A dois meses da votação, a disputa pelo governo do Acre chegou a agosto de 2026 sem favorito definido. Pesquisa do instituto AtlasIntel divulgada em 3 de agosto, contratada por um site local e registrada no Tribunal Superior Eleitoral, mostrou a governadora Mailza Assis, do PP, com 35,2% das intenções de voto, e o senador Alan Rick, do Republicanos, com 33,1%. Como a diferença entre os dois é de 2,1 pontos percentuais e a margem de erro do levantamento é de 3 pontos para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, do PSDB, aparece em terceiro, com 18,5%, e Thor Dantas, do PSB, fecha o cenário estimulado com 9,7%. Foram 997 entrevistados, com intervalo de confiança de 95%.
No dia seguinte, 4 de agosto, o Progressistas confirmou em convenção realizada em Rio Branco a candidatura de Mailza ao governo, tendo Jéssica Sales, do MDB, como vice. A mesma chapa levou o ex-governador Gladson Cameli e o senador Márcio Bittar à disputa pelas duas vagas do Acre no Senado. O partido integra uma federação com MDB, PDT e PL. Mailza assumiu o Executivo estadual em abril, quando Cameli deixou o cargo para concorrer ao Senado, e tornou-se a segunda mulher a governar o estado em quatro décadas.
Os dados em que toda a cobertura converge são os mesmos. Nas simulações de segundo turno, o empate entre Mailza e Alan Rick permanece, com 44,5% contra 42,2%. Alan Rick venceria Thor Dantas por 51,4% a 17,6% e ficaria à frente de Bocalom por 42,6% a 36,9%. Na corrida ao Senado, Márcio Bittar, Gladson Cameli e Mara Rocha, do Republicanos, aparecem melhor posicionados para as duas cadeiras, com Jorge Viana, do PT, em quarto lugar. Todos os textos registram o calendário legal: convenções até 5 de agosto, registro das candidaturas no TSE até 15 de agosto, campanha a partir do dia seguinte e votação em 4 de outubro.
A divergência está no enquadramento. A cobertura de centro tratou o levantamento como dado de conjuntura, detalhando período de campo, custo declarado de 39 mil reais, contratante e números de registro na Justiça Eleitoral, e cobriu a convenção como fato administrativo, sem cruzar os dois eventos. Veículos de direita deram o mesmo destaque aos percentuais, mas anexaram ao texto uma ressalva editorial sobre a confiabilidade dos institutos, lembrando que pesquisas divulgadas em 2022 apresentaram discrepâncias relevantes frente ao resultado das urnas, e enfatizaram o desempenho conjunto dos nomes do campo conservador, que somados passam de 85% das intenções de voto. Veículos de esquerda não figuram entre os que repercutiram o levantamento, e o ângulo que costuma organizar essa cobertura, a concentração da disputa em um único grupo político e o desempenho residual das candidaturas de centro-esquerda, ficou fora do noticiário disponível.
Há pontos ainda em aberto. As duas versões publicadas divergem sobre o período de campo da pesquisa: uma informa entrevistas entre 22 de julho e 2 de agosto, outra entre 28 de julho e 2 de agosto. Os números de avaliação da gestão estadual foram medidos, mas não foram transcritos no texto de nenhuma das coberturas. Não há registro de reação das campanhas adversárias aos resultados, nem confirmação de quais nomes de fato se inscreverão até o prazo de 15 de agosto, o que pode alterar todos os cenários testados. Também não se sabe como a federação partidária vai distribuir tempo de televisão e apoio entre os dois candidatos ao Senado da mesma chapa.