O União Brasil anunciou nesta terça-feira, 4 de agosto, neutralidade na eleição presidencial de 2026 e liberou seus filiados para apoiar o candidato que preferirem em cada estado. A decisão foi comunicada por nota do presidente da legenda, Antonio Rueda, durante convenção nacional em Brasília, e vale também para o PP, com quem o partido formou a federação União Progressista. Horas antes, o Republicanos adotara a mesma posição em sua própria convenção. Para o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, o resultado é o esvaziamento da tentativa de montar coligações que lhe dariam mais tempo de propaganda em rádio e televisão, além de um vice indicado por partido aliado.
O revés não ficou restrito ao plano nacional. No Rio de Janeiro, a federação deixou a coligação com o PL e ficará neutra na disputa estadual, retirando o apoio ao deputado estadual Douglas Ruas, que concorre ao governo. Pesquisa Quaest divulgada em 27 de julho mostrava Ruas empatado em segundo lugar, com 10% das intenções de voto. O estado tem 12,8 milhões de eleitores, o terceiro maior colégio eleitoral do país, e é onde o senador construiu sua carreira. O estopim foi a desistência do ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, de disputar o Senado, após ser alvo de uma operação sobre lavagem de dinheiro e preso em flagrante quando agentes encontraram um fuzil em seu carro. Na mesma segunda-feira, o pré-candidato perdeu outro palanque relevante: o senador Cleitinho, favorito nas pesquisas em Minas Gerais e apoiador declarado do PL, anunciou que não disputará o governo estadual.
Os três blocos de cobertura convergem no essencial: as legendas que sustentaram a chapa presidencial da direita em 2022 recuaram agora, e a razão apontada por dirigentes é o desconforto com a postura do senador diante de operações policiais que atingiram aliados, entre eles o presidente do PP. As divergências aparecem na ênfase. Veículos de esquerda destacaram o isolamento progressivo do pré-candidato e leram o episódio como sinal de perda de força do bolsonarismo sobre o centrão, sublinhando que o senador chegou a retirar a própria mãe da suplência de um aliado atingido por operação depois de tê-lo chamado de amigo. A cobertura de centro concentrou-se na cronologia e nos números: nota oficial da convenção, prazos legais, tamanho do eleitorado fluminense, comparação com o comportamento dessas mesmas legendas em 2022 e o desdobramento do caso envolvendo o banco Master, cujos citados negam irregularidades. Veículos de direita enfatizaram a corrida contra o relógio para fechar alianças, o custo concreto da recusa em tempo de rádio e TV e a resistência interna dos diretórios, registrando que em São Paulo e Minas Gerais setores da federação e do Republicanos seguem próximos do PL.
O calendário eleitoral aperta o desfecho. Os partidos tinham até 5 de agosto para realizar as convenções e definir posições, mas candidatos ainda podem indicar ou trocar o nome do vice até 15 de agosto, junto com o registro da candidatura. O próprio senador declarou em sabatina que pode levar a definição até o limite do prazo. Nomes cogitados para a vaga, como a senadora Tereza Cristina e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, foram inviabilizados pelas decisões de neutralidade de seus partidos, e o Podemos, também cortejado, caminhava para a mesma posição.
O que ainda não se sabe é quem ocupará a vaga de vice na chapa e se o PL conseguirá recompor apoios regionais antes do registro. Também segue em aberto quanto tempo de propaganda o pré-candidato efetivamente perde sem coligação, qual será o arranjo do partido no governo de Minas Gerais e se a neutralidade anunciada nacionalmente será respeitada pelos diretórios estaduais que já negociam com o PL.