O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a administração do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, preste esclarecimentos em até 48 horas sobre uma denúncia apresentada pela defesa de Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". A decisão foi tomada após os advogados relatarem ao gabinete do ministro que o investigado teria sido retirado de sua cela na semana passada e levado para um depoimento informal, sem a presença de defesa.
Segundo a petição da defesa, Antunes respondeu a mais de dez perguntas feitas por agentes penitenciários, que teriam insistido por cerca de uma hora no tema da delação premiada, questionando o motivo de ele não fechar um acordo de colaboração com as autoridades. A defesa afirma que não há, no momento, qualquer negociação de delação em andamento por parte dele. A cobertura de centro, de veículos como o portal de notícias de referência e a emissora de TV por assinatura, relatou o fato de forma enxuta e factual, destacando o prazo dado pelo STF, o papel de Mendonça como relator dos processos do INSS e a posição central de Antunes na investigação.
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal informou que recebeu o ofício encaminhado pelo Supremo, que responderá dentro do prazo e que abriu um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias descritas pela defesa. Antunes está preso desde 2025 e é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores das fraudes bilionárias em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, no âmbito da Operação Sem Desconto. Em situação distinta, o empresário Maurício Camisotti, preso na mesma operação, trabalha na construção de um novo acordo de colaboração após uma primeira proposta ter sido rejeitada pelo Supremo.
Veículos de esquerda enfatizaram o ângulo das garantias do investigado e o risco de coação estatal: para essa cobertura, interrogar um preso sem advogado representa uma violação do devido processo legal, e a reação rápida de Mendonça funciona como um freio institucional contra abusos dentro do sistema prisional, mesmo quando o réu responde por um crime grave. Já veículos de direita, na leitura editorial, tendem a manter o foco na gravidade do esquema, ressaltando que Antunes é peça central de uma fraude bilionária que lesou aposentados e pensionistas e que a delação premiada é instrumento legítimo de accountability para responsabilizar os envolvidos e recuperar recursos públicos. Nessa chave, a cobrança de explicações preserva a validade do processo, mas a prioridade permanece desmontar o esquema e punir os responsáveis.
O que ainda não se sabe é o conteúdo da resposta que a administração penitenciária dará ao Supremo, quem foram os agentes envolvidos na abordagem e qual será o resultado do procedimento administrativo aberto pela secretaria. Também permanece em aberto se a denúncia terá impacto sobre o andamento dos processos da Operação Sem Desconto e sobre eventuais futuros acordos de colaboração no caso.