Os candidatos à Presidência da República cumpriram, entre 18 e 20 de agosto de 2026, uma sequência de compromissos espalhados por Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, João Pessoa, Maceió, Sorocaba e Macaíba, alternando atos de rua, sabatinas, entrevistas e encontros com confederações empresariais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, manteve agenda oficial: no dia 19 embarcou da Base Aérea de Brasília para Sorocaba e visitou as instalações do Programa Nuclear da Marinha, no Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó, acompanhado dos ministros José Múcio e Marcos Amaro, do comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Aloizio Mercadante. No mesmo dia reuniu ministros e os presidentes do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, no Palácio da Alvorada, e foi à posse de Luis Felipe Salomão na presidência do Superior Tribunal de Justiça. No dia 20 viajou ao Rio Grande do Norte para anunciar um supercomputador de inteligência artificial em Macaíba.
Os adversários dividiram a semana entre campanha e público empresarial. Flávio Bolsonaro (PL) caminhou até o comitê do deputado Nikolas Ferreira em Belo Horizonte, dedicou um dia inteiro à gravação do programa eleitoral de rádio e televisão e visitou o Mercado Municipal de São Paulo com o prefeito Ricardo Nunes. Ronaldo Caiado (PSD) apresentou plano de governo para a saúde, participou do congresso das Santas Casas e de fórum da Confederação Nacional do Transporte. Romeu Zema (Novo) reuniu-se com familiares de pessoas prejudicadas por apostas, foi a um ato sobre inflação de alimentos na Feira de Guaianases e conversou com motoboys. Renan Santos (Missão) levou a agenda à Paraíba, onde acompanhou ação contra barricadas atribuídas ao tráfico e ato contra câmeras atribuídas a facção criminosa. Augusto Cury (Avante) tratou de saúde mental e Pablo Marçal (PRTB) concentrou o dia em entrevistas a canais e podcasts.
Há convergência entre as coberturas sobre dois pontos adicionais. Levantamentos de intenção de voto registrados no Tribunal Superior Eleitoral foram liberados para divulgação nos três dias, contemplando cenários de Goiás, Paraíba, Paraná, Sergipe, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Rio Grande do Norte, São Paulo, Tocantins, Maranhão, Pará e Piauí, sem que os resultados fossem apresentados. E os bancários de todo o país aprovaram, em assembleias no dia 17, uma paralisação de 24 horas para o dia 20, cobrando 5% de aumento real, elevação do piso, reajuste de vale-refeição e vale-alimentação e mudanças na participação nos lucros e resultados.
A divergência aparece no que cada lado escolheu destacar. Veículos de esquerda deram peso à mobilização sindical, abriram o texto pela pauta dos trabalhadores e trataram o silêncio das federações patronais como o centro do impasse. A cobertura de centro tratou as agendas como serviço, listando horários, locais e entidades promotoras com o mesmo formato para todos os candidatos, e registrou o contraditório de que a Federação Nacional dos Bancos e a Federação Brasileira de Bancos consideram o calendário de negociação dentro do cronograma; foi também essa cobertura que trouxe a agenda econômica do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Confederação Nacional da Indústria e a oferta de 1.887 vagas nas agências do trabalhador do Distrito Federal. Veículos de direita não produziram cobertura própria dentro deste conjunto, e a leitura mais dura sobre a sobreposição entre máquina pública e campanha na agenda presidencial não teve fonte que a sustentasse no material analisado.
O que ainda não se sabe é relevante. Nenhum texto separa quais compromissos do presidente candidato são de governo e quais são eleitorais, nem informa custo ou origem do investimento no supercomputador anunciado. Os resultados, as margens de erro e os contratantes das pesquisas liberadas não foram divulgados. Não há proposta dos bancos sobre a pauta econômica dos bancários, nem estimativa de adesão à paralisação ou de quantas agências devem fechar. E as campanhas de parte dos candidatos não divulgaram programação oficial no período.