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A disputa presidencial de 2026 chegou a agosto com Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada em 10 de agosto, enquanto o coordenador da campanha do senador, Rogério Marinho, criticou o jantar realizado em 4 de agosto na casa do ministro Alexandre de Moraes, que reuniu o presidente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro Cristiano Zanin. Nos mesmos dias, definiram-se o slogan da campanha do PL e o impasse sobre a ida dos dois principais nomes aos debates de TV.
A campanha presidencial de 2026 ganhou um novo foco de atrito institucional a menos de dois meses da votação. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, criticou em nota divulgada no domingo, 9 de agosto, o jantar realizado na casa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro Cristiano Zanin. Na avaliação do coordenador, a articulação entre os Poderes faz parte da democracia, mas discutir acordos políticos na residência de um magistrado ultrapassa, nas palavras dele, uma linha perigosa.
O encontro ocorreu em 4 de agosto e teve como pano de fundo a derrota do governo na votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo. Segundo a reconstituição publicada, o presidente demonstrou contrariedade com a atuação do presidente do Senado naquela votação, e o senador reclamou de ter de atuar como se fosse líder do Planalto para arregimentar votos da base. Os dois também trataram da relação entre governo e Congresso, de uma nova aliança com partidos do Centrão diante da composição parlamentar que sair das urnas e da sucessão das presidências da Câmara e do Senado em 2027. Ao fim, combinaram nova reunião para a semana seguinte.
No terreno eleitoral, os números publicados em 10 de agosto são idênticos em toda a cobertura. A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.001 eleitores por telefone entre 7 e 9 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral. No primeiro turno, o presidente aparece com 40% e o senador com 35%. Em um eventual segundo turno, são 47% contra 44%, diferença dentro do empate técnico e a menor entre todos os cenários testados. A rejeição é alta nos dois polos: metade dos entrevistados diz que não votaria no senador de jeito nenhum, e 48% afirmam o mesmo sobre o presidente.
Veículos de direita enfatizaram dois pontos. O primeiro é institucional: a presença de um ministro do Supremo como anfitrião e mediador de uma negociação política, num tribunal que julga inquéritos de forte impacto eleitoral, colocaria sob suspeita a imparcialidade e a separação dos Poderes. O segundo é eleitoral: como o cenário com o senador é o mais apertado entre as simulações, sustenta-se a leitura de que ele é o adversário mais competitivo do presidente, num quadro em que aprovação e desaprovação do governo praticamente se equivalem.
A cobertura de centro relatou os mesmos fatos com ênfase diferente. Concentrou-se nos indicadores de rejeição e nos bastidores da disputa, registrando que o novo marqueteiro do senador definiu o slogan “O Brasil vai vencer” e que, nas peças que circulavam internamente no partido, o candidato aparecia apenas com o prenome, sem o sobrenome, ponto que a campanha depois contestou ao afirmar que o sobrenome constará de outros materiais. Também detalhou a metodologia do levantamento e observou que a rejeição do senador subiu um ponto na comparação com a rodada anterior, enquanto a do presidente caiu um ponto.
Veículos de esquerda não haviam publicado cobertura própria do episódio até o fechamento desta reportagem. Por isso, a defesa do encontro, ou o argumento de que a articulação entre Poderes é rotina e não implica parcialidade, não aparece em nenhuma das matérias reunidas. Nas peças disponíveis, também não há manifestação do ministro, do Supremo, do Palácio do Planalto ou do presidente do Senado em resposta às críticas do coordenador de campanha.
O calendário aperta os dois lados. O primeiro debate presidencial está marcado para 23 de agosto, com outro previsto para 14 de setembro e um terceiro para 1º de outubro, três dias antes da votação. Nem o presidente nem o senador confirmaram presença. A avaliação nas duas pré-campanhas é de que há pouco a ganhar e muito a perder numa aparição logo na largada: de um lado, o receio de virar alvo preferencial dos demais participantes; de outro, o risco de perder espaço para adversários do mesmo campo. O presidente nacional do partido do senador condicionou a ida dele à presença do petista. O presidente, por sua vez, disse em entrevista a um podcast que não vai a debate para ouvir bobagem.
Toda a cobertura reproduz os mesmos números da pesquisa BTG/Nexus: Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno, e 47% a 44% no segundo, dentro do empate técnico. Também há convergência sobre os fatos do jantar de 4 de agosto na casa do ministro Alexandre de Moraes, com a presença de Lula, Davi Alcolumbre e Cristiano Zanin, e sobre a rejeição elevada dos dois principais nomes, de 50% e 48%.
5 fontes políticas
Como decidimos →Ponto cego: esse lado ficou de fora.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
A voz do repórter é descritiva e de bastidor (slogan, conceito da marca, supressão do sobrenome nas peças internas), o que sustenta CENTER. O texto, porém, transcreve integralmente o argumento de ataque da campanha sem contraponto, o que eleva a carga emocional do conjunto. A atualização incluída ao fim, com a versão da campanha sobre o uso do sobrenome, indica procedimento jornalístico padrão.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas
Reporta rejeição, intenção de voto e avaliação de governo com paridade entre os dois principais nomes, inclusive registrando que a diferença de rejeição está dentro do empate técnico. Traz ficha técnica completa (2.001 entrevistados, telefone, campo de 7 a 9 de agosto, margem de dois pontos, registro no TSE), o que é marca de cobertura factual.
Perspectivas omitidas
Veículos com viés à direita
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Apesar da origem em veículo de perfil conservador, o texto cobra os dois polos com simetria: aponta o cálculo de risco do petista e também o risco de o senador perder espaço para adversários da própria direita, além de lembrar o episódio envolvendo o banqueiro. Traz retrospecto factual dos debates desde 1989 e declarações literais das duas partes. Perfil CENTER pelo conteúdo, não pelo veículo.

Nas peças que circulam internamente no PL, o candidato surge apenas com o prenome Flávio. O sobrenome Bolsonaro não aparece

Flávio Bolsonaro e Lula não confirmaram até agora se estarão presentes no debate da Band em 23 de agosto. Leia na Gazeta do Povo.

Levantamento divulgado nesta segunda-feira mostra que a diferença do presidente para o senador voltou a subir no segundo turno

Entre os entrevistados, 27% afirmam que Flávio é o único em quem votariam e 19% dizem que poderiam votar nele, mas também em outro nome

Encontro na casa do ministro do STF, revelado pelo ‘Estadão’, também reuniu Davi Alcolumbre e Cristiano Zanin; Lula e o presidente do Senado discutiram relação com Congresso e possíveis acordos para a próxima legislatura
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Perspectivas omitidas
Classificada como centro, embora o veículo tenha viés editorial direita.
Texto essencialmente numérico, com cenários de primeiro e segundo turno, espontânea, rejeição, migração de votos e avaliação de governo, sem vocabulário valorativo. A seleção de ênfase (o senador como adversário mais competitivo) é sustentada pelos próprios dados apresentados, e não por adjetivação. Perfil CENTER apesar do veículo de perfil à direita.
Perspectivas omitidas
O eixo do texto é a acusação de quebra de separação dos Poderes, com três citações diretas da nota do coordenador de campanha e nenhuma réplica dos criticados. O vocabulário de accountability institucional (“linha perigosa”, “ministro do Supremo não é articulador partidário”) organiza a matéria. A segunda metade traz reconstituição factual do jantar e das negociações sobre Centrão e sucessão nas Casas, mas o enquadramento dominante é o da crítica, o que caracteriza RIGHT pelo conteúdo.
Perspectivas omitidas
Falácias identificadas



