O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nas redes sociais um artigo de opinião que aponta a eleição presidencial brasileira de outubro de 2026 como o "próximo grande teste" da estratégia de Washington na América Latina. O texto, do colunista John Gizzi, do veículo conservador Newsmax, foi publicado sob o título "Trump conquista oito vitórias em sete anos na América Latina" e parte do plano definido pela Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgada em 2025.
O artigo lista uma série de eleições recentes na região como triunfos do movimento liderado por Trump, entre elas a vitória do conservador Abelardo de la Espriella na Colômbia, além de pleitos na Argentina, no Equador e em El Salvador. Segundo o colunista, esse seria um "amplo realinhamento ideológico pró-Trump que está transformando o Hemisfério Ocidental". O texto coloca o Brasil ao lado de Venezuela, Cuba e Nicarágua como os desafios restantes da Casa Branca no continente, sendo o Brasil descrito como a "potência política da região".
A cobertura de centro, como a da Agência Brasil e da Itatiaia, relatou os fatos de forma atribuída: a publicação de Trump, o conteúdo do artigo e o documento da Casa Branca que prevê reeditar a Doutrina Monroe, criada em 1823 sob o lema de que "a América é para os americanos". Esses veículos também registraram a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu respeito à soberania nacional. "Não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil", afirmou Lula. A cobertura de centro ainda trouxe a pesquisa Datafolha indicando que 65% dos eleitores se dizem indiferentes a um eventual endosso de Trump.
Veículos de direita enfatizaram o avanço de um realinhamento conservador na América Latina e apresentaram a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro como alternativa à reeleição de Lula. Essa cobertura destacou a aproximação dos Bolsonaro com a Casa Branca e a recente designação, pelos EUA, do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas, lida como ganho diplomático para o campo bolsonarista.
Veículos de esquerda, por sua vez, leram o movimento como tentativa de ingerência externa na soberania brasileira, parte de um projeto imperialista de releitura da Doutrina Monroe, apelidada de "Doutrina Donroe". Nessa chave, o documento da Casa Branca, que fala em expulsar empresas estrangeiras e restaurar a "proeminência americana", é apresentado como evidência de uma lógica de dominação regional, agravada pelo tarifaço imposto a produtos brasileiros e pelas falas hostis de Trump, que classificou o Brasil como país "politicamente difícil" durante reunião do G7.
O que ainda não se sabe é se Trump efetivamente endossará um candidato na disputa brasileira, qual será o peso real desse apoio nas urnas para além da percepção atual e como a relação diplomática entre os dois países evoluirá até outubro de 2026. Também permanece aberto se o cenário desenhado pelo colunista do Newsmax, de um Brasil somando-se à guinada à direita, se confirmará.