Pedro Sánchez antecipa eleições na Espanha para 29 de novembro
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A convocação de eleições por Pedro Sánchez é lida como reação a uma crise de moradia que expulsa famílias e idosos de casa, simbolizada pelo despejo de Maricarmen, de 87 anos, cujo aluguel subiu de 500 para 2.650 euros. Partidos de direita barraram as medidas do governo, e o pleito decide se a Espanha mantém um dos últimos governos progressistas da Europa ou abre espaço ao Vox.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou em 5 de outubro eleições gerais antecipadas para 29 de novembro. O anúncio veio depois que o Parlamento rejeitou um pacote de decretos do governo para conter a alta dos aluguéis, em meio a protestos em várias cidades. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) aparece atrás nas pesquisas, e o Partido Popular (PP) lidera.
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As coberturas de centro e de esquerda concordam que Pedro Sánchez antecipou as eleições para 29 de novembro depois que o Parlamento derrubou as medidas habitacionais do governo, e que o Partido Socialista Operário Espanhol chega ao pleito atrás do Partido Popular nas pesquisas.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, dissolveu o Parlamento e marcou eleições gerais para 29 de novembro. A decisão veio após a derrota do pacote do governo contra a alta dos aluguéis, em meio a protestos desencadeados pelo despejo de uma idosa de 87 anos em Madri.
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou na segunda-feira, 5 de outubro, eleições gerais antecipadas para 29 de novembro. O mandato atual iria até o fim de 2027. A decisão dissolve o Parlamento e chega em meio a uma crise habitacional que levou multidões às ruas em várias cidades espanholas.
O estopim imediato foi uma derrota no Legislativo. Na semana anterior, o Parlamento, hoje fragmentado, rejeitou o pacote de decretos com que o governo pretendia barrar a alta dos aluguéis. As medidas tinham sido preparadas depois do despejo de uma mulher de 87 anos em Madri, caso que provocou revolta e uma onda de protestos. No fim de semana, manifestantes ocuparam ruas da capital e de outras cidades, alguns com cartazes pedindo greve geral. Na Porta do Sol, principal praça de Madri, um acampamento segue montado, e o movimento de inquilinos afirma que os protestos continuam até que as leis mudem.
Em pronunciamento na televisão, Sánchez disse que é preciso renovar o apoio popular e conquistar uma maioria progressista maior no Parlamento, capaz de superar interesses estabelecidos. O líder da oposição e do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, respondeu pedindo a troca de governo: segundo ele, o país não pode ter mais quatro anos da mesma coisa. Na Espanha, a força com maioria no Parlamento indica o primeiro-ministro.
A cobertura de centro relatou o anúncio de forma direta, com a data do pleito, a fala de Sánchez, a réplica de Feijóo e o depoimento de um manifestante de 26 anos que criticou os partidos. Esses veículos lembraram que a votação é uma aposta arriscada, porque o Partido Socialista Operário Espanhol, o PSOE, está atrás nas pesquisas, mas também que Sánchez já se reelegeu ao antecipar eleições em 2019.
Veículos de esquerda destacaram o drama da moradia. Eles identificaram a idosa despejada como María del Carmen Abascal, conhecida como Maricarmen, que vivia havia mais de sete décadas no mesmo imóvel, no bairro de Retiro, e viu o aluguel subir de 500 para 2.650 euros. Segundo a União dos Inquilinos de Madri, cerca de 950 mil pessoas participaram dos atos do fim de semana. Essa cobertura atribuiu o bloqueio das propostas a partidos de direita e alertou que uma maioria de centro-direita dependeria do Vox, partido de extrema direita que poderia integrar um governo nacional pela primeira vez desde a morte do ditador Francisco Franco, em 1975. Ao mesmo tempo, registrou que o governo chega enfraquecido, com derrotas regionais, denúncias de corrupção envolvendo pessoas próximas a Sánchez e três anos sem aprovar orçamento.
Veículos de direita não cobriram a convocação até o momento, de modo que a leitura conservadora do episódio não aparece no conjunto de fontes.
O que ainda não se sabe é se o Partido Popular precisará do Vox para governar, que pesquisas e números sustentam a liderança da oposição e se a convocação basta para esvaziar os protestos, que os inquilinos prometem manter até a mudança das regras de aluguel.
Novo pleito ocorrerá em 29 de novembro. Pedro Sánchez convocou eleições diante de onda de protestos após Parlamento rejeitar medidas do governo para enfrentar a crise habitacional.

Primeiro-ministro da Espanha tenta recuperar iniciativa política após protestos e derrota de medidas para enfrentar alta dos aluguéis
