O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a primeira semana de agosto de 2026 alternando ameaça militar e promessa de acordo sobre o Estreito de Ormuz, a passagem por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo antes do início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro. Na segunda-feira, 3, ele afirmou que o bloqueio naval americano aos portos iranianos só terminaria com um acordo ou com a capitulação total de Teerã. Na quarta-feira, 5, o Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou ter chegado a um consenso com Omã sobre as coordenadas de uma rota de navegação pelo estreito, em passo potencial para a reabertura da via.
A cobertura de centro relatou o desenho técnico do arranjo com detalhe: os navios entrariam no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã, ao norte, e sairiam por águas administradas por Omã, ao sul, enquanto a via central seria desminada. Apuração da imprensa americana descreveu um acordo transitório de 60 dias, renovável, sem cobrança de pedágio durante a vigência. Autoridades do Catar, do Paquistão e da Arábia Saudita participaram da mediação, e houve ligações entre o enviado especial americano, Steve Witkoff, e os chanceleres do Irã e de Omã. O secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, confirmaram progresso, mas disseram que nenhum entendimento definitivo havia sido fechado. Teerã, por sua vez, negou repetidamente manter conversas diretas com Washington, afirmando que dialoga apenas com o sultanato.
Todos os relatos convergem em alguns pontos. A guerra dura mais de cinco meses, o tráfego comercial pelo estreito foi reduzido ao mínimo e o preço do petróleo é o termômetro imediato de cada declaração: o Brent, que estava em US$ 85,29 na terça-feira, recuou para a faixa dos US$ 79 com a expectativa de acordo, acumulando queda de cerca de 9% na semana. Convergem também no risco: um cargueiro foi atingido por projétil ao atravessar Ormuz e um navio comercial indiano afundou no Mar Vermelho, próximo ao Iêmen, com os 14 tripulantes resgatados. Rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, mantêm bloqueio marítimo declarado contra a Arábia Saudita desde 20 de julho.
As ênfases, porém, se separam. Veículos de direita destacaram a alavancagem americana e a leitura de mercado: a firmeza militar teria trazido o regime à mesa, e a pretensão iraniana de cobrar uma taxa de 5% a 7% sobre o valor da carga é apresentada como pedágio novo sobre uma hidrovia que era livre antes da guerra. Parte da cobertura de centro foi na direção oposta e registrou avaliações de que o desenho em discussão, ao ratificar algum controle de Teerã sobre a entrada do Golfo, representaria um reequilíbrio de poder regional a favor do Irã, descrito por críticos ouvidos pela imprensa estrangeira como algo próximo de uma humilhação estratégica para Washington. Esses mesmos textos sublinharam o custo político interno: a guerra impopular elevou o preço da gasolina às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro, que definem o controle da Câmara e do Senado. Veículos de esquerda estiveram praticamente ausentes deste ciclo de cobertura, de modo que o enquadramento sobre o efeito humanitário do bloqueio naval e sobre a legalidade da ação militar não foi desenvolvido por nenhuma das matérias reunidas.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há confirmação de que o líder supremo iraniano e o Conselho Supremo de Segurança Nacional aprovaram o texto, e o próprio presidente do país afirmou à televisão estatal que a interação com o líder supremo está muito difícil, sem que ele tenha feito qualquer aparição pública. Não está definido se haverá cobrança na travessia: Washington diz que não haverá, autoridades iranianas falam em taxa de serviço e Omã discute percentual menor. Também não se sabe quem removerá as minas, em que prazo, e se o entendimento bilateral entre Irã e Omã basta para reabrir a hidrovia, já que o vice-chanceler iraniano afirmou que não. A Casa Branca não comentou o anúncio de Teerã. O cessar-fogo anterior durou menos de um mês antes de ruir por divergências sobre o mesmo estreito.