Serhii Kuznietsov é julgado em Hamburgo por explosão do Nord Stream
Relato de fonte única, atribuído a DW Brasil. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Começou em Hamburgo o julgamento do ucraniano Serhii Kuznietsov, de 50 anos, acusado de participar da explosão dos gasodutos Nord Stream em setembro de 2022. O caso é politicamente sensível para a Alemanha, grande apoiadora da Ucrânia.
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Briefing
O que importa para você
- O julgamento em Hamburgo pode influenciar o debate alemão sobre a ajuda à Ucrânia, hoje com apoio popular em queda.
- A Alternativa para a Alemanha lidera as pesquisas nacionais e liga o apoio a Kiev a cortes sociais.
- Uma eventual retomada do Nord Stream afetaria o preço da energia na Alemanha.
O que ainda está incerto
- Quem deu as ordens e se havia autoridades ucranianas envolvidas.
- Quais provas a procuradoria alemã apresentará.
- O desfecho do julgamento e a possibilidade de reparo do Nord Stream.
O ucraniano Serhii Kuznietsov, de 50 anos, é julgado em Hamburgo, na Alemanha, por crime de guerra ligado à explosão dos gasodutos Nord Stream em 2022. Ele nega as acusações, e o caso reacende o debate sobre o apoio alemão à Ucrânia.
Começou nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, em um tribunal de Hamburgo, na Alemanha, o julgamento do ucraniano Serhii Kuznietsov, de 50 anos, acusado de participar da sabotagem que destruiu os gasodutos Nord Stream. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso no conjunto de fontes analisado, e esta reportagem se baseia nessa cobertura de fonte única.
Em 26 de setembro de 2022, grandes quantidades de gás metano emergiram no Mar Báltico, perto da ilha dinamarquesa de Bornholm, depois que desconhecidos explodiram três dos quatro ramais dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, que ligavam a Rússia à Alemanha. O atentado ocorreu sete meses após o início da guerra na Ucrânia e encerrou um megaprojeto energético que garantia gás barato aos alemães. O Nord Stream 1 já havia sido reduzido ou interrompido várias vezes pela Rússia, e o Nord Stream 2 nem chegou a operar.
Kuznietsov, ex-membro das Forças Armadas ucranianas, foi preso na Itália em agosto de 2025, com base em um mandado de prisão europeu emitido por iniciativa da Alemanha, e depois extraditado. Ele é acusado como coautor de crime de guerra mediante o uso de métodos proibidos de combate contra alvos civis, entre outros crimes. A procuradoria alemã afirma que ele agiu em conjunto com outros militares ucranianos, sob ordens de autoridades estatais da Ucrânia não identificadas. Ele nega as acusações, assim como um segundo suspeito detido na Croácia.
O fato de o réu ser ucraniano torna o processo politicamente delicado. A Alemanha apoia a Ucrânia militar, financeira e humanitariamente e acolheu cerca de 1,3 milhão de refugiados. Os partidos Alternativa para a Alemanha, de ultradireita, e Aliança por Justiça Social e Racionalidade Econômica, de orientação esquerdista-populista, criticam esse apoio e defendem melhores relações com a Rússia, a retomada das importações de energia russa e o fim da ajuda a Kiev. Alguns críticos dão como certa a condenação, embora o julgamento mal tenha começado. Sahra Wagenknecht, principal liderança do segundo partido, disse em 2025 que era absurdo a Alemanha gastar bilhões sem exigir esclarecimentos do presidente Volodimir Zelenski. Alice Weidel, copresidente do primeiro, afirmou no início de 2026 que o governo deveria exigir compensações da Ucrânia. A cobertura registra que ela não apresentou provas do envolvimento ucraniano.
Analistas ouvidos divergem sobre o contexto. Göran Swistek, analista militar, disse em 2023 que a complexidade da operação indicava uma estrutura estatal, mas considerava pouco plausível que fosse a Ucrânia, e admitia que a Rússia pudesse ter criado uma pista falsa. Henning Hoff, do Conselho Alemão de Relações Exteriores, avalia que a explosão tirou da Rússia a arma da chantagem energética e derrubou os preços do gás, o que atendeu aos interesses alemães.
O governo alemão enfrentaria um dilema se a culpa de Kuznietsov e uma ligação com a cúpula ucraniana fossem comprovadas: preservar a independência do Judiciário e, ao mesmo tempo, evitar que a Rússia explore o caso. Roderich Kiesewetter, da União Democrata Cristã, partido do chanceler Friedrich Merz, diz que nenhuma consequência caberia, pois o apoio à Ucrânia atende ao interesse de segurança nacional alemão. Já Michael Kretschmer, governador da Saxônia e também da CDU, vê um gasoduto restaurado como possível moeda de troca em negociações com a Rússia.
O apoio popular à ajuda, sobretudo ao envio de armas, vem caindo. Nas três eleições estaduais no leste do país em setembro, a Alternativa para a Alemanha ampliou sua votação e lidera as pesquisas nacionais. Como o texto disponível é de fonte única e foi interrompido no meio, não há registro aqui de outras vozes.
O que ainda não se sabe: quem deu as ordens, se é que houve ordens de autoridades ucranianas, quais provas a procuradoria apresentará e qual será o desfecho do julgamento. Também não está claro se o Nord Stream será reparado.
Fontes
Caso levanta questões sobre possível envolvimento de autoridades de Kiev e inflama debate sobre apoio da Alemanha à Ucrânia.
