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Levantamento da CNN Brasil, com base em dados do CNJ, mostra que tribunais estaduais pagaram R$ 722,8 milhões em verbas extras a magistrados entre maio e junho, primeiros meses de vigência das novas regras do STF para limitar os 'penduricalhos'.
Tribunais de Justiça estaduais pagaram pelo menos R$ 722,8 milhões em verbas extras a juízes e desembargadores entre maio e junho, nos dois primeiros meses de vigência das novas regras que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu em março para conter os chamados 'penduricalhos' da magistratura. O levantamento, feito pela CNN Brasil com base no Portal de Remuneração da Magistratura do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostra que 23 tribunais informaram R$ 479,9 milhões em maio e 15 tribunais informaram R$ 242,9 milhões em junho, soma que pode crescer, já que nem todas as cortes enviaram os dados do segundo mês.
O Tribunal de Justiça de São Paulo liderou os desembolsos, com R$ 184,4 milhões pagos só em maio; o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro somou R$ 110,6 milhões nos dois meses, seguido por TJPR, TJRS, TJBA e TJPE, todos acima de R$ 40 milhões. As rubricas envolvem direitos pessoais, indenizações e verbas eventuais, como auxílios, plantões, férias e licenças não usufruídas, pagos além do subsídio mensal, hoje limitado a R$ 46,3 mil pelo teto constitucional. Em março, o STF havia determinado o corte imediato de benefícios criados por normas locais e fixado limite de 35% do subsídio para indenizações como férias e plantões acumulados.
A cobertura de centro, representada pela CNN Brasil e pela Agenda do Poder, relatou os números de forma factual, dando espaço às respostas dos tribunais questionados: o TJGO disse que as folhas de maio e junho já haviam passado por auditoria da Corregedoria Nacional de Justiça antes do pagamento; o TJMT afirmou cumprir integralmente as determinações do STF e manter os dados públicos no Portal da Transparência; o TJDFT informou apenas que prestou esclarecimentos às autoridades competentes. O CNJ, por sua vez, disse que os dados são fornecidos e validados pelos próprios tribunais e que a Corregedoria Nacional de Justiça acompanha o cumprimento das regras.
Já veículos de esquerda, caso da Revista Fórum, enquadraram os números como uma 'farra' que evidencia que as restrições de março não foram suficientes para conter o excesso. Essa cobertura destacou uma fragilidade estrutural do modelo de fiscalização: como os próprios tribunais informam os valores ao CNJ sem auditoria prévia ao pagamento, a irregularidade só fica visível depois que o dinheiro já saiu do caixa público. Para essa leitura, a intimação que o STF fez a sete tribunais na segunda-feira (6) é, na prática, um reconhecimento de que as próprias regras da Corte não vinham sendo cumpridas.
Até o fechamento desta apuração, não havia cobertura relevante de veículos de direita sobre o caso, um ponto cego que a ausência dessa perspectiva evidencia. Uma leitura alinhada a esse campo tenderia a cobrar rigor na aplicação das sanções já previstas contra o próprio Judiciário, tratando o episódio como exemplo de excesso do funcionalismo público de alto escalão e defendendo regras permanentes e mais duras de teto remuneratório.
Diante da resistência das cortes, o STF endureceu a fiscalização. Na segunda-feira (6), os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes intimaram os presidentes dos tribunais do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia a enviar, em 48 horas, informações detalhadas sobre pagamentos a magistrados da ativa, aposentados e pensionistas entre abril e julho, incluindo cópias das folhas de pagamento. Os ministros advertiram que o descumprimento pode levar ao afastamento do cargo e à responsabilização penal, civil e disciplinar dos responsáveis.
O que ainda não se sabe é se os tribunais notificados cumpriram o prazo de 48 horas, quais sanções poderão de fato ser aplicadas e qual será o valor total de junho, já que oito tribunais ainda não haviam enviado seus dados ao CNJ até a conclusão do levantamento.
Os três veículos convergem sobre os valores do levantamento da CNN Brasil (R$ 722,8 milhões em maio e junho), a liderança do TJSP e do TJRJ nos pagamentos, e a intimação do STF a sete tribunais para prestar esclarecimentos em 48 horas.
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Uso do termo 'farra' na linha fina, verbo 'ignoram' no título e trechos interpretativos como 'evidencia que as determinações do STF (...) não foram suficientes' e a leitura da intimação do STF como reconhecimento de fracasso das próprias regras caracterizam enquadramento crítico típico de cobertura de esquerda sobre privilégios do funcionalismo público.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Veículos com viés ao centro
Texto apresenta dados oficiais do CNJ em tabela, cita a decisão do STF de março, ouve o CNJ e três tribunais questionados (TJGO, TJMT, TJDFT) sem adjetivação, mantendo tom descritivo e equilibrado.
Perspectivas omitidas
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de direita cobriu esta história.

Levantamento da CNN considerou os pagamentos de maio e junho, primeiros meses de vigência dos parâmetros estabelecidos pelo Supremo para limitar verbas extras além do subsídio mensal de juízes e desembargadores

Tribunais pagam R$ 722 milhões em penduricalhos mesmo após restrições do STF; TJRJ aparece com o segundo maior volume de pagamentos

Diante do descumprimento, Supremo intimou presidentes de sete cortes a prestarem esclarecimentos
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