O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite de quinta-feira, 30 de julho de 2026, o que descreveu como um acordo histórico para o desarmamento completo do Hamas e de todos os demais grupos armados na Faixa de Gaza. O anúncio foi feito em sua rede social e atribuído ao Conselho de Paz, órgão criado por ele para supervisionar o encerramento da guerra e a reconstrução do território. Na manhã seguinte, negociadores do movimento palestino confirmaram a adesão ao entendimento, alcançado após semanas de conversas no Cairo com mediação de Egito, Catar e Turquia.
A confirmação, porém, veio acompanhada de uma condicionante explícita. O negociador Ghazi Hamad afirmou que nenhuma medida relativa às armas será tomada antes de Israel encerrar os ataques e retirar suas tropas de Gaza, e descreveu o entendimento como um pacote completo, no qual cada parte depende do cumprimento da outra. Do lado israelense não houve pronunciamento oficial. Fontes do governo disseram que o documento de 15 pontos não responde de forma satisfatória à exigência de desmilitarização total do território, e que o país comunicou suas objeções.
A cobertura de centro relatou os dois movimentos em paralelo, sem tratar o anúncio como fato consumado: registrou o texto da publicação presidencial, a confirmação palestina condicionada, o silêncio do gabinete israelense e a avaliação da chefe da diplomacia europeia, para quem o acordo seria um passo construtivo se totalmente implementado, embora verificar o cumprimento por parte do grupo palestino represente um desafio significativo. Essa cobertura também detalhou o desenho técnico do plano: as armas pesadas ficariam armazenadas sob controle de uma administração palestina, sem transferência a Israel, e a transição entre fases só ocorreria após a conclusão verificada da etapa anterior, aprovada por um comitê de implementação. Um representante do Conselho de Paz estimou de 200 a 320 dias para o processo, prazo minimizado por uma autoridade norte-americana.
Veículos de direita enfatizaram o ineditismo do compromisso e o mérito da negociação conduzida a partir de posição de força, destacando que pela primeira vez o grupo que controla Gaza desde 2007 se comprometeu formalmente a entregar todo o seu arsenal, e reproduzindo a promessa de que Israel terá a segurança que merece, com o enclave deixando de servir de base para ataques. Nesse enquadramento, o ceticismo israelense aparece como prudência legítima, e a natureza condicional do acordo, com verificação etapa por etapa, é apresentada como a principal garantia de que a estrutura armada não se reconstitua.
Veículos de esquerda destacaram o custo humano acumulado e a assimetria das obrigações: mais de 1.200 palestinos, em sua maioria civis, foram mortos por ataques israelenses desde o início da trégua, em outubro, além de quatro soldados israelenses mortos por militantes; no próprio dia do anúncio, ataques mataram ao menos seis pessoas em Gaza, entre elas duas crianças. Nessa leitura, a exigência imediata e verificável recai sobre o lado palestino, enquanto a retirada militar segue sem cronograma público e as forças israelenses continuam expandindo a ocupação, que já cobre mais de 60% do território e que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou pretender ampliar para 70%. Pesa também o fato de que o conselho encarregado de desenhar a transição de governo foi criado e é presidido pelo próprio presidente norte-americano, que nomeou seus membros.
Os três enquadramentos convergem em pontos objetivos: houve anúncio, houve confirmação palestina condicionada, não houve aval formal de Israel e a implementação será gradual. Também convergem na constatação de que a situação no terreno permanece distante das metas descritas no documento.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há posição oficial do gabinete israelense sobre o texto, nem definição sobre o destino das armas leves e pessoais. Não foi divulgado quantos países comporão a Força Internacional de Estabilização, nem quando ela chegaria ao território. Não há cronograma público para a retirada das tropas nem detalhamento sobre recursos e responsáveis pela reconstrução. As condições completas do acordo, segundo autoridades envolvidas, ainda seriam publicadas, e só a partir delas será possível avaliar se o entendimento se sustenta.