O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar atacar o Irã nesta sexta-feira, ao ser questionado por jornalistas em Camp David sobre a guerra no Oriente Médio. "Vamos atacá-los com muita força", disse o republicano, acusando Teerã de "quebrar a palavra com frequência" nas negociações. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o Irã afirmou ter lançado drones contra alvos militares americanos no Kuwait, em resposta a bombardeios dos EUA contra seu território, numa nova escalada de um conflito que começou em 28 de fevereiro.
A cobertura de centro relatou os fatos com precisão e múltiplas fontes. As Forças Armadas do Kuwait disseram ter interceptado e destruído os drones, sem feridos. Na véspera, os EUA anunciaram bombardeios contra centros de comando e instalações de mísseis iranianos. Dias antes, um ataque conjunto de Washington e Riad havia atingido milícias aliadas do Irã no Iraque, deixando ao menos 20 mortos. O conflito respingou em terceiros países: a Jordânia interceptou mísseis, um terminal portuário no Egito foi atingido por drone e cresceram os temores sobre as rotas de petróleo no Estreito de Ormuz, no Canal de Suez e no Mar Vermelho.
Há um ponto em que as diferentes leituras convergem: a guerra ficou impopular dentro dos próprios Estados Unidos. Uma pesquisa AP-NORC mostrou que cerca de dois terços dos americanos consideram que o conflito "não valeu a pena", e apenas 28% aprovam a forma como Trump conduz a questão. A partir daí, os enquadramentos se separam. A leitura de esquerda tende a enfatizar o custo humano e econômico da guerra, a rejeição popular ao prolongamento das hostilidades e o risco de uma escalada militar sem fim claro. Veículos de direita, por sua vez, enfatizam a acusação de que o Irã descumpre acordos, a necessidade de dissuasão e o impacto da alta da gasolina sobre os republicanos às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Nesse mesmo agrupamento de cobertura internacional, veículos de direita deram destaque a outra tensão de fronteira: o sindicato da Polícia Nacional da Espanha acusou o Marrocos de promover um "ataque" ao facilitar a travessia em massa de migrantes para o enclave de Ceuta, reacendendo o debate sobre o controle das fronteiras externas da União Europeia.
O que ainda não se sabe: o Comando Central dos EUA não confirmou o ataque de drones no Kuwait, e não há garantia de que as negociações conduzidas pelos enviados americanos resultem em cessar-fogo. Permanece incerto o alcance do apoio de China e Rússia ao Irã, depois que Teerã teria recebido um primeiro lote de lançadores de mísseis antiaéreos fabricados na China. O governo do Marrocos, por sua vez, não respondeu às acusações espanholas.