O advogado Abelardo de la Espriella, de extrema direita e apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, venceu a eleição presidencial da Colômbia neste domingo por uma margem apertada. Com 99,9% das urnas apuradas, ele obteve 49,65% dos votos, contra 48,7% do senador esquerdista Iván Cepeda, candidato apoiado pelo presidente Gustavo Petro. A diferença entre os dois ficou abaixo de 300 mil votos. A apuração preliminar confirmou a tendência apontada pelas pesquisas e consolidou uma guinada política após quatro anos do primeiro governo de esquerda do país.
A cobertura de centro relatou que o resultado segue uma tradição colombiana de eleições decididas por margens estreitas. Desde que a Constituição de 1991 instituiu o segundo turno, o país realizou sete disputas presidenciais nesse formato, e na maioria delas a diferença ficou abaixo de um milhão de votos. A mais apertada da história continua sendo a de 1994. Veículos de centro também destacaram que Petro, impedido de se reeleger, evitou reconhecer o resultado e voltou a levantar dúvidas sobre a contagem, afirmando que o vencedor só poderá ser definido após a conclusão do escrutínio oficial.
Há pontos em que toda a cobertura converge. De la Espriella era, até poucos meses atrás, uma figura pouco conhecida fora dos círculos empresariais e jurídicos. Sem experiência política, construiu a candidatura com recursos próprios, forte presença nas redes sociais e o apoio declarado de Trump nas últimas semanas. Seu discurso central foi o combate ao narcotráfico e às guerrilhas em um país que é o maior produtor de cocaína do mundo. Cepeda, de 63 anos, é veterano congressista e filósofo, filho de um senador de esquerda assassinado em 1994, e foi um dos artífices da política de 'Paz Total' do governo Petro.
É na interpretação desse perfil que as coberturas divergem. Veículos de esquerda enfatizaram que o governo Petro reduziu a pobreza, aumentou o salário mínimo e baixou o desemprego em uma das sociedades mais desiguais do mundo, e que o vencedor representa risco de retrocesso social. Esses veículos destacaram as propostas de cortar 40% do Estado, autorizar o fracking e construir megapresídios, além de críticas ao histórico de comentários machistas e homofóbicos do advogado e à sua atuação como defensor de paramilitares e narcotraficantes. Já veículos de direita enfatizaram o discurso de De la Espriella contra o que ele chama de 'câncer' da esquerda, sua promessa de uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha com apoio dos Estados Unidos e de Israel, a defesa do porte de armas e a proposta de dolarizar a economia, apresentando a vitória como rejeição aos resultados escassos da pacificação tentada por Petro.
A cobertura também situou o resultado no mapa regional: a vitória alinha a Colômbia a outros países latino-americanos que elegeram a direita nos últimos anos, como Argentina, Chile, El Salvador e Equador, enquanto governos de esquerda como os do Brasil e do México apoiavam Petro.
O que ainda não se sabe é se Petro reconhecerá formalmente o resultado após o escrutínio oficial e quais irregularidades ele alega de fato existirem. Também permanece indefinido como o novo governo conduzirá, na prática, a anunciada ofensiva militar contra a guerrilha e qual será o destino da política de 'Paz Total' herdada da gestão anterior.