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O grupo político de ACM Neto (União Brasil) e o PT da Bahia mantêm, nos bastidores, um acordo para não explorar publicamente a operação da Polícia Federal que mira o senador Jaques Wagner (PT-BA). Wagner é investigado por suposta atuação no Congresso em favor do Banco Master, de Daniel Vorcaro, em troca de vantagens indevidas. Tanto o PT quanto a campanha de Neto foram atingidos por conexões com o banco, o que explica o silêncio mútuo. A disputa pelo governo baiano em 2026 deve reeditar o duelo Jerônimo Rodrigues x ACM Neto.
O grupo político de ACM Neto (União Brasil), principal adversário do PT na Bahia, decidiu não explorar publicamente a operação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), que tenta a reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues. Nos bastidores, petistas e aliados do ex-prefeito de Salvador selaram um acordo para manter o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master fora da disputa eleitoral estadual de 2026. A razão é simples: os dois grupos tiveram conexões expostas com a mesma instituição financeira.
Wagner é investigado sob suspeita de ter atuado, no Congresso, em favor dos interesses de Vorcaro e de seu ex-sócio Augusto Lima, em troca de vantagens indevidas. A PF apura a participação do senador em projetos relevantes para o banco, como a chamada emenda Master, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Segundo a investigação, o petista teria recebido benefícios como uso de aeronave, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo de R$ 2,4 milhões em Salvador. O relatório da PF, citado em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aponta uma emenda de Wagner a uma medida provisória, em março de 2022, que beneficiaria o Master se aprovada. Wagner nega ter recebido qualquer valor ou agido para favorecer a instituição.
A campanha de ACM Neto também foi atingida pelo caso. Documentos entregues por Vorcaro à Receita Federal apontaram pagamento de R$ 5,4 milhões ao ex-prefeito, por meio de sua empresa de consultoria, entre 2023 e 2025. Neto afirma que a relação com o banco foi firmada sem que qualquer sócio da empresa ocupasse cargo público à época do contrato, e diz que prestava análise da agenda político-econômica nacional. Foram justamente essas conexões cruzadas que levaram os dois lados a evitar trocas de acusações públicas.
Veículos de centro relataram os fatos de forma equilibrada: a existência do acordo nos bastidores, o teor da investigação, os valores citados e o quadro eleitoral, com a pesquisa Genial/Quaest de abril mostrando empate técnico entre Jerônimo e Neto. Veículos de direita enfatizaram a gravidade das suspeitas contra Wagner, o detalhamento dos benefícios milionários e a relação histórica do PT baiano com o grupo de Vorcaro, que remonta à privatização da Empresa Baiana de Alimentos no governo Rui Costa. Destacaram ainda a fala de João Roma (PL), candidato ao Senado na chapa de Neto, que rompeu o silêncio, classificou o caso como muito grave e criticou a postura do líder do governo no Senado. Já veículos de esquerda deslocaram o foco para a conveniência da direita, qualificando o episódio como um pacto de silêncio: ACM Neto se calaria porque também recebeu do mesmo banqueiro, e o enquadramento de escândalo exclusivo do PT ignoraria que ambos os grupos estão expostos ao setor financeiro. Esses veículos ressaltaram a negativa de Wagner e lembraram que a apuração ainda não comprovou contrapartida.
A disputa pelo governo da Bahia deve reeditar o confronto de 2022, vencido por Jerônimo Rodrigues no segundo turno com 52,8% dos votos. Para o Senado, o PT terá Wagner e o ex-governador Rui Costa, enquanto o campo da direita aposta em João Roma e no senador Angelo Coronel (Republicanos). ACM Neto busca evitar a nacionalização do debate e se esquiva de um apoio formal à campanha de Flávio Bolsonaro ao Planalto, ao mesmo tempo em que a campanha de Jerônimo tenta colocar o presidente Lula como peça central na Bahia.
O que ainda não se sabe é se a investigação reunirá provas de contrapartida efetiva por parte de Wagner, qual será o desdobramento judicial da decisão de André Mendonça e se o acordo de silêncio entre os dois grupos resistirá ao acirramento da campanha. Também permanece em aberto se o caso Master, que respinga nos dois lados, terá peso eleitoral apesar do esforço mútuo para mantê-lo fora do debate.
Os dois lados reconhecem que existe um acordo de bastidores entre o grupo de ACM Neto e o PT para manter o caso Banco Master fora da campanha, e que ambos os grupos têm conexões expostas com o banco de Daniel Vorcaro.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
O DCM enquadra o episódio como 'pacto de silêncio da direita', deslocando o foco da investigação contra Wagner para a conveniência política do grupo de ACM Neto, também atingido pelo caso Master. A seleção de informações e a ênfase na negativa do senador, omitindo a crítica do adversário João Roma, caracterizam o perfil LEFT.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés ao centro
Nenhum veículo de centro cobriu esta história.
Veículos com viés à direita
Texto majoritariamente factual e bem apurado, mas o enquadramento privilegia o ângulo de accountability e a exposição das relações do PT com o Banco Master, dando destaque à fala crítica de João Roma (PL). A ênfase em 'vantagens indevidas', apartamento de luxo e privatização da Ebal sob o petismo inclina a cobertura ao perfil RIGHT.
Perspectivas omitidas

Grupo de ACM Neto evita explorar operação contra Jaques Wagner após conexões de campanhas com o Banco Master.

ACM Neto optou por não explorar publicamente a operação da Polícia Federal que mirou o petista, e disse que 'questão cabe ao Judiciário'
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