A greve dos ferroviários paralisou parcialmente três linhas do sistema de trens metropolitanos de São Paulo nesta terça-feira, 4 de agosto, e levou a prefeitura da capital a suspender o rodízio municipal de veículos. As Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Expresso Aeroporto, passaram a operar de forma reduzida a partir da meia-noite, sem previsão de encerramento. Juntas, elas transportam cerca de um milhão de passageiros por dia, com concentração na Zona Leste da capital e na ligação com Guarulhos.
A cobertura de centro reconstruiu o roteiro do impasse com detalhamento operacional. A paralisação foi aprovada em assembleia na segunda-feira, na sede do sindicato dos trabalhadores em empresas ferroviárias, no bairro do Brás. Horas antes, a diretoria da entidade havia sido chamada ao palácio sede do governo estadual para conversar com o secretário-chefe da Casa Civil, mas não houve acordo. Ainda na noite de segunda, o prefeito da capital anunciou a suspensão do rodízio, que liberou os veículos de placas de final 3 e 4 no centro expandido; em dia normal, quem descumpre a regra paga multa de R$ 130,16 e soma quatro pontos na carteira de habilitação.
Os números do dia foram convergentes em toda a cobertura. No pico da manhã, o efetivo operacional das três linhas ficou em 67%, abaixo do mínimo de 80% fixado pelo tribunal trabalhista, que também estipulou multa diária de R$ 400 mil ao sindicato em caso de descumprimento. Dos 126 maquinistas escalados, apenas três compareceram, e 21 supervisores assumiram a condução das composições. A Linha 11 operou com 15 trens em vez dos 31 habituais, a Linha 12 com quatro, e a Linha 13 ficou parada durante quase todo o dia, atendida por ônibus de emergência. O trânsito na capital passou de 720 quilômetros de lentidão pela manhã, com velocidade média de 16 km/h no sentido bairro-centro.
Veículos de direita enfatizaram a origem do conflito na troca de operador: a assembleia foi convocada depois que um vagão de uma das linhas foi destruído por um incêndio e falhas elétricas interromperam a circulação nos outros dois ramais, todos sob concessão de uma empresa privada. Após o episódio, o governo estadual retomou o controle das linhas por 90 dias e o Ministério Público estadual abriu inquérito para apurar as falhas. Nenhum veículo de esquerda havia coberto o caso até o fechamento desta reportagem, e o ângulo que essa cobertura costuma enfatizar aparece aqui pela voz do próprio sindicato: a oposição à privatização das linhas, o pedido de devolução dos ramais à companhia estadual e a garantia de direitos dos trabalhadores.
A divergência central é sobre o mérito da paralisação. O governo estadual afirmou em nota que a greve foi decretada mesmo após o compromisso de não demitir ninguém durante o período de realocação, apresentou a distribuição dos 4.648 funcionários existentes em junho, e classificou a motivação trabalhista como sem fundamento. O governador disse que a aposta na paralisia dos serviços não intimidaria o governo. O sindicato manteve a paralisação e, em nova assembleia no fim da tarde, deu prazo até as 19h para o governo responder às reivindicações, com a promessa de encerrar o movimento imediatamente caso houvesse resposta satisfatória e de submeter a continuidade a nova votação em caso contrário.
O que ainda não se sabe é o desfecho imediato: não havia, até o fim do dia, resposta pública do governo estadual ao ultimato do sindicato nem resultado da nova votação da categoria. Também segue em aberto se a multa fixada pela Justiça será efetivamente aplicada, qual o destino da concessão das três linhas depois dos 90 dias de retomada pelo Estado, e o que o inquérito do Ministério Público concluirá sobre as falhas que deram origem ao impasse.