O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, saiu em defesa da aliança do partido com o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), e minimizou as críticas que o tucano já fez ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação ocorreu depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais criticando a aproximação entre o PL e Ciro, lembrando as declarações do tucano contra a família Bolsonaro.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Valdemar afirmou que a prioridade do PL é construir uma candidatura competitiva contra o governador Elmano de Freitas (PT), que deverá disputar a reeleição. Para o dirigente, Ciro é o único nome com condições reais de derrotar o grupo governista. "O Ciro fala mal e briga até com o irmão, briga até com a família toda. É o jeito dele. Mas é o único que tem chance de vencer o PT. Se nós não formos com ele, o governador do Ceará vai ser do PT", disse. Ao justificar a posição, Valdemar também citou o rompimento político entre Ciro e o senador Cid Gomes (PSB), usando o episódio para relativizar as críticas do tucano ao bolsonarismo.
Michelle Bolsonaro mantém posição contrária ao acordo. A ex-primeira-dama defende que o PL apoie o senador Eduardo Girão (Novo) na disputa pelo Palácio da Abolição e entende que uma aproximação com Ciro só faria sentido num eventual segundo turno. A divergência expõe diferenças estratégicas dentro do partido sobre a melhor forma de enfrentar o PT nas eleições estaduais.
A cobertura de centro, como a do jornal O Globo, relatou o episódio de forma factual, detalhando as falas de Valdemar, a posição de Michelle e o histórico do racha familiar entre Ciro e Cid Gomes, afastados há cerca de três anos após divergirem sobre quem deveria representar o então PDT na sucessão estadual de 2022. Veículos de esquerda, como o Brasil 247, enfatizaram o ângulo da crise interna, descrevendo o movimento como uma tentativa de Valdemar de abafar o atrito e destacando o desgaste no clã Bolsonaro e a divisão no campo da direita. Pela ótica de veículos mais à direita, o apoio a Ciro tende a ser lido como cálculo pragmático para barrar a hegemonia petista num estado onde a esquerda é dominante.
Apesar do apoio do PL, Ciro Gomes busca se esquivar da nacionalização da campanha e descarta dar palanque ao senador Flávio Bolsonaro. No Ceará, o presidente Lula obteve 69,7% no segundo turno de 2022, cenário que pesa contra a direita. Questionado sobre o vídeo de Michelle, Ciro respondeu que não viu e não pretende ver, afirmando que se trata de uma questão do PL nacional. A campanha do tucano planeja concentrar o debate em problemas da gestão estadual, sobretudo nas áreas de saúde e segurança pública, para atacar gargalos da administração de Elmano.
O que ainda não se sabe é se a aliança vai se consolidar formalmente, qual será a posição final do PL nacional diante da resistência de Michelle, e como o senador Eduardo Girão e o próprio PT cearense reagirão ao novo arranjo. Também permanece em aberto o desenho completo das chapas e dos palanques para a disputa de 2026 no estado.