Flávio Bolsonaro aposta em jornada paga por hora para barrar o fim da 6x1
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A disputa expõe quem paga a conta da flexibilização. Com apoio popular medido em 69% e aprovação folgada na Câmara dos Deputados, o fim da escala 6x1 é tratado como conquista de quem não tem sindicato forte nem advogado para negociar sozinho com o patrão. A resistência liderada pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo líder da oposição Rogério Marinho não se apresenta como defesa da jornada atual, e sim como uma proposta de pagamento por hora trabalhada que, na leitura dessa cobertura, aprofunda o contrato intermitente: o trabalhador é remunerado apenas quando a empresa precisa dele. A palavra liberdade, nesse enquadramento, funciona como cortina de fumaça para transferir todo o risco econômico ao lado mais frágil da relação, enquanto instrumentos regimentais como quebra de quórum e pedido de vista são usados para impedir que a redução de jornada vire ganho político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1 chegou ao Senado depois de ser aprovada na Câmara dos Deputados por 472 dos 513 deputados e passou a ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça na semana de esforço concentrado que antecede o recesso eleitoral.
O que está em jogo é engessar a jornada de trabalho na Constituição em ano eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro sustenta que a saída não é fixar um novo teto rígido, e sim permitir que cada trabalhador escolha quanto quer trabalhar e seja pago pelas horas efetivamente prestadas, com os direitos trabalhistas preservados.
6 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: falácia identificada.
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
Todos os lados registram que a proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados por 472 dos 513 deputados, que ela tem apoio popular amplo e que o senador Flávio Bolsonaro não pretende apenas rejeitá-la, e sim substituí-la por um modelo de remuneração por hora efetivamente trabalhada formulado no entorno de Rogério Marinho. Também há convergência de que o calendário eleitoral pressiona a decisão no Senado.
A proposta que acaba com a escala 6x1 chegou ao Senado com aprovação folgada na Câmara dos Deputados e forte apoio popular medido em pesquisa. Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência, tenta substituí-la por um modelo de remuneração por hora trabalhada. A cobertura de esquerda, centro e direita diverge sobre o que está de fato em jogo para o trabalhador.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência, assumiu a linha de frente da resistência à proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1. A PEC 221/2019 chegou ao Senado depois de ser aprovada na Câmara dos Deputados por 472 dos 513 deputados e passou a ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça na semana de esforço concentrado que antecede o recesso eleitoral. O texto do relator, o senador Omar Aziz, manteve a redação vinda da Câmara: a jornada semanal cai de 44 para 42 horas em até 60 dias após a promulgação e chega a 40 horas em 14 meses, com dois dias de descanso semanal remunerado e sem redução de salário. Depois da comissão, a proposta ainda precisa de 49 votos em dois turnos no plenário.
A cobertura converge em alguns pontos. Flávio Bolsonaro não defende a manutenção pura e simples da escala atual: ele trabalha por um texto alternativo, formulado no entorno do senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador de sua campanha, que remunera o trabalhador pelas horas efetivamente prestadas e transfere o limite de jornada para a negociação direta entre empregado e empregador. Há acordo também sobre a popularidade da mudança: levantamento do instituto Quaest feito em julho apontou 69% de apoio ao fim da escala 6x1 e 22% de rejeição. E há convergência sobre o calendário apertado, com a análise na comissão prevista para quarta-feira e a Confederação Nacional do Comércio pedindo adiamento por falta de consenso sobre o trâmite.
As divergências aparecem na leitura da estratégia e do mérito. Veículos de esquerda descreveram a articulação como manobra para impedir que a redução da jornada vire bandeira eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, relataram planos de quebra de quórum e pedido de vista na comissão e trataram o argumento da liberdade do trabalhador como cortina de fumaça para uma flexibilização que, na prática, atingiria quem tem pouco poder de barganha. Nessa leitura, o pagamento por hora efetivamente trabalhada reproduziria o contrato intermitente em versão mais dura, e o teto constitucional de 44 horas é justamente o que protege quem negocia sozinho com o empregador. Veículos de direita reproduziram a defesa do senador sem contraponto: o modelo daria flexibilidade para que cada trabalhador escolha a própria carga horária, preservaria os direitos trabalhistas e ajudaria, por exemplo, mães que não conseguem cumprir jornadas de sete ou oito horas diárias. A cobertura de centro concentrou-se no roteiro do Congresso, registrando que o senador suspenderia agendas de campanha para permanecer em Brasília e acompanhar as negociações, que ele afirmou em entrevista defender a liberdade de o trabalhador decidir quantas horas quer trabalhar, e que o Partido Liberal foi a legenda que mais votou contra o texto na Câmara.
O pano de fundo eleitoral aparece nos dois lados. Em evento em Belo Horizonte, Lula afirmou que o Congresso aprovaria o fim da escala 6x1 ainda naquela semana. No entorno de Flávio Bolsonaro, segundo relatos de bastidor, havia a avaliação de que rejeitar a proposta de forma aberta poderia desgastá-lo diante da adesão popular, o que explica a escolha de apresentar um texto concorrente em vez de votar contra e pronto. Na avenida Paulista, em São Paulo, manifestantes foram às ruas pedir a aprovação da mudança.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há texto público da proposta alternativa nem prazo anunciado para sua apresentação, e nenhuma fonte detalhou como ela conviveria com o limite de 44 horas hoje escrito na Constituição. Também não está esclarecido se a comissão votou no prazo previsto, se a oposição reúne apoio suficiente para segurar a matéria no plenário até o recesso eleitoral, nem qual seria o efeito da mudança sobre folha de pagamento e contratação no comércio e nos serviços, setores que concentram a escala 6x1.

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