Até o momento, apenas o Blog do Noblat, do Metrópoles, cobriu o caso, em artigo assinado por Marcos Magalhães. Segundo o texto, o presidente americano Donald Trump anunciou, em rede social, que os Estados Unidos vão cobrar um pedágio de 20% sobre as cargas dos navios que cruzarem o Estreito de Ormuz, região por onde passam cerca de 20% das vendas mundiais de petróleo. Trump justificou a medida como uma compensação por uma possível administração americana da estratégica passagem marítima, hoje sob tensão desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã.
O artigo relata que Trump disse à Fox News que os Estados Unidos vão "provavelmente" assumir a administração do estreito e oferecer segurança aos navios que passam por ali, com o pedágio de 20% como contrapartida. Antes da guerra, a navegação pelo estreito era livre; depois dos ataques ao seu território, o próprio governo do Irã chegou a cogitar cobrar pedágio, mas a iniciativa concreta partiu de Washington.
O texto chama atenção para o efeito potencial da medida sobre países ricos e pobres, que veriam a conta de importação de petróleo aumentar de uma hora para outra, somando-se à alta já registrada desde o início do conflito. O autor descreve o comportamento de Trump nesta segunda presidência como um fator de instabilidade global, citando decisões unilaterais sobre comércio, uma ação para retirar o presidente de outro país do poder e o uso de tropas sem consulta ao Congresso americano.
No caso brasileiro, o artigo destaca que o governo já considera difícil escapar do tarifaço americano sobre as exportações do país, e que um eventual pedágio no Estreito de Ormuz representaria mais um custo, somado ao aumento do preço do petróleo. O texto questiona a posição de aliados brasileiros de Trump diante desse cenário, citando o candidato de oposição Flávio Bolsonaro, que tem defendido o adiamento da sobretaxa americana a produtos brasileiros, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ambos associados publicamente ao presidente americano. Segundo o autor, cabe perguntar se esses aliados também buscariam isenção para o Brasil caso o pedágio se confirme.
O artigo conclui defendendo que o tema mereça lugar de destaque no debate da eleição presidencial de outubro de 2026, diante da tendência de outros países, além do Brasil, de buscar maior diversificação comercial e autonomia energética e tecnológica frente à imprevisibilidade da política externa americana.
Ainda não se sabe se o pedágio será efetivamente cobrado ou se é apenas uma tática de pressão de Trump sobre o Irã em uma negociação hoje suspensa, nem qual será a reação de governos e aliados, incluindo os citados no Brasil, caso a medida avance.