O Partido Liberal vive uma crise pública entre dois de seus principais nomes, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O desentendimento começou em 24 de junho de 2026 e ganhou força com manifestações de Michelle nas redes sociais, levando o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, a intervir diretamente para conter o desgaste.
A cobertura de centro relatou que Valdemar antecipou o retorno de uma viagem aos Estados Unidos, onde acompanhava a Copa do Mundo, para 'apagar o incêndio' dentro do partido. Em entrevista à Rádio Gaúcha, na noite de 25 de junho, ele foi direto: 'Nós temos que acertar isso aí. Porque se não acertar isso aí, nós já vamos sair perdendo em casa.' O dirigente afirmou que, se o atrito entre os dois não cessar, o PL corre o risco de 'perder a eleição' presidencial deste ano.
Todos os lados convergem sobre o estopim da crise: as negociações de apoio no Ceará. Michelle criticou publicamente a possível aliança do PL com Ciro Gomes, pré-candidato ao governo estadual. Valdemar minimizou o atrito com o tucano e o defendeu como cálculo eleitoral: 'O Ciro briga até com o irmão, briga com a família toda. Ele ataca todo mundo, mas é o único que tem chances de vencer o PT. Se nós formos com ele, ele ganha a eleição.' Questionado se Michelle precisaria ser convencida, respondeu: 'Tem que ser convencida.'
As ênfases da cobertura divergem. Veículos de direita destacaram o caráter administrável da crise e a aposta na unidade partidária, reproduzindo a avaliação de Valdemar de que Flávio estaria com a disputa 'quase empatada' com Lula e de que o trabalho de Michelle à frente do PL Mulher 'não tem preço'. O enquadramento ali é o de um problema interno que precisa ser apaziguado para preservar a competitividade do partido em 2026.
Veículos de esquerda, por sua vez, leram o episódio como sintoma de fragilidade do bolsonarismo e enfatizaram a instrumentalização da religião pela direita. Em tom satírico, uma coluna do Brasil 247 ironizou que cada figura da família invoca 'seu próprio Deus' para legitimar ataques e descreveu Valdemar como o 'arcanjo do centrão' chamado a salvar um projeto marcado por derrotas eleitorais e judiciais. A crítica associou o discurso de fé a uma arma política e contrastou esse uso com a religiosidade popular atribuída a Lula.
O que ainda não se sabe é o teor exato das críticas que Michelle fez nas redes e se houve, de fato, reconciliação após a mediação de Valdemar. Também segue em aberto se o PL manterá a aliança com Ciro Gomes no Ceará e como o desfecho dessa disputa interna afetará a estratégia presidencial do partido nos próximos meses.