A cobertura de centro relatou os percentuais de forma direta e acrescentou informação metodológica que os demais recortes deixaram de fora, como o custo declarado de 24 mil reais e o financiamento por recursos próprios do instituto. Foi também nessa faixa da cobertura que apareceu o dado de rejeição da capital: 48% dos entrevistados dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, contra 40% que descartam Flávio Bolsonaro. Todos os lados convergem nos números de campo, na amostra e na leitura de que o Distrito Federal é hoje um dos territórios mais equilibrados da disputa nacional.
Veículos de esquerda destacaram os recortes que sustentam a competitividade do presidente. Lula lidera entre as mulheres do Distrito Federal, com 39% contra 31% do senador, e a gestão federal é aprovada por 54% dos brasilienses, índice superior ao próprio desempenho eleitoral do presidente e apresentado como margem de crescimento. Essa mesma cobertura trouxe a comparação com Pernambuco, onde o levantamento divulgado dois dias antes aponta 58% para Lula e 24% para Flávio Bolsonaro, com aprovação de 61% e rejeição de 53% ao adversário.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da mesma amostra. Entre os homens da capital, Flávio Bolsonaro aparece com 40% contra 32% de Lula, e a rejeição do presidente é a maior do levantamento. Na disputa ao Senado, em que o Distrito Federal escolhe duas cadeiras, Michelle Bolsonaro lidera o cenário consolidado com 25%, seguida por Leila do Vôlei com 17% e por Bia Kicis e Erika Kokay com 15% cada, empate técnico na briga pela segunda vaga. A cobertura de direita acrescentou uma ressalva editorial: pesquisas registradas apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado das urnas em 2022, o que serviria de advertência contra leituras definitivas.
A principal divergência não é de enquadramento, e sim de número. No cenário de segundo turno, parte das coberturas apresentou Flávio Bolsonaro com 44% contra 39% de Lula, enquanto outra parte publicou exatamente os mesmos percentuais em sentido inverso, com o presidente à frente. Os textos também citam protocolos diferentes de registro do mesmo levantamento no Tribunal Superior Eleitoral. Como as duas versões atribuem os dados ao mesmo instituto e ao mesmo período de campo, uma delas inverteu a ordem dos candidatos.
O que ainda não se sabe é qual das duas leituras do segundo turno corresponde ao relatório entregue à Justiça Eleitoral, e nenhuma das coberturas registrou correção ou pedido de esclarecimento ao instituto. Também não foram divulgados recortes por renda, escolaridade e faixa etária no Distrito Federal, nem cenários de segundo turno com outros nomes além dos dois primeiros colocados. Para a disputa ao Senado, não há indicação de quantos entrevistados declararam voto duplo válido, informação que altera a projeção das duas cadeiras. A eleição está marcada para outubro.